Edgar Hoover em livro e filme

Postado em Cinema, Biografia, Literatura anglo-americana, Ciências humanas em 27/01/2012 por Daniel

O filme de Clint Eastwood, estrelado por Leonardo Di Caprio, estréia hoje no Brasil. A editora, aproveitando a deixa, relança esse título, lançado em 2007.

A maldição de Edgar conta a vida de John Edgar Hoover, o todo-poderoso diretor do FBI que, em meio século de comando, deixou uma marca indelével nos Estados Unidos do século XX. Narrado por Clyde Tolson, secretário e amante de Hoover, o romance de Marc Dugain acompanha momentos-chave da história do país, da Depressão à Guerra do Vietnã, passando pelo assassinato de J.F. Kennedy e pela caça aos comunistas liderada pelo senador Joseph McCarthy. Dugain traça de maneira brilhante o retrato de um dos homens mais temidos e influentes da história recente americana.

A maldição de Edgar – Marc Dugain – Record (400 páginas, R$ 42,90).

*Sinopse da editora.

O leitor de Marx

Postado em Ciências humanas, Lançamentos em 26/01/2012 por Daniel

Antologia dos principais textos do autor, selecionados por um dos maiores especialistas brasileiros no assunto. A obra de Karl Marx, por sua importância teórica, é um marco na cultura ocidental e seu impacto sócio-histórico tem relevância universal. Sendo assim, é oportuno examinar (e reexaminar) seu pensamento, recorrendo diretamente à fonte original.

O leitor de Marx – José Paulo Netto (org.) – Civilização Brasileira (504 páginas, R$ 49,90).

*Sinopse da editora.

Os números de 2011

Postado em Conectado em 04/01/2012 por Daniel

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.

Aqui está um resumo:

A sala de concertos da Ópera de Sydney tem uma capacidade de 2.700 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 27.000 vezes em 2011. Se fosse a sala de concertos, eram precisos 10 concertos egostados para sentar essas pessoas todas.

Clique aqui para ver o relatório completo

A extensão dos nossos sonhos

Postado em Literatura argentina, Livreiro em 27/12/2011 por Daniel

“Professava o amor ao livro, o mais precioso e o mais estranho dos instrumentos humanos. Outros como o arado ou a espada são extensões da mão do homem; outros, dos olhos, ou da voz; o livro é uma perdurável extensão da nossa memória, dos nossos sentimentos e dos nossos sonhos”.

Jorge Luis Borges em homenagem ao livreiro Luis Alfonso

A espetacular seleção Saraiva de Bolso

Postado em Exclusivo, Lançamentos, Saraiva de Bolso em 26/12/2011 por Daniel

Já está disponível no site e nas lojas da Saraiva o terceiro lote de títulos da coleção Saraiva de Bolso. Nessa leva, que reúne 13 obras, há clássicos de domínio público, com grandes e reconhecidas traduções (de nomes como Barbara Heliodora, Mario Quintana e Adriana Lisboa), e livros capitais - pela primeira vez no formato bolso - como A hora e vez de Augusto Matraga, de João Guimarães Rosa, e Doutor Fausto, de Thomas Mann.

A coleção, que não dispensa a qualidade editorial e gráfica,  possui um dos melhores preços do mercado: os livros vão de R$ 9,90 a 22,90. 

Para saber mais sobre a coleção, acesse: http://bit.ly/u26XAF

Para comprar a coleção, acesse: www.saraiva.com.br

Confira as sinopses dos lançamentos a seguir.

Augusto Matraga é um fazendeiro violento e beberrão, que não respeita ninguém. Porém ocorre uma mudança na sua vida depois que sofre uma emboscada e é dado como morto. Tendo sido socorrido por um casal de negros velhos, consegue sobreviver. Quando se recupera, Augusto vai para longe com o casal e dedica sua vida ao trabalho, à penitência e à oração. Mas certo dia decide partir: “— Adeus, minha gente, que aqui é que mais não fico, porque a minha vez vai chegar, e eu tenho que estar por ela em outras partes!” Na viagem, reencontra o amigo cangaceiro Joãozinho Bem-Bem e seu bando, e toma uma atitude decisiva para seu destino.

Doutor Fausto é uma obra grandiosa com a qual Thomas Mann constrói um universo social de artistas e intelectuais. Narrada pelo amigo e professor Zeitblom, é a história do músico Adrian Leverkühn, que, como o Fausto da lenda, vende a alma ao Diabo a fim de viver o suficiente para realizar sua grande obra. No último dos seus grandes romances, Thomas Mann trabalha com extrema coerência os personagens, fazendo sentir seu amadurecimento, os caminhos traçados por cada um, combinando música, política e realidade num grande panorama em que a figura do artista encarna a própria ruína de seu país, a Alemanha, em guerra.

O deserto dos tártaros (1940), obra-prima de Buzzati, conta a história de jovens oficiais que consomem toda a sua existência em uma solitária fortaleza de fronteira, esperando em vão o ataque dos tártaros. Mais do que isso, o livro retrata a angústia, a resignação e a solidão do homem, incapaz de escapar a seu próprio destino. O romance teve grande êxito de público e de crítica e foi traduzido em várias línguas.

Louise, esposa do eminente arqueólogo dr. Leidner, insistia em que sua vida corria perigo, mas todos pensavam que ela só queria chamar a atenção. Certo dia, porém, aparece assassinada com extrema brutalidade. Inquirindo uns e outros, Hercule Poirot descobre que a “adorável” Louise era mais odiada que amada. Ninguém está livre de suspeitas no sítio arqueológico de Tell Yarimjah. Em Morte na Mesopotâmia, Poirot terá de apurar, mais que nunca, sua aguda inteligência para encontrar o assassino.

O médico e o monstro relata a história dramática de umconceituado médico, Dr. Jekyll, criador de uma poção capaz de trazer à tona o lado mais obscuro de sua personalidade. Jekyll passa a viver a sua identidade real com a do amoral Mr. Hyde. Dessa forma, relativiza todas as questões que dizem respeito ao bem e ao mal, ao correto e ao incorreto.Umdesfecho inesperado, porém, revela ao médico a capacidade dominadora do monstro e põe em risco sua própria vida.

O mercador de Veneza, comédia em cinco atos, figura entre as obras mais famosas de Shakespeare. Bassânio, nobre veneziano que malbaratou seus bens, pede ao amigo Antônio, rico mercador, três mil ducados para poder prosseguir com dignidade o noivado com a rica herdeira Pórcia. Antônio se dispõe a tomar emprestado o dinheiro a Shylock, agiota a quem antes havia insultado por causa da usura que exercia. Este consente em emprestar o dinheiro sob uma condição: se a quantia não for paga no prazo fixado, Shylock terá direito a uma libra de carne do corpo de Antônio.

No cenário de um mundo profundamente transformado pelo desenvolvimento tecnológico, O primo Basílio (1878) — romance realista que revela a intimidade, os acontecimentos, os tipos e comportamentos humanos das famílias da sociedade burguesa de Lisboa doséculo XIX — representa um dos primeiros momentos de reflexão sobre o atraso da sociedade portuguesa.

Otelo, o Mouro de Veneza, é das mais importantes peças de William Shakespeare. Iago, alferes de Otelo, não suporta ver outra pessoa ocupar o posto de tenente que pretendia. Já Otelo,um nobre mouro a serviço do Estado, não acredita que possui qualidades suficientes para manter ao seu lado uma mulher jovem e bonita como Desdêmona. Iago, tomado pela inveja e sentimentos malévolos, acusa Desdêmona de infidelidade e busca a destruição de Otelo.

Quincas Borba, romance de 1891, trata da vida de Rubião, amigo e enfermeiro particular do filósofo Quincas Borba — personagem descrito em obra anterior de Machado, Memórias póstumas de Brás Cubas —, de quem herda toda a fortuna. Ao trocar a vida provinciana pelo bulício da corte, Rubião leva consigo o cão, também chamado de Quincas Borba, que pertencera ao filósofo e do qual deveria cuidar a fim de preservar o direito à herança. No trem que o conduz ao Rio de Janeiro, Rubião conhece o casal Sofia e Cristiano Palha, que logo percebem que o companheiro de viagem é um novo-rico ingênuo e ludibriável. Seduzido pela amabilidade do casal e, sobretudo, pela beleza de Sofia, Rubião passa a frequentar a casa deles, confiando cegamente nos novos amigos.

Do século XVII de Gregório de Mattos ao século XXI de Glauco Mattoso, espraiam-se neste livro os poemas mais escabrosos já escritos na nossa língua. Se alguns deles são famosíssimos, outros são de quase impossível localização, dispersos em manuscritos ou em exemplares únicos, salvos pela memória ou pela tradição oral(…). Com este tesouro de imoralidades, este sacrário de abominações, esta comédia de todos os preconceitose de todos os desrespeitos, esperamos oferecer ao leitor uma salutar possibilidade de fuga da prisão infernal do politicamente correto em que nos encontramos, sob os auspícios dos mais irrepreensíveis monstros do nosso tempo. Alexei Bueno

Histórias da meia-noite é uma coletânea de contos organizada pelo próprio Machado de Assis, publicada em 1873, em que predomina um humorismo sutil baseado na sátira social. Nestas narrativas, há lugar para desenlaces inesperados — como em “O relógio de ouro” e “A parasita azul” — e para a descrição da alma feminina, tema recorrente na prosa machadiana.

A tempestade é considerada a obra mais pessoal e ousada de Shakespeare. Relata a história de Próspero, duque de Milão, traído pelo próprio irmão e banido para uma ilha na companhia da filha. Depois de 12anos no exílio, Próspero ― uma espécie de mago ―cria uma tempestade que faz naufragar o navio que leva seus desafetos, e pode finalmente colocar em prática a sua vingança.

Mrs. Dalloway conta a história de um dia na vida de uma dama de nobre linhagem — Clarissa Dalloway — casada com um deputado conservador e mãe de uma adolescente. Através de um retrato perspicaz de paisagens e sentimentos, Virginia Woolf observa a alta sociedade londrina do início da década de 1920 e conduz sua personagem a uma pungente viagem interior.

Os caminhos do sertão de João Guimarães Rosa

Postado em Lançamentos, Literatura brasileira, Livreiro, Lugares e viagens em 01/12/2011 por Daniel

Nova Fronteira e Livraria Saraiva lançam edição histórica de Grande sertão: veredas

(Originalmente publicado na revista Almanaque Saraiva de dezembro de 2011 – Por Daniel Louzada)

Capa da caixa Os caminhos do sertão de João Guimarães Rosa

Seria preciso ser um inventor de palavras, como foi João Guimarães Rosa, para cobrir minimamente as qualificações que merece Grande sertão: veredas. Obra-prima da literatura, fundamental para a compreensão de nossa identidade, empreendimento artístico monumental, influência para tantos escritores, tratado universal sobre o homem. São muitas as sentenças que poderiam ser elencadas para ressaltar esse atemporal romance, um dos mais importantes do século XX.

Foi essa relevância que no início de 2011 motivou a Editora Nova Fronteira e a Livraria Saraiva a realizarem um grande projeto em conjunto: uma edição especial que trouxesse outra dimensão da obra por meio da divulgação de um material nunca publicado. Assim, surgiu a caixa Os caminhos do sertão de João Guimarães Rosa.

O ponto de partida foi o entusiasmo em colocar em livro pela primeira vez o importante texto A boiada, até então restrito aos arquivos do IEB-USP. A boiada é um documento fundamental para entender não só a construção das obras de Guimarães, mas também, de maneira geral, o esforço que precede uma grande obra literária, o seu fazer, o trabalho árduo do escritor.

A boiada

A boiada: por dentro do sertão

Em maio de 1952, João Guimarães Rosa juntou-se à comitiva de Manoel Nardy, que inspirou o famoso personagem Manuelzão, e fez uma travessia pelo sertão mineiro. Mais do que o reencontro com sua terra natal, havia um nítido interesse do autor em cartografar esse espaço e aprender mais sobre a cultura de boiadeiros e sertanejos.

A leitura das duas cadernetas escritas nessa viagem, as quais chamou de A boiada 1 e A boiada 2, dão a medida desse interesse. Tanto que mais tarde as anotações foram aproveitadas especialmente na elaboração das novelas de Corpo de baile.

O conteúdo das cadernetas é fragmentário e muito detalhado, um composto de frases, palavras, cenas, paisagens, desafios, lundus, quadras, cantigas, além de histórias e comentários a respeito do cotidiano dos homens com quem o escritor conviveu nesse período.

A partir desses fragmentos, é possível recompor o percurso de Guimarães pelo sertão e por sua literatura, pois o itinerário revelado nas anotações, apenas aparentemente sem sistematização, revela a olhos mais atentos interseções com os caminhos trilhados pelos jagunços de Grande sertão: veredas.

A caixa Os caminhos do sertão de João Guimarães Rosa

A caixa Os caminhos do sertão de João Guimarães Rosa, com tiragem numerada e limitada de 10 mil exemplares, é produto de extenso trabalho editorial da equipe da Nova Fronteira. Valoriza-a um novo projeto gráfico e a série de belas ilustrações que o arquiteto Paulo Mendes da Rocha produziu exclusivamente para a edição. A caixa é composta dos seguintes livros.

Grande sertão: veredas – Edição exclusiva, tendo por capa a primeira página do fac-símile da obra, em que Guimarães define o título, riscando de próprio punho a sua primeira proposição datilografada: Veredas mortas. A edição é acompanhada, ainda, por um texto explicitando o trabalho fonético da escrita rosiana e como se estabelece o Acordo ortográfico em João Guimarães Rosa. O livro também apresenta algumas capas nacionais e internacionais do romance que ganhou o mundo.

O novo Grande sertão: veredas

A boiada O fac-símile, todo impresso em cores, o original datilografado de Guimarães registrando a viagem pelo sertão. Nas margens das páginas, em canetas de cores diferentes, ele indica: Corpo de baile, Miguilim, Grande sertão, Batalha… Um verdadeiro registro genealógico e raro da construção da obra do autor. O volume ainda conta com a contribuição de Sandra Vasconcelos, professora de literatura brasileira do IEB-USP e de Mônica Meyer, professora e bióloga da UFMG. 

Livro de depoimentos – Com texto de apresentação da Nova Fronteira e da Saraiva, traz depoimentos inéditos em livro de nomes como Antonio Candido e Haroldo de Campos sobre o Grande sertão: veredas.

Livro de depoimentos sobre a obra e o autor

Um livro no meio do redemoinho

Por que Guimarães Rosa? Por que a experiência de sua leitura é tão fundamental e particular ainda hoje? Muitos dizem que ler Grande sertão: veredas é empresa difícil. Nem tanto. Uma vez em seu universo está aberta outra compreensão sobre a vida, ampla e aguda, e todas as recompensas se dão nessa travessia.

Estamos falando de um livro que possibilita múltiplas leituras, que aborda, com riqueza e invenção, o drama do homem e sua aventura no mundo. A paisagem agreste brasileira, o sertão, é, portanto, o universo todo, o mistério. História de amor e amizade, ambígua luta entre o bem e o mal, a vida sempre entrecortada por caminhos e descaminhos – veredas.

O amor como trégua

Postado em Literatura uruguaia, Lugares e viagens, Trechos em 31/10/2011 por Daniel

Se pelo menos uma parte da arte, livros e filmes incluídos, evoca de alguma maneira histórias de amor, como já se disse, também é certo que forma e resultado variam. Há histórias de amor que derramam o idealizado desejo de triunfo e pacificação pelo encontro com o outro, e outras, mais contidas, fechadas no seu infernal círculo de angústia, abertas ao desencontro. Destas, memorável é o amor outonal de A trégua, do uruguaio Mario Benedetti, editado no Brasil pela Alfaguara.

Martín Santomé, prestes a completar 50 anos, leva uma vida sem brilho na Montevidéu do final da década de 50. Viúvo, tem três filhos que não lhe dão muita atenção. Seus dias são monótonos; sua única aspiração é a aposentadoria.

A rotina de Santomé tem uma pausa feliz ao conhecer Laura Avellaneda, mulher de 24 anos, sua nova funcionária. O encontro é cheio de exitações por parte de Santomé, homem seco e atormentado pela idade e implicações desta na relação com Avellaneda. Essa história de amor, trégua em uma vida obscura, vinga até que algo acontece, antes da confirmação total da união.

Santomé registra tudo no seu diário, forma em que o livro é escrito. Diário que se encerra no último dia de trabalho do personagem.

O Uruguai com o peso da estagnação e do comodismo é o pano de fundo da trama. As reflexões de Santomé sobre isso proporcionam passagens notáveis, o que exemplifica uma característica marcante da narrativa, seu humor melancólico.

Trechos

“A segurança de saber-me capaz de algo melhor colocou-me nas mãos o adiamento, que no fim das contas é uma arma terrível e suicida”.

“Aprendi a gostar desse monstro folclórico que é o Palácio Salvo. Não é por acaso que aparece em todos os postais para turistas. É quase uma representação do caráter nacional: rústico, insosso, exagerado, simpático. É tão, mas tão feio, que deixa a gente de bom humor”.

“Imagino que todo mundo sempre deve ter tido vontade de protegê-la. No entanto, não é tão indefesa, está bastante segura do que quer. Além disso, agrada-me que esteja segura. Tem certeza de que o trabalho a asfixia, de que nunca se suicidará de que o marxismo é um grave erro, de que eu gosto dela, de que a morte não é o fim de tudo, de que seus pais são magníficos de que Deus existe, de que as pessoas em quem confia nunca vão decepcioná-la. Eu não poderia ser assim tão categórico. Mas o melhor de tudo isso é que ela não se equivoca. Sua segurança lhe serve inclusive para espantar o destino”.

“Por isso sinto outra vez que o coração é uma coisa enorme que começa no estômago e termina na garganta”.

“Em algumas ocasiões, não posso captar as nuances que separam a inércia do desespero”.

Outros livros de Mario Benedetti editados no Brasil

A borra do café (Record)

Antologia poética (Record)

Correio do tempo (Alfaguara)

Gracias por el fuego (L&PM)

O amor, as mulheres e a vida (Verus)

Quem de nós (Record)

Mario Benedetti

Saraiva de Bolso e suas artes

Postado em Saraiva de Bolso, Vídeos em 29/10/2011 por Daniel

 

Toureiros

Postado em Poesia, Trechos em 29/10/2011 por Daniel

Alguns toureiros – João Cabral de Melo Neto

Eu vi Manolo Gonzáles
e Pepe Luís, de Sevilha:
precisão doce de flor,
graciosa, porém precisa.

Vi também Julio Aparício,
de Madrid, como Parrita:
ciência fácil de flor,
espontânea, porém estrita.

Vi Miguel Báez, Litri,
dos confins da Andaluzia,
que cultiva uma outra flor:
angustiosa de explosiva.

Litri, angustioso de explosivo

E também Antonio Ordóñez,
que cultiva flor antiga:
perfume de renda velha,
de flor em livro dormida.

Ordóñez, que cultiva flor antiga

Mas eu vi Manuel Rodríguez,
Manolete, o mais deserto,
o toureiro mais agudo,
mais mineral e desperto,

o de nervos de madeira,
de punhos secos de fibra
o da figura de lenha
lenha seca de caatinga,

Manolete, o mais asceta

o que melhor calculava
o fluido aceiro da vida,
o que com mais precisão
roçava a morte em sua fímbria,

o que à tragédia deu número,
à vertigem, geometria
decimais à emoção
e ao susto, peso e medida,

sim, eu vi Manuel Rodríguez,
Manolete, o mais asceta,
não só cultivar sua flor
mas demonstrar aos poetas:

como domar a explosão
com mão serena e contida,
sem deixar que se derrame
a flor que traz escondida,

e como, então, trabalhá-la
com mão certa, pouca e extrema:
sem perfumar sua flor,
sem poetizar seu poema

A volta de um clássico do pensamento brasileiro

Postado em Ciências humanas, Lançamentos, Trechos em 27/10/2011 por Daniel

A editora Fundação Perseu Abramo acaba de reeditar um dos maiores estudos sobre o período colonial brasileiro, O escravismo colonial, de Jacob Gorender. 

Obra de um brasileiro notável tanto por sua trajetória intelectual quanto pela militância política desde a primeira metade do século XX, o livro ganha a 5ª edição após vários anos esgotado (sua primeira impressão foi no final dos anos 70).

Exemplo da melhor tradição marxista produzida pelo País, Gorender reconstrói o que foi o escravismo colonial como modo de produção no Brasil e como ele se encaixou no sistema mercantil mundial abordando seus fundamentos e relações longe da tradição ideológica baseada em Gilberto Freyre.

Um livro que exige empenho, mas que ainda vale integralmente.

Trecho: “O estudo de uma formação social deve começar pelo estudo do modo de produção que lhe serve de base material. As formações sociais podem conter um único modo, o que lhes atribuirá homogeneidade estrutural. Podem conter, no entanto, vários modos, dos quais o dominante determinará o caráter geral da formação social. Comumente, os próprios modos de produção não são puros, mas encerram categorias insuficientemente desenvolvidas ou decadentes, que representam embriões ou sobrevivências de modos de produção diferentes”.

Um caminho trilhado pela esquerda

Postado em Ciências humanas, Livreiro em 14/09/2011 por Daniel

Ivana Jinkings, editora da Boitempo

(Originalmente publicado na revista Almanaque Saraiva de setembro de 2011)

Por Felipe Candido

A Boitempo Editorial se destaca no mercado nacional com foco no pensamento teórico de esquerda

Uma das editoras mais importantes no meio acadêmico do país, a Boitempo Editorial, fundada em 1995, afirma cada vez mais seu prestígio, focando suas publicações em grandes títulos e autores do pensamento crítico. Ivana Jinkings, editora da empresa e responsável por sua fundação, carrega a tradição de uma família de livreiros e pensadores, e faz com que a herança marxista mantenha seu lugar de destaque no mercado de livros no Brasil.

Desde muito cedo, Ivana esteve cercada por livros, por influência de seu pai. “Após perder o emprego, ser preso e ter os direitos políticos cassados pelo golpe militar, meu pai, Raimundo Jinkings, buscou nos livros uma alternativa para sustentar os filhos. Ele e minha mãe compravam livros por reembolso postal numa época em que Belém carecia de livrarias, e assim mantinham contato próximo com editoras dos grandes centros. Sabendo do que lhe havia acontecido, alguns editores propuseram que ele se tornasse representante na cidade, dando assim o pontapé inicial ao que viria a se tornar depois a Livraria Jinkings, que fechou as portas em 2010, mas durante quarenta anos foi uma das mais importantes do Norte-Nordeste”, conta Ivana.

 

Slavoj Zizek, filósofo esloveno editado pela Boitempo

 

O início

Quando Ivana saiu de Belém rumo a São Paulo, iniciou sua carreira como revisora em algumas editoras e, mais tarde, foi jornalista. Porém nunca perdeu a vontade de criar sua própria empresa. “Em 1994 criei coragem de largar tudo e, com um pequeno capital oriundo do meu FGTS e de alguma ajuda familiar, lancei o primeiro livro, Napoleão, de Stendhal”. Nascia a Boitempo Editorial.

A inspiração para o nome da nova editora veio de um poema de Carlos Drummond de Andrade, e também foi uma homenagem às memórias de infância de Ivana. “Era o nome de uma editora fundada em Belém, em plena ditadura militar, por meu pai e Carlos Sampaio, ambos comunistas. Teve vida curta a primeira Boitempo, pois os livros, mal saíam da gráfica, eram apreendidos pelos militares”. A nova Boitempo mantém o mesmo pensamento da original. “A editora já nasceu com uma tendência à esquerda, principalmente pela formação que tive. Inicialmente planejei mais espaço para a ficção, que foi em parte ‘solapado’ pelas urgências teóricas do pensamento crítico”, afirma Ivana. Dessa forma vieram as publicações de grandes autores clássicos como Marx, bem como autores contemporâneos como Maria Rita Kehl e Slavoj Zizek.

Grundrisse, obra de Marx lançada em 2011

 Uma referência editorial

Por se especializar em uma determinada linha de pensamento e por manter alto nível editorial em suas publicações, a Boitempo se tornou um referencial, em especial no meio acadêmico. “Nosso público é composto principalmente por escritores, pesquisadores, professores, estudantes. Para o tipo de obras que publicamos o reconhecimento da academia e do público especializado é fundamental”, diz Ivana.

O reconhecimento se deve principalmente ao lançamento de títulos até então inéditos no Brasil, ou então sem edições há muitos anos. Uma recente publicação da editora foi o título Grundrisse, de Marx. Outras publicações como essa estão nos planos da editora. “Acabamos de lançar uma nova edição das Memórias, do ícone da resistência à ditadura militar, Gregório Bezerra. Além disso, iniciamos uma empreitada editorial e intelectual de peso: a tradução completa de O capital, pela primeira vez a partir do projeto alemão MEGA-2, com tradução de Rubens Enderle e supervisão editorial de Jorge Grespan, conta a editora. Para o futuro, Ivana Jinkings deseja continuar a seguir o caminho que sempre trilhou. “Seguiremos em linha reta, sem atalhos, sem abrir mão de princípios, ou da qualidade, para assim manter um público que nos é fiel e formar novos leitores. A cultura não se improvisa. Como bem disse Monteiro Lobato, ‘um país se faz com homens e livros’”, finaliza.

Títulos originais de livros famosos

Postado em Conectado, Listas, Livreiro em 07/09/2011 por Daniel

Aqui republicamos uma seleção de 11 livros célebres e de seus improváveis títulos originais. A fonte é o blog da livraria portuguesa Pó dos Livros. http://livrariapodoslivros.blogspot.com/

Título original: First Impressions
Título final: Pride and Prejudice (1813)
Título em português: Orgulho e Preconceito
Autor: Jane Austen

Título original: Alice’s Adventures Underground
Título final: Alice’s Adventures In Wonderland (1865)
Título em português: Alice no País das Maravilhas
Autor: Lewis Carroll

Título original: All’s Well That Ends Well (tradução do russo)
Título final: War and Peace (1866)
Título em português: Guerra e Paz
Autor: Leon Tolstoi

Título original: The Sea-Cook
Título final: Treasure Island (1883)
Título em português: A Ilha do Tesouro
Autor: Robert Louis Stevenson

Título original: The Chronic Argonauts
Título final: The Time Machine (1895)
Título em português: A Máquina do Tempo
Autor: H. G. Wells 

Título original: Stephen Hero
Título final: A Portrait of The Artist as a Young Man (1916)
Título em português: Retrato do Artista Quanto Jovem
Autor: James Joyce

Título original: Tenderness
Título final: Lady Chatterley’s Lover (1928)
Título em português: O Amante de Lady Chatterley
Autor: D. H. Lawrence

Título original: Catch-18
Título final: Catch-22 (1961)
Autor: Joseph Heller

Título original: The Summer of The Shark; Also The Terror of The Monster and The Jaws of The Leviathan
Título final: Jaws (1974)
Título em português: Tubarão
Autor: Peter Benchley

Título original: Before This Anger
Título final: Roots: The Saga of an American Family (1976)
Título em português: Raízes
Autor: Alex Haley

Título original: Harry Potter and The Doomspell Tournament
Título final: Harry Potter and The Goble of Fire (2000)
Título em português: Harry Potter e o Cálice de Fogo
Autor: J. K. Rowling

Três cidades em cores

Postado em Literatura infantojuvenil, Lugares e viagens em 07/09/2011 por Daniel

A Cosac Naify lançou três belos livros sobre três cidades notáveis: Paris, Nova York e Roma. Ilustrados e escritos entre o final da década de 50 e o início dos anos 60 pelo tcheco Miroslav Sasek, esses títulos, originalmente destinados às crianças, são capazes de agradar também os adultos.

Os livros, grandes, coloridos e em capa dura, abordam os principais pontos turísticos e os traços cotidianos que distinguem cada uma das metrópoles.

Saraiva resgata a juventude dos clássicos

Postado em Exclusivo, Lançamentos, Saraiva de Bolso em 06/09/2011 por Daniel

(Originalmente publicado na revista Almanaque Saraiva de setembro de 2011)

Neste mês, a Livraria Saraiva e a Nova Fronteira lançam a Coleção Saraiva de Bolso, iniciativa que dá prosseguimento à parceria da Saraiva com editoras – trabalho que reflete um compromisso com a difusão de livros clássicos e contemporâneos para o maior número de leitores. Antecipada por ações como a Biblioteca Saraiva e o Vira-Vira Saraiva, agora a Livraria apresenta uma proposta cujo centro é uma nova coleção de pocket books.

Baseada no tripé portabilidade-variedade-preço a Livraria Saraiva materializa seu objetivo – a construção de leitores – e, nesse sentido, extrapola a própria fronteira do livro tradicional ao lançar as obras também em formato digital.

Para Marcílio Pousada, presidente da Livraria Saraiva, “a Saraiva de Bolso vai ao encontro de uma ideia antiga da Livraria Saraiva de proporcionar aos nossos clientes a possibilidade de aquisição de obras clássicas a um preço acessível, tanto no meio físico como no digital. O acervo disponibilizado pela Nova Fronteira é um verdadeiro presente para todos os nossos clientes e o modelo de negócio vai permitir que outras editoras possam fazer parte desse projeto no futuro”.

Jorge Carneiro, presidente das Empresas Ediouro Publicações ressalta que “recentemente, as Empresas Ediouro reafirmaram a força da marca Nova Fronteira reunindo, sob este selo, o conjunto das obras e dos autores editados em mais de 70 anos dedicados ao livro. No entanto, um livro só cumpre seu papel se encontra o seu leitor, e é a feliz repetição deste encontro no tempo que constrói a carreira das grandes obras clássicas. Tal percurso só é possível com o trabalho de parceiros com essa visão estratégica de mercado: o compromisso de formar e renovar leitores, apresentando produtos com qualidade e preço adequados. A Livraria Saraiva ocupa esse lugar de destaque no nosso cenário e nos honra com a parceria que resulta na belíssima coleção Saraiva de Bolso”.

O universo no bolso

Com apuro editorial e gráfico, textos integrais, qualidade nas traduções e uma seleção ampla de títulos, a Coleção Saraiva de Bolso reúne o melhor da literatura clássica e moderna ao publicar as obras dos principais escritores brasileiros e estrangeiros que tanto influenciam o nosso jeito de pensar.

Ficção, poesia, teatro, ciências humanas, literatura infantojuvenil, entre outros textos, estão contemplados numa espécie de biblioteca básica recomendável a todo leitor, jovem ou experimentado.

O primeiro lote traz 40 títulos de autores como Machado de Assis, William Shakespeare, Agatha Christie, Fernando Pessoa, Nelson Rodrigues, Friedrich Nietzsche e Jane Austen, entre outros.

Já no time de tradutores há nomes como Clarice Lispector, Carlos Alberto Nunes e Ivo Barroso. Além disso, várias obras contam com prefácios ou introduções de ensaístas como Otto Maria Carpeaux e Lygia Fagundes Telles.

O que vem por aí e editoras parceiras

A partir de outubro saem 15 títulos por mês. Livros como A metamorfose e O processo, de Franz Kafka, e um clássico de um dos maiores historiadores vivos, Eric Hobsbawm, Nações e nacionalismo – desde 1780, já estão no forno.

Partindo do extraordinário patrimônio editorial da Nova Fronteira, a coleção é contemplada, já em seu primeiro lote, por dois títulos que são frutos de outras parcerias que endossam o projeto. A Almedina, grupo editorial português com inúmeras obras referenciais, contribui com a tradução de O anticristo, de Friedrich Nietzsche; a Paz e Terra, tradicional casa de ciências humanas, com a de O Manifesto Comunista, de Karl Marx e Friedrich Engels.

O traço do artista

A cara da Saraiva de Bolso é dada pelo colorido das capas e pelo talento ímpar do desenhista carioca Cássio Loredano que com seu notável traço interpreta cada autor. Loredano é um artista consagrado por seu trabalho, a arte da caricatura, mas entusiasmou-se com a proposta da coleção e decidiu ilustrar todas as capas, redesenhando personagens ou criando novos desenhos.

Acessibilidade e meio ambiente

Atributo essencial da coleção, a acessibilidade não se justifica apenas pelas características físicas do livro de bolso, essa antiga invenção, mas também pelo fato de que 90% do catálogo está disponível simultaneamente no formato digital e com preços 30% mais baratos que a edição em papel.

Outra preocupação do projeto foi idealizar um produto ambientalmente responsável. Por isso, foi firmado acordo com a International Paper, empresa que fornece o papel certificado Chambril Avena, papel que proporciona maior conforto visual durante a leitura.

Linha de produtos e Clube do Livro

A Coleção Saraiva de Bolso nasceu como um projeto expansível a diversos formatos e plataformas. Além do conteúdo digital, já no seu início traz uma linha exclusiva de produtos com a mesma identidade visual dos livros: são vários modelos de cadernetas e eco-bags também ilustrados por Cássio Loredano.

Por fim, outra novidade: em breve os títulos da coleção serão tema do Clube do Livro Saraiva nas lojas. (Daniel Louzada)

 Confira a relação completa dos 40 primeiros títulos a seguir.

Artifícios de Funes

Postado em Autores, Conectado, Literatura argentina, Trechos em 24/08/2011 por Daniel

Assim como já fez com outros autores, hoje o Google homenageou Jorge Luis Borges. Para marcar os 112 anos de nascimento do argentino, o site aplicou, onde tradicionalmente vai o logo na página principal, uma ilustração inspirada em dois de seus escritos referenciais: “A Biblioteca de Babel” e ”O jardim dos caminhos que se bifurcam”.

A menção alude ao universo Google. Outras, fantasmagóricas e menos elogiosas, também poderiam ser levantadas. Mas dispensemos a amargura; recorra-se a Borges de novo. 

Uma ficção espetacular sua é “Funes, o memorioso”: Irineu Funes, após um acidente, passa a lembrar de cada mínimo detalhe de cada instante, sua memória torna-se assombrosa. Essa capacidade não gera conhecimento, no entanto; Funes não é capaz de relacionar e entender o que lembra.

Não se tem notícia de que Funes cobrasse por suas lembranças sem conhecimento.

3 em 1 Este Livro

“Disse-me que antes daquela tarde chuvosa em que o derrubou o azulego ele fora o que são todos os cristãos: um cego, um surdo, um abobado, um desmemoriado. (..) Dezenove anos havia vivido como quem sonha: olhava sem ver, ouvia sem ouvir, esquecia-se de tudo, de quase tudo. Ao cair, perdeu o conhecimento; quando o recobrou, o presente era quase intolerável de tão rico e tão nítido, e também as memórias mais antigas e mais triviais. Pouco depois, constatou que estava aleijado. O fato apenas lhe interessou. Pensou (sentiu) que a imobilidade era um preço mínimo. Agora sua percepção e sua memória eram infalíveis. (…) Disse-me: ´Mais recordações tenho eu sozinho que as que tiveram todos os homens desde que o mundo é mundo`”.

(Ficções - Jorge Luis Borges – Globo)

“Não há por que lamentar que a exuberância de dados e a mistura de linguagens tenham feito ruir uma ordem ou um solo comum que era para poucos. O risco está em que a viagem digital errática seja tão absorvente que leva a confundir a profusão com a realidade, a dispersão com o fim do poder, e que a admiração impeça que se renove o assombro como caminho para um outro conhecimento”.

(Leitores, espectadores e internautas - Néstor García Canclini – Iluminuras)

“E, antes que um contemporâneo chegue a abrir um livro, caiu sobre seus olhos um tão denso turbilhão de letras cambiantes, coloridas, conflitantes, que as chances de sua penetração na arcaica quietude do livro se tornaram mínimas. Nuvens de gafanhotos de escritura, que hoje já obscurecem o céu do pretenso espírito para os habitantes das grandes cidades, se tornarão mais densas a cada ano seguinte. Outras exigências da vida dos negócios levam mais além”.

(Rua de mão única – Walter Benjamin – Brasiliense)

Poetas em concerto

Postado em Poesia, Trechos, Vídeos em 13/08/2011 por Daniel

 

Vira-Vira Saraiva: para todos e a preços baixos

Postado em Exclusivo, Lançamentos, Literatura de entretenimento, Vira-Vira Saraiva em 13/08/2011 por Daniel

 

À epoca de seu lançamento, já falamos aqui do Vira-Vira Saraiva, uma parceria entre a Livraria Saraiva e a editora Best Seller. Hoje, quase um ano depois, a seleção reúne 45 livros.

Relembrando, a idéia do Vira-Vira é simples: são 2 títulos reunidos em apenas 1 volume: de um lado vai um título; vira-se e, do outro, há outro título do mesmo autor.

Os textos são integrais e a vantagem é que livros de catálogo cujas edições normais custam até R$ 80,00 quando somadas vêm agora pelo preço único de R$ 19,90.

Mas seu mérito não se resume ao preço. A seleção contempla opções para todos os leitores. Há autores de romances de grande sucesso comercial como Sidney Sheldon, Nora Roberts, Danielle Steel e Robin Cook, expoentes da autoajuda como Deepak Chopra, Louise Hay e Richard Bach, clássicos brasileiros como Graciliano Ramos e Carlos Drummond de Andrade, contemporâneos como Cristovão Tezza e Lya Luft e até preciosidades como as obras de Julio Cortázar.

Confira, a seguir, a relação completa dos livros já lançados.

Anjo da guarda + Entrega especial – Danielle Steel

As areias do tempo + Juízo final - Sidney Sheldon

Assassinato no campo de golfe + Poirot investiga - Agatha Christie

Assombrado + Crepúsculo – Meg Cabot

A terra das sombras + Arcano nove – Meg Cabot

O buraco da agulha + Na toca do leão – Ken Follet

O carrossel + O dia da tempestade - Rosamunde Pilcher

O cirurgião + O pecador – Tess Gerritsen

Contágio + Toxina – Robin Cook

Conte-me seus sonhos + O céu está caindo - Sidney Sheldon

O diário da princesa + Princesa sob os refletores – Meg Cabot

O diário de Anne Frank + Contos do esconderijo - Anne Frank

O dossiê Odessa + O dia do chacal – Frederick Forsyth

Um encontro inesperado + O fim do verão – Rosamunde Pilcher

Fernão Capelo Gaivota + Fugindo do ninho – Richard Bach

O filho eterno + Trapo – Cristovão Tezza

A força + As dez leis da realização – Ian Mecler

A garota americana + Quase pronta – Meg Cabot

Gossip girl 1 + Gossip girl 2 – Cecily von Ziegesar

Gossip girl 3 + Gossip girl 4 – Cecily von Ziegesar

O homem que calculava + Melhores contos - Malba Tahan

O homem que ouve cavalos + Violência não é a resposta – Monthy Roberts

Se houver amanhã + Nada dura para sempre - Sidney Sheldon

Limites sem trauma + Educar sem culpa - Tânia Zagury

O misterioso caso de Styles + O caso do Hotel Bertram - Agatha Christie

Nudez mortal + Glória mortal - Nora Roberts

Pecados sagrados + Doce vingança – Nora Roberts

Perdas e ganhos + Pensar é transgredir - Lya Luft

Pergunte ao pó + Espere a primavera, Bandini – John Fante

O plano perfeito + Manhã, tarde e noite - Sidney Sheldon

O poder do subconsciente + Orar é a solução – Joseph Murphy

O primeiro ano + Os limites da lei – Scott Turrow

Princesa apaixonada + Princesa à espera – Meg Cabot

Reunião + A hora mais sombria – Meg Cabot

A rosa do povo + Claro Enigma – Carlos Drummond de Andrade

São Bernardo + Caetés - Graciliano Ramos

Segredos do passado + Mergulho no escuro – Danielle Steel

As sete leis espirituais do sucesso + Criando prosperidade – Deepak Chopra

Sidarta + Demian - Herman Hesse

O silêncio dos amantes + Múltila escolha – Lya Luft

A terra das sombras + O arcano nove - Meg Cabot

Tesouro secreto + Virtude indecente - Nora Roberts

Todos os fogos o fogo + As armas secretas – Julio Cortázar

O velho e o mar + As neves do Kilimanjaro - Ernest Hemingway

Você pode curar sua vida + Cure seu corpo – Louise Hay

Yoga para nervosos + Mergulho na paz – Hermógenes

 

Tragédia em 3 atos

Postado em Ciências humanas, Lançamentos em 02/08/2011 por Daniel

O Terceiro Reich no poder, obra com mais de mil páginas do historiador inglês Richard Evans, sai esse mês pela Planeta. O livro promete ser um retrato bastante amplo do regime nazista entre 1933 e 1939, portanto do período imediatamente pré-Segunda Guerra. Trata-se do segundo volume de uma trilogia iniciada em 2010 com A chegada do Terceiro Reich, título que analisa os nazistas até a tomada do poder em 1933.

Este Livro indica: 5 livros para agosto

Postado em Lançamentos, Listas em 01/08/2011 por Daniel

O flâneur de Lisboa

Postado em Autores, Literatura portuguesa, Poesia, Trechos em 31/07/2011 por Daniel

Cesário Verde

No post anterior falamos da viagem de Federico Mayol. Uma das cidades que visita o personagem é Lisboa. Foi ela também matéria do português Cesário Verde (1855-1886) em um de seus mais conhecidos poemas, O sentimento dum ocidental. Abaixo, um trecho da obra desse poeta que morreu jovem e sem reconhecimento.

O teto fundo de oxigênio, d’ar,

Estende-se ao comprido, ao meio das trapeiras;

Vêm lágrimas de luz dos astros com olheiras,

Enleva-me a quimera azul de transmigrar.

.

Por baixo, que portões! Que arruamentos!

Um parafuso cai nas lajes, às escuras:

Colocam-se taipais, rangem as fechaduras,

E os olhos dum caleche espantam-me, sangrentos.

.

E eu sigo, como as linhas de uma pauta

A dupla correnteza augusta das fachadas;

Pois sobem, no silêncio, infaustas e trinadas,

As notas pastoris de uma longínqua flauta.

Edição de 2010 da Ateliê

Excepcional capacidade para afundar

Postado em Autores, Literatura espanhola, Lugares e viagens, Trechos em 30/07/2011 por Daniel

Às vezes acontece ao leitor. Às vezes, já desde o primeiro parágrafo, acontece do leitor perceber que entrou em território movediço. Essa é a sensação estranha e poderosa que provoca o universo das narrativas do espanhol Enrique Vila-Matas, um dos grandes escritores contemporâneos.

A viagem vertical foi o primeiro título de Vila-Matas lançado no Brasil pela Cosac Naify. Trama engenhosa e fabular em que ótimos personagens desfiam suas maneiras peculiares de ver (ou narrar) o mundo, trata-se de excelente passo de entrada na obra do autor.

O livro descreve o percurso trágico e algo cômico de Federico Mayol. Certa tarde, no dia seguinte às suas bodas de ouro, Mayol é surpreendido pela mulher: ela pede que ele vá embora de casa, que a deixe porque não sabe quem é em razão de ter passado a vida inteira a sua sombra.

O fato detona a odisséia pessoal de Mayol. Desencontrado, questiona-se sobre quem é e tem a urgente necessidade de ser outro. Esse sentimento é reforçado pela descoberta de que o filho mais velho, herdeiro e continuador de seu grande  orgulho, a Seguros Mayol, também vive profunda crise interior.

Abalado nos dois fundamentos de vida que o auto-identificavam, o catalão Federico Mayol está perdido aos 77 anos. A solução que encontra é viajar, sair de Barcelona. Parte, então, sem saber bem para onde e para que. Vai à Portugal, ao Porto, depois à Lisboa, em seguida à ilha da Madeira, ao mar, ao Atlântico. Sempre abaixo, em direção ao sul, verticalmente.

Um homem em confronto com sua história e frustrações pessoais como a falta de cultura literária. Mayol viaja em busca de si mesmo através do outro ou pela solidão essencial que a todos habita. Um velho, no fim, precisando recomeçar, ir ao fundo.

Trecho  “Ao pensar tantas coisas, Mayol oscilava entre duas realidades contrapostas: o desespero e a alegria. Sabia que era mortal e isso, somado à injusta atitude de sua mulher, lhe causava desespero. Mas, por outro lado, sabia que triunfara sobre a morte, porque poderia perfeitamente já estar morto e no entanto vivia, o que lhe alegrava e o levara até a inventar para si uma Dulcinéia. Essa luta entre desespero e alegria constituía o núcleo principal da vida de Mayol”.

Enrique Vila-Matas

Sobre o autor  Enrique Vila-Matas nasceu em Barcelona em 1948. Estreou na ficção na década de 70 e desde então publicou vários livros. Veja, a seguir, outros títulos lançados no Brasil pela Cosac Naify.

Bartleby e Companhia

O Mal de Montano

Paris não tem fim

Suicídios exemplares

Doutor Pasavento

História abreviada da literatura portátil

Dublinesca

Fogo, de Anaïs Nin

Postado em Biografia, Lançamentos, Literatura erótica, Literatura francesa em 12/05/2011 por Daniel

Anaïs Nin, clássica autora da literatura erótica do século XX, é novamente editada pela L&PM em edição de bolso. “Fogo – Diários não-expurgados 1934-1937″ chegará nas livrarias por R$ 24,00. Confira a sinopse da editora a seguir.

“Fogo é o terceiro volume dos diários não expurgados de Anaïs Nin, a continuação das revelações iniciais em Henry & June e Incesto  - a história da busca de uma mulher que anseia por se descobrir e se libertar sexual, artística e emocionalmente. Cobrindo os anos de 1934 a 1937, a autora abre neste volume o relato sobre um novo capítulo em sua vida: a estadia em Nova York. Ao se refugiar na América, Anaïs estava escapando do seu casamento com Hugh Guiler e de seu envolvimento amoroso com o escritor Henry Miller para ficar perto do analista Otto Ranck, um de seus amantes – mas essa fuga não duraria muito tempo, e ela retorna a Paris, para Hugh e Henry. Mesmo voltando para casa, pesa sobre ela a sombra da insatisfação, da incompletude. A cura para esse desencanto vai ser o peruano Gonzalo Moré. “Meu sangue ouve espanhol”, confessa Anaïs.

Anaïs Nin começou seus diários em 1931, a partir do envolvimento amoroso com Henry Miller, e continuou escrevendo até sua morte, em 1977. Sua escrita ao longo dos anos é um dos registros mais extraordinários e minuciosos do fluxo de sentimentos femininos. Sua escrita sem amarras e a prosa envolvente fazem o leitor acompanhar a autora em suas desilusões, medos e descobertas”.

Títulos de livros que Este Livro gosta – Parte 2

Postado em Listas em 11/05/2011 por Daniel

Nossa segunda seleção também reúne livros de ficção e não-ficção antigos, desta década e ainda não lançados no Brasil.

*Não estão em ordem de preferência.

Faça também a sua e envie!

  • O assassinato do perdedor – Camilo José Cela (Bertrand)
  • O coração é um caçador solitário – Carson Mccullers (Companhia das Letras)
  • Coração das trevas – Joseph Conrad (Várias)
  • Vida, amor, medo, tempos líquidos – Zygmunt Bauman (Zahar)
  • Suave é a noite – F. Scott Fitzgerald (BestBolso)
  • Catatau – Paulo Leminski (Iluminuras)
  • As flores do mal – Charles Baudelaire (Várias)
  • Uma sombra logo serás – Osvaldo Soriano (Relume Dumará)
  • Não me abandone jamais – Kazuo Ishiguro (Companhia das Letras)       
  • A balada do café triste – Carson Mccullers (José Olympio)
  • Nada mais foi dito nem perguntado –Luiz Carvalho Filho (34)
  • O amor e outros objetos pontiagudos – Marçal Aquino (Geração)
  • Felicidade clandestina – Clarice Lispector (Rocco)
  • Para alívio dos impulsos insuportáveis – Nathan Englander (Rocco)
  • Educação de um bandido – Edward Bunker (Barracuda)
  • O massagista místico – V.S. Naipaul (Companhia das Letras)
  • Caprichos & relaxos – Paulo Leminski (Brasiliense)
  • O tradutor cleptomaníaco – Deszö Kosztolányi (34)
  • Intérprete de males – Jumpha Lahiri (Companhia das Letras)
  • Certeza do agora / Ignorância do sempre / Sabedoria do nunca – Juliano Garcia Pessanha (Ateliê)

Literatura de cordel

Postado em Literatura de cordel, Poesia em 11/05/2011 por Daniel

Por Luciana Rede

Muitas editoras têm investido  na publicação da literatura de cordel e também em livros que falam sobre o assunto. Comum no nordeste do Brasil, e bem menos em outras regiões, cada vez mais esse gênero é estudado em universidades e admirado pelos leitores.

Definição

A literatura de cordel é um tipo de poema popular, originalmente oral e depois impresso em folhetos rústicos. Esses folhetos eram expostos para venda pendurados em cordas (ou cordéis), o que deu origem ao nome em Portugal.

No nordeste do Brasil o nome foi herdado (embora a maioria chame essa manifestação de folheto), mas a tradição do barbante não vingou tanto. Ou seja, o folheto brasileiro pode ou não estar exposto em barbantes.                                                                                                      

Os cordéis são escritos em forma rimada e alguns ilustrados com xilogravuras, o mesmo estilo de gravura usado nas capas. As estrofes mais comuns são as de dez, oito ou seis versos. Os autores, ou cordelistas, recitam esses versos de forma melodiosa e cadenciada, acompanhados de viola, e também fazem leituras ou declamações muito animadas para conquistar os possíveis compradores.

História

A história da literatura de cordel começa com o romanceiro luso-holandês do Renascimento. Inicialmente os cordéis também continham peças de teatro como as de Gil Vicente (1465-1536).

Foram os portugueses que introduziram o cordel no Brasil desde o início da colonização. Na segunda metade do século XIX começaram as impressões de folhetos brasileiros com características próprias.

Temas

Os temas incluem fatos do cotidiano, episódios históricos, lendas, temas religiosos, entre muitos outros. As façanhas do cangaceiro Lampião (Virgulino Ferreira da Silva - 1900-1938) e o suicídio do presidente Getúlio Vargas (1883-1954) foram alguns dos assuntos de cordel que tiveram maior tiragem no passado.

Não há limite para a criação de temas dos folhetos. Praticamente todo e qualquer assunto pode virar cordel nas mãos de um poeta competente.

Xilogravura

É a técnica de gravura na qual se utiliza madeira como matriz e que possibilita a reprodução da imagem gravada sobre papel ou outro suporte adequado. É um processo muito parecido com um carimbo. 

Entalha-se na madeira, com ajuda de instrumento cortante, a figura ou forma (matriz) que se pretende imprimir. Em seguida usa-se um rolo de borracha embebecido em tinta para tocar só as partes elevadas do entalhe. O final do processo é a impressão em alto relevo em papel ou pano especial, que fica impregnado com a tinta, revelando a figura.

Indicações

Breve história da literatura de cordel – Marco Haurelio (Claridade)

Cordel em arte e versos – Moreira de Acopiara (Acatu)

Imbolê (cd + 12 livretos de literatura de cordel) – Beto Brito (Tratore)

Xilogravura popular na literatura de cordel - Jeová Franklin (LGE)

Patativa do Assaré - coleção Biblioteca de Cordel (Hedra)

Zé Melancia - coleção Biblioteca de Cordel (Hedra)

Manoel Caboclo - coleção Biblioteca de Cordel (Hedra)

Cena do crime: literatura policial

Postado em Cinema, Literatura policial em 09/05/2011 por Daniel

 

Lisbeth Salander, personagem da trilogia policial de Stieg Larsson, em filme sueco

Por Luciana Rede

Muitos torcem o nariz quando o assunto é literatura policial. A verdade é que os livros policiais são uma delícia de ler e também uma porta de entrada para quem está iniciando no mundo da leitura.

Muitos estilos

Os especialistas consideram o conto A carta roubada (1844), do escritor norte-americano Edgar Allan Poe (1809-1849), como o marco fundador da literatura policial.

Em geral, os romances policiais trazem a mesma receita: um crime no início da narrativa, a investigação no meio e o desfecho trazendo o culpado que nem sempre é o mordomo.

É muito comum o autor escrever vários ou até dezenas de livros com o mesmo personagem, fazendo com que o leitor o acompanhe por muito tempo.

Capa antiga de Cozinheiros demais, do norte-americano Rex Stout

Tradicional

As narrativas trazem crimes limpos (sem sangue). A investigação é feita por um policial, detetive ou amador interessado. Todas as pistas são registradas pelos leitores. Os investigadores são sagazes e farejam as pistas e falcatruas praticamente no ar. Os cenários geralmente são vilas, condomínios ou mansões. Um filme que ilustra um policial com esses ingredientes é Assassinato em Gosford Park.

A receita do mordomo ou de alguém da casa como culpado foi imortalizada pelos livros de Agatha Christie (1890-1976), que traz dois personagens inesquecíveis: Miss Marple e Hercule Poirot.

A trama tradicional  também faz parte dos livros de Sir Arthur Conan Doyle (1859-1930) com seu Sherlock Holmes.

Autores: Mary Higgins Clark, Alexander Mccall Smith, George Simenon, Rex Stout e Andrea Camilleri.

O falcão maltês, clássico do cinema com Humphrey Bogart

Noir

O noir é um gênero cultuado por muitos.

O submundo escuro de grandes cidades entre as décadas de 20 e 40 é o cenário essencial para essas tramas envolvidas em névoa e personagens com passado misterioso e vida beirando o desespero.

Você lembra de alguma cena de noir consagrada? Veja algumas:

  • O chapéu velho do detetive que fuma cigarro barato enquanto descansa o pé na mesa de trabalho caótica.
  • A loira fatal prejudicada pelo ex-amante ou ex-marido. Vítima, coitada!
  • O andamento lento da narrativa, focado mais nas entrelinhas e menos nos diálogos.

O noir nasceu da linha pulp, uma espécie de mídia sensacionalista impressa em papel barato (em formato parecido com o nosso cordel). Com o tempo, o valor do pulp começou a ser notado e o estilo interessou novos leitores e artistas modernos como Quentin Tarantino, diretor de Pulp Fiction, que é uma colagem de várias narrativas pulp.

E o pulp torna-se cult! Obras populares que atraem a simpatia de um público intelectualizado.

Autores de noir: Dashiell Hammett, Raymond Chandler, Chester Himes e James M. Cain.

Edição de bolso de Chester Himes

Hard-Boiled

São romances policiais que mantém as características do noir com a trama nos dias atuais. O mesmo submundo, a mesma loura fatal. Mas a tudo com uma violência maior.

Autores: Robert Crais, Walter Mosley e James Lee Burke.

Contemporâneo

Enredos que se utilizam de problemas da atualidade. Geralmente trazem psicopatas, terroristas, traficantes de drogas e redes de prostituição.

A maioria destes livros já são lançados com direitos de filmagem vendidos para o cinema.

Autores: Michael Connelly e George Pellecanos.

Psicológico

Atenta para as provas físicas e psicológicas do crime. Por seu estilo ser muito emprestado a thrillers, muitas vezes é confundido com o suspense. Entretanto, a rede de intrigas não existe e, geralmente, segue um andamento cronológico.

Autores: P.D. James, Patricia Highsmith e Ian Rankin.

Jo Nesbo, autor norueguês com grande sucesso na Europa

Brasileiros

Os autores brasileiros estão cada vez melhores. Muitos leitores gostam de ler obras que ambientam a trama em locais que conhecem.

Luiz Alfredo Garcia-Roza ambienta seus romances no Rio de Janeiro e o detetive Espinosa é imperdível. “O silêncio da chuva” é o primeiro.

Joaquim Nogueira traz o policial Venâncio e é ambientado em São Paulo.

Tony Bellotto tem a série Bellini que também foi filmada.

Rubem Fonseca é um autor clássico. Foi um dos primeiros brasileiros a escrever no estilo. É dele a série Mandrake.

Muito violentos

Obras que não poupam o leitor dos mínimos detalhes dos crimes e trazem em alguns casos cenas de autópsia. Contemporâneos, buscam veracidade cruel. Alguns de seus autores tiveram algum envolvimento com crimes reais.

Um exemplo dessa linha é o filme Sobre meninos e lobos, baseado na obra de Dennis Lehane.

Autores: Patricia Cornwell, Sara Paretsky e Lawrence Block.

Para a próxima

Outros autores contemporâneos bons de ser lidos (esses merecem uma atenção à parte, esperamos trazê-los aqui em breve) são: Henning Mankell, Jo Nesbo e Stieg Larsson.

Títulos de livros que Este Livro gosta – Parte 1

Postado em Listas em 07/05/2011 por Daniel

Nossa pequena e primeira seleção reúne livros de ficção e não-ficção antigos, desta década e ainda não lançados no Brasil.

*Não estão em ordem de preferência.

Faça também a sua e envie!

  • Pergunte ao pó – John Fante (José Olympio)
  • Refrão da fome – J. M. G. Le Clézio (Cosac Naify)
  • O afeto que se encerra – Paulo Francis (Francis)
  • Morte a crédito – Louis Ferdinand Céline (Nova Fronteira)
  • Em defesa das causas perdidas – Slavoj Zizek (Boitempo)
  • O que o dia deve à noite – Yasmina Khadra (Argumento)
  • Distraídos venceremos – Paulo Leminski (Brasiliense)
  • Uma temporada no inferno – Arthur Rimbaud (L&PM)
  • A educação pela pedra – João Cabral de Melo Neto (Alfaguara)
  • Claro enigma – Carlos Drummond de Andrade (Record)
  • Enquanto agonizo – William Faulkner (L&PM)
  • O desafio e o fardo do tempo histórico – Istvan Meszaros (Boitempo)
  • Todos os fogos o fogo – Julio Cortázar (Civilização Brasileira)
  • É difícil encontrar um homem bom – Flannery O’Connor (Arx)
  • Abraçado ao meu rancor – João Antônio (Cosac Naify)
  • Primeiro como tragédia, segundo como farsa – Slavoj Zizek (Boitempo)
  • A solidão dos números primos – Paolo Giordano (Rocco)
  • Deixe o quarto como está – Amilcar Bettega Barbosa (Companhia das Letras)
  • O inverno da nossa desconexão – Susan Maushart (Argumento)
  • No fundo de um sonho – James Gavin (Companhia das Letras)

Coquetéis de Hollywood

Postado em Cinema, Lançamentos em 06/05/2011 por Daniel

A editora Senac acaba de lançar um livro interessante: “Coquetéis de Hollywood”. A obra é uma espécie de guia de coquetéis clássicos que traz, além de receitas, a memória da era de ouro do cinema dos Estados Unidos. Cada coquetel – são mais de 50 – está vinculado a um filme e destes constam breves sinopses e diálogos.

A seguir, listamos nossas 10 escolhas; 10 coquetéis que aparecem em filmes.

  1. Dry Martini – Tudo pode acontecer (1935)
  2. Coquetel de Champanhe – Casablanca (1942)
  3. Rob Roy – Anjos da Broadway (1940)
  4. Rusty Nail – Farrapo humano (1945)
  5. Whiskey Sour – O pecado mora ao lado (1955)
  6. Black Russian – Ninotchka (1939)
  7. Hot Toddy – Gata em teto de zinco quente (1958)
  8. Screw Driver – A um passo da eternidade (1953)
  9. Mojito – Nosso homem em Havana (1959)
  10. Daiquiri – Uma aventura na Martinica (1944)

 

“Admito que já vi dias melhores, mas ainda valho mais que um coquetel e amendoim salgado”.

Margo, personagem de Bette Davis em A malvada, de 1952.

Woody Allen e Machado de Assis

Postado em Cinema, Ligações, Literatura brasileira em 06/05/2011 por Daniel

Woody Allen acaba de revelar, segundo o jornal inglês The Guardian, que “Memórias póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, é um de seus cinco livros preferidos.

- Eu fiquei chocado com o quão charmoso e interessante [o livro] era. Eu não conseguia acreditar que ele [Machado de Assis] viveu há tanto tempo. Você pensaria que ele escreveu o livro ontem. É tão moderno e interessante. Me chamou atenção da mesma forma que O apanhador no campo de centeio. Era um assunto que eu gostava e era tratado de forma bem-humorada, cheio de originalidade e sem sentimentalismo.

Os outros livros citados pelo cineasta são:

O apanhador no campo de centeio, de J.D. Salinger

Elia Kazan: a biography, de Richard Schickel

The world of S. J. Perelman, de S. J. Perelman

Really the Blues, de Mezz Mezzrow e Bernard Wolfe

Tragédia e glória de uma mulher comum

Postado em Biografia, Ciências, Lançamentos, Leituras em 21/02/2011 por Daniel

Por Daniel Louzada (originalmente publicado no Saraiva Conteúdo)

O livro que a Companhia das Letras lançará em março bem poderia pertencer à ficção ou, talvez, a um subgênero próximo, a ficção científica. A vida imortal de Henrietta Lacks, da jornalista Rebecca Skloot, no entanto, é a história real de uma pessoa como tantas que viveram no século XX; a história extraordinária de uma mulher comum.

1951. Henrietta Lacks, uma norte-americana negra e pobre, vai ao hospital Johns Hopkins na cidade de Baltimore, estado de Maryland, alegando sentir um “caroço” no útero, algo de que reclama há mais de um ano com parentes. Examinada pelo ginecologista, comprova ter um tumor cervical.

Lacks comparece ao Hopkins várias vezes nesse ano para submeter-se à radioterapia. O diagnóstico não é preciso, o que influi no tratamento recebido. Objeto de contínua negligência, em junho, apesar de seus sintomas, os médicos afirmam que ela está bem. Isso um mês antes de, no mesmo hospital, informarem que não há mais nada a fazer. Em 4 de outubro de 1951, Henrietta Lacks, invadida pelo câncer, morre. Aos 31 anos, deixa cinco filhos.

2011. Linhagem celular mais utilizada para pesquisa no mundo, se enfileiradas, as HeLa dão algo como três voltas em torno da Terra. A partir delas, boa parte das descobertas e experimentos científicos pôde ser realizada. A lista é longa. Incluam-se aí coisas tão diferentes quanto vacina contra a poliomielite, clonagem, mapeamento de genes, fertilização in vitro, desenvolvimento de remédios, testes de produtos e impacto da gravidade no homem.

Primeiras células ”imortais”, as HeLa caracterizam-se pela capacidade de sobrevivência e expansão ilimitada. Após décadas de tentativas em laboratório, uma vez colocadas num meio de cultura duplicam em 24 horas. HeLa foi o nome dado às células cancerígenas extraídas de Henrietta Lacks, sem seu conhecimento ou de seus familiares, naqueles dias no hospital Johns Hopkins.

Publicamente ignorada, a história que Skloot conta era desconhecida mesmo nos meios acadêmicos. Afinal, quem foi a mulher por trás das células? Em que contexto social tudo isso aconteceu? Quais as relações entre ciência e sociedade no período?

O panorama revelado é surpreendente. Embora se trate de assunto científico, com o consequente uso de terminologia médica, o que dá o tom da obra é uma espécie de biografia de Henrietta Lacks e de seus filhos, sobretudo. Isso configura o cenário das relações raciais nos Estados Unidos.

Os Lacks foram mais uma das famílias negras descendentes de escravos que cultivaram tabaco nos campos do estado da Virgínia. Pressionados pelas dificuldades econômicas, aos poucos quase todos se mudaram para centros industriais, inclusive Henrietta na década de 40. A trajetória dos Lacks foi similar a das outras famílias negras e pobres da época: aperto financeiro, muitos filhos e ocasional envolvimento de alguns membros com o crime.

Retirar a névoa da história das células HeLa foi também ir a fundo na relação com a família Lacks e a escritora revela o processo de construção do livro nessa perspectiva. Muitas vezes conflituosa, a interação com os filhos de Henrietta ganha relevo. Eles sempre se sentiram ludibriados pelos brancos, sem direito a conhecer o que aconteceu com as células da mãe e por isso foram refratários à aproximação de Skloot.

Somente em 1973 os filhos ouviram a história das células pela primeira vez e até mais ou menos essa data os cientistas envolvidos na extração do tecido de Henrietta Lacks atribuíram o nome HeLa a uma fictícia Helen Lane. A contradição entre a importância da mãe para a ciência e o fato de nenhum deles ter sequer um seguro-saúde corroborava a sensação de injustiça que perseguia os negros norte-americanos.

A autora relata, nesse sentido, episódios sobre a utilização de pobres e negros de enfermarias públicas, presídios e entidades psiquiátricas como cobaias de experiências científicas e procedimentos médicos não autorizados que expunham a infecções e à morte. Lembre-se que no século passado ainda havia forte segregação legalizada em vários estados do país.

Utilizar o que seria parte do corpo de um indivíduo sem seu consentimento para conduzir experimentos e, eventualmente, lucrar, é o principal tema do livro. Objeto de disputa jurídica nos Estados Unidos e com um crescente movimento de ativistas pelo direito dos pacientes à informação, o fato é que tecidos humanos já produziram bilhões de dólares e que os lucros resultantes foram apropriados, mas não por seus doadores, voluntários ou não.

Sentenças judiciais contrárias aos pacientes basearam-se na justificativa de que a prevalência da decisão individual criaria entraves à pesquisa científica, ao incentivo econômico para fazê-la que naturalmente existe sob o capitalismo. Argumento questionável já que o enfoque puramente mercantil também pode inibir o avanço da ciência.

O caso das patentes de genes ilustra bem o imbróglio: não se trata de bloquear o acesso a uma invenção, mas a um gene único que, por exemplo, provoca determinado tipo de câncer. Quem controla a propriedade desse gene controla todas as pesquisas, testes e novas terapias para o câncer a que ele se vincula. Ou seja, a distância entre viver e morrer resume-se a pagar o preço certo.

A vida imortal de Henrietta Lacks saiu em 2010 nos Estados Unidos. Agora em português, sua leitura será uma grande oportunidade para o público brasileiro refletir sobre as implicações do debate científico contemporâneo. A epígrafe escolhida por Rebecca Skloot, do escritor romeno de origem judaica Elie Wiesel, traduz o espírito da coisa: “Nenhuma pessoa deve ser encarada como uma abstração. Antes, é preciso enxergar em cada pessoa um universo com seus próprios segredos, com seus próprios tesouros, com suas próprias fontes de angústia e com certa dose de triunfo”.

O discurso do rei no cinema e nas livrarias

Postado em Ciências humanas, Cinema, Lançamentos, Vídeos em 08/02/2011 por Daniel

O discurso do rei, o filme, estréia em 11 de fevereiro. Forte candidato ao Oscar 2011, tem abocanhado vários prêmios.

“O discurso do rei”, o livro, já está disponível nas livrarias. A obra de Mark Logue e Peter Conradi saiu pela José Olympio.

A arte de andar nas ruas do Rio

Postado em Conto, Leituras, Literatura brasileira, Lugares e viagens em 31/01/2011 por Daniel

Augusto ou Epifânio, o que caminha pelas ruas do centro do Rio dia e noite, mora num sobrado na Sete de Setembro. Um velho prédio foi o lugar que escolheu para escrever “A arte de andar nas ruas do Rio de Janeiro” logo que ganhou na loteria e pediu demissão do emprego na companhia de águas.

O primeiro capítulo do livro será sobre a arte de andar no centro, então.

Andar o ajuda a pensar melhor, acha. Fora isso, gosta de ensinar putas a ler; já ensinou 28 em 15 dias. Insiste, ainda que a ênfase no magistério e não na cópula tenha lhe custado uma orelha, escorrida pela privada.

O conto de Rubem Fonseca faz parte de “Romance negro” e, salvo engano, só ficou disponível em outra edição quando a Agir distribuiu um livreto em que o acompanhava o ensaio fotográfico de Zeca Fonseca. Simpática edição.

“Augusto quer encontrar uma arte e uma filosofia peripatéticas que o ajudem a estabelecer uma melhor comunhão com a cidade”.

A solidão dos números primos

Postado em Leituras, Literatura italiana, Trechos, Vídeos em 31/01/2011 por Daniel

O romance de estreia do italiano Paolo Giordano narra a trajetória de dois personagens, Mattia e Alice, da infância à idade adulta. Seres solitários e com experiências traumáticas fundadoras, eles buscam existir num mundo que lhes parece hostil. Em contato a partir da adolescência, Alice e Mattia desenvolvem um afeto marcado pela incomunicabilidade e pela separação física em muitos períodos. No dizer de Mattia, eles são números primos ou um tipo ainda mais especial, primos gêmeos, muito próximos um do outro mas condenados a não se tocar.

A inadaptação dos personagens manifesta-se inclusive fisicamente. Se mais clara em Alice, uma jovem com problema em uma das pernas que tem sérios distúrbios alimentares, também é notável em Mattia, seja na sua reclusa postura corporal ou na prática de se machucar nas mãos.

Mais vigorosa do que a segunda, a primeira parte da narrativa coincide mais ou menos com a infância e a adolescência dos personagens. A sensação é de que o livro poderia ser mais curto, pois se estende um pouco da metade para o fim sem muito acrescentar ao universo ficcional. De qualquer forma, isso não tira os méritos dessa espécie de retrato de uma geração criada sob valores individualistas.

O livro de Paolo Giordano, que o publicou quando tinha 25 anos, é bem escrito, sensível e acessível. Por ele, o autor ganhou reconhecimento de público (vendeu mais de 1 milhão de exemplares na Itália e foi traduzido em mais de 20 países) e crítica (ganhou o prêmio italiano Strega, em 2009).

No Brasil, “A solidão dos números primos” foi publicado pela Rocco e, por alguma razão, não aconteceu comercialmente. Mas o título pode dialogar com muita gente e, se melhor divulgado, seria objeto de indicação contínua por quem o lesse. Fica aqui a nossa.

Trecho: “Olhou fixamente para a superfície negra e luzidia do rio. De novo, procurou lembrar-se do nome, mas ainda dessa vez não conseguiu. Afundou as mãos na terra fria. Na margem, a umidade a tornava mais macia. Encontrou ali um pedaço de garrafa, o resto cortante de alguma festa noturna. Quando o cravou na mão pela primeira vez, não sentiu dor, talvez nem o tenha percebido. Depois, começou a girá-lo na carne, para enfiá-lo mais fundo, sem tirar os olhos da água. Esperava que, de um momento para outro, Michela aflorasse à superfície e, nesse meio-tempo, perguntava-se por que certas coisas flutuam e algumas outras, ao contrário, afundam”.

Veja, a seguir, o trailer da adaptação para o cinema feita pelo italiano Saverio Costanzo com roteiro de Giordano.

Siglas: letras que usamos no mundo do livro

Postado em Livreiro, Primeiros passos em 26/01/2011 por Daniel

 

Quantas vezes nos deparamos com siglas que não conhecemos? Com muita freqüência, elas também aparecem em conversas entre leitores e em matérias de jornais e revistas relacionadas ao livro. E nem sempre seguidas de maiores explicações. Aqui vai a verdade por trás de sete das principais siglas do mundo livreiro!

ABL

Academia Brasileira de Letras. A maioria tem a idéia de que na ABL os “imortais” (como são chamados seus 40 membros) se reúnem só para tomar chá vestidos de fardão. A ABL, além de possuir uma editora especializada em estudos brasileiros, é responsável pelo cultivo do idioma e da literatura nacional, estudando a lexicologia e a ortografia da língua portuguesa. Localizada no centro do Rio de Janeiro e fundada em 1896 por Machado de Assis, seu primeiro presidente. www.abl.org.br

CBL

Câmara Brasileira do Livro. Com sede no bairro de Pinheiros, em São Paulo, é um órgão de apoio ao mundo livreiro. Presta assessorias diversas, emite fichas catalográficas (ver CIP), organiza a Bienal do Livro em SP e é responsável pelo Jabuti, um dos mais importantes prêmios literários do Brasil. Fundada em 1946, teve Jorge Saraiva como primeiro presidente. www.cbl.org.br

CIP

Catalogação Internacional de Publicação. São os dados padronizados que encontramos em todas as fichas catalográficas nos livros. É aquela ficha que geralmente encontramos atrás da folha de rosto e traz, entre outros, os dados de autor, editora, ano de publicação e número da edição.

FLIP

Festa Literária Internacional de Parati. Ocorre na cidade litorânea do Rio de Janeiro. Com início em 2003, já é considerado um dos festivais literários mais importantes pela qualidade e presença de grandes nomes da intelectualidade mundial. O jornal Financial Times publicou uma lista com os principais festivais literários do mundo e a FLIP foi o único mencionado fora do circuito de língua inglesa. www.flip.org.br

ISBN

International Standard Book Number (Número Padrão Internacional do Livro). É como se fosse o CPF do livro. Não existem dois iguais no mundo. Aqui ele é emitido pela Agência Brasileira do ISBN, localizada no segundo andar da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro. www.bn.br

LIBRE

Liga Brasileira de Editoras. Com sede em São Paulo, é um órgão que reúne editoras menores e organiza anualmente a “Primavera dos Livros”, feira que ocorre em SP e RJ para promover a bibliodiversidade e a venda de títulos com descontos. www.libre.org.br

SNEL

Sindicato Nacional dos Editores e Livreiros. Localizado no centro do Rio de Janeiro, é um órgão de apoio ao mundo livreiro. Presta assessorias diversas, organiza a Bienal do Livro do RJ e emite fichas catalográficas (ver CIP). Fundado em 1940. www.snel.org.br

Por que o Ipad não substituirá o jornal

Postado em Vídeos em 17/01/2011 por Daniel

Para os pequenos

Postado em Literatura infantojuvenil, Livreiro em 05/01/2011 por Daniel

Selecionamos 22 livros infantis referenciais da editora WMF como sugestão de leitura. Eles alcançam não apenas as crianças, mas também os adultos e são capazes de encantar e levar à reflexão. Destacamos, a seguir, alguns desses títulos.

Histórias de valor, de Kátia Canton, é ilustrado com pinturas e bordados e reconta histórias como a Bela e a Fera e também da tradição oral.

Wabi Sabi é um interessante relato oriental. Escrito por Mark Renstein traz a história de Wabi Sabi, uma gata de Quioto (Japão) que tenta descobrir qual é o significado de seu nome. O livro é cheio de haicais de Bashô e Shiki e ricamente ilustrado.

Adivinha quanto eu te amo, de Sam McBratney e ilustrações de Anita Jeram, traz a história de um filhote de coelho que tenta mostrar a seu pai o quanto lhe ama, mas nunca parece suficiente. As ilustrações lembram Beatrix Potter e seu “Peter Rabbit”.

Em frente à minha casa, de Marianne Duboc, é uma ciranda em forma de livro. Com letra bastão e muitas imagens é uma leitura fácil e divertida.

A coleção Princesinha de Tony Ross, que baseou a série de tv homônima da Discovery Kids, mostra as aventuras de uma princesinha de quatro anos que enfrenta problemas semelhantes aos das crianças da sua idade e consegue superá-los.

Essa seleção é uma amostra das possibilidades do catálogo infantil. Muitos livros, autores e abordagens podem, pela sua qualidade, ser indicados também para adultos.

  1. Em frente à minha casa – Marianne Dubuc
  2. Wabi Sabi – Mark Reibstein
  3. Princesinha, Não gosto de salada! – Tony Ross
  4. Princesinha, Posso ficar com ele? – Tony Ross
  5. Princesinha, Não quero ficar gripada! – Tony Ross
  6. Histórias de valor – Kátia Canton
  7. Advinha quanto eu te amo – Sam McBratney
  8. Elmer, o elefante xadrez – David McKee
  9. Elmer e os caçadores – David McKee
  10. Bonifácio, o porquinho – Marilia Pirillo
  11. O livro das péssimas boas maneiras – Babette Cole
  12. O tecido dos contos maravilhosos – Tanya Robyn Batt
  13. Hoje não quero banana – Sylviane Bonnio e Dorotheé de Monfreid
  14. Animais sem zoológico – Gianni Rodari e Anna Laura Cantone
  15. Mitos gregos – Eric A. Kimmel
  16. Mapa dos sonhos – Uri Shulevitz
  17. Anton sabe fazer mágica – Ole Könnecke
  18. A história do leão que não sabia escrever – Martin Baltscheit
  19. Louise, as aventuras de uma galinha – Kate DiCamilo e Harry Bliss
  20. Abecedário de aves brasileiras – Geraldo Valério
  21. Pingüim – Polly Dunbar
  22. Morcego bobo – Tony Ross e Jeanne Willis

Orientalize-se: literatura japonesa

Postado em Autores, Literatura japonesa, Primeiros passos em 05/01/2011 por Daniel

Por Luciana Rede

A literatura japonesa é bastante diversa, remete à época das gueixas e dos samurais e ao modernismo pop da Tókio contemporânea. Isso sem contar os autores de origem japonesa que migraram para centros urbanos ocidentais como Londres e Los Angeles. Atentas a essa riqueza, muitas editoras brasileiras têm investido em traduções primorosas direto do japonês.

Diferentes estilos

A cultura oriental, em geral, é muito diferente da nossa e, como as literaturas de outros locais, é um reflexo da realidade e da vida, o que faz com que o leitor se envolva e se apaixone.

Algumas características estão quase sempre presentes na literatura japonesa: o resgate dos contos populares e a sensualidade explícita sem os tabus ocidentais, por exemplo.

Você já ouviu falar de Haikai? São pequenos poemas com três versos que remetem à natureza. No Brasil foram popularizados por Paulo Leminski e Mario Quintana. O Haikai original japonês, ou simplesmente Haiku, é bem diferente da versão nacional, pois a escrita lá é em ideogramas e a forma do desenho da caligrafia já remete ao tema do poema. Matsuo Bashô (1644-1694) é seu representante mais famoso. Um haikai de Bashô traduzido: “As pernas da garça / estão mais curtas / na chuva de primavera”. 

Históricos

Muito confundidos com a literatura japonesa em si, os livros históricos não são necessariamente escritos por japoneses, como é o caso de “Memórias de uma gueixa”, de Arthur Golden, e da série “Xogun”, de James Clavell.

As tramas se passam em algum momento do passado da nação, nas diversas dinastias, com descrição detalhada da vida cotidiana, das gueixas e das batalhas e tradições dos samurais.

Os históricos se enquadram na chamada literatura de entretenimento que são livros escritos para entreter o leitor sem compromisso com a linguagem.

Yasunari Kawabata

Clássicos

Englobam desde autores consagrados mundialmente como Yasunari Kawabata (Prêmio Nobel de Literatura em 1968), Kenzaburo Oe (Prêmio Nobel de Literatura em 1994) e o badalado Yukio Mishima até o não tão conhecido Ryonosuke Akutagawa, que inspirou o cineasta Akira Kurossawa em vários de seus filmes.

Natsume Soseki é um nome que tem se tornado conhecido no Brasil. Vale a pena conhecer!

Haruki Murakami

Contemporâneos

Tratam de temas corriqueiros que acontecem nas grandes cidades.

Haruki Murakami é o nome pop. Seus livros se passam no Japão moderno com problemas e situações idem. Ideal para presentear os fãs da nova literatura mundial.

Algumas sugestões do Este Livro

A casa das belas adormecidas – Yasunari Kawabata (Estação Liberdade)

Uma questão pessoal – Kenzaburo Oe (Cia. das Letras)

Há quem prefira urtigas – Junichiro Tanizaki (Cia. das Letras)

Coração - Natstsume Soseki (Globo)

Kafka à beira-mar – Haruki Murakami (Alfaguara)

Bando de pardais – Takashi Matsuoka (Bertrand)

Musashi – Eiji Yoshikawa (Estação Liberdade)

Memórias de uma gueixa – Arthur Golden (Imago)

Cinco pausas

Postado em Biografia, Cinema, Leituras, Literatura anglo-americana em 03/11/2010 por Daniel

Amor e exílio – Isaac Bashevis Singer (L&PM, 2005) – Memórias do escritor polonês de origem judia naturalizado norte-americano Isaac Bashevis Singer (1904-1991). Ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1978, Singer escreveu romances, contos, livros infantis e memórias. “Amor e Exílio” narra a vida do autor da infância aos trinta anos.

Dias de paz em Clichy – Henry Miller (José Olympio, 2004) – São as memórias de Henry Miller de sua estada em Paris e que se passam no mesmo período em que vários escritores norte-americanos como Ernest Hemingway, Scott Fitzgerald e Ezra Pound residiam na capital francesa.

Educação de um bandido – Edward Bunker (Barracuda, 2005) – Autobiografia do norte-americano Edward Bunker (1933-2005). Preso pela primeira vez aos 17 anos, Bunker furou o olho de um garoto, retalhou um desafeto com gilete, foi traficante, assaltou bancos… além de ter sido um bom escritor e leitor.

Notas sobre o cinematógrafo – Robert Bresson (Iluminuras, 2005) – Coletânea de frases do cineasta francês Robert Bresson (1907-1999). Influência de vários cineastas posteriores, Bresson realizou filmes hoje considerados clássicos como A Grande Testemunha (1966) e O Processo de Joana d’Arc (1962).

Primeiro amor – Samuel Beckett (Cosac & Naify, 2004) – Novela escrita em 1946 em francês pelo dramaturgo irlandês. A tradução e as ilustrações de mais essa bela e original edição da Cosac ficam a cargo de Célia Euvaldo.

A biblioteca

Postado em Vídeos em 02/11/2010 por Daniel

Feira de Frankfurt 2010: volta ao mundo dos livros

Postado em Eventos, Livreiro em 27/10/2010 por Daniel

 

Por Daniel Louzada* (originalmente publicado no Saraiva Conteúdo)

O grande tema da Feira do Livro de Frankfurt 2010 foi, sem dúvida, o livro digital. Nos debates, na abordagem de alguns expositores e mesmo em boa parte das conversas de corredor os assuntos foram as oportunidades e características dessa nova leitura para uma tecnologia que alguns, apocalipticamente, dizem estar à beira da derrocada. Afora exageros proféticos, é fato que o livro digital vem aí para ocupar um espaço ainda impreciso e editoras, agentes, autores e livreiros querem se preparar da melhor forma pra isso. É sintomático que empresas que, a rigor, não tem ligação histórica com o livro, empresas de tecnologia que exploram ou criam conteúdos, estejam entre os expositores. De qualquer forma, a Feira de Frankfurt foi mais do que isso.

As regras continuam valendo e a feira seguiu sua dinâmica: compra e venda de direitos, lançamentos, apostas em linhas editoriais, novidades aqui e ali. Neste ano, ao contrário de 2009 em razão da crise, houve mais otimismo em relação às perspectivas imediatas. Ainda assim, notável é que não tenha surgido nenhuma grande aposta, potenciais hits, aqueles que todas editoras e as livrarias querem ter. 

O mais interessante para se ver foi a diversidade, as possibilidades de hits médios. Pensando num mercado como o brasileiro fica claro que há muitas lacunas editoriais com potencial comercial que, no entanto, alguns editores, no frenesi da corrida para os livros já testados nos mercados dos EUA e da Inglaterra, sobretudo, deixam passar. 

O tamanho da feira dá a dimensão do alcance do livro, produto de uma indústria pequena se comparada a tantas outras. Andar por seus imensos pavilhões (às vezes com dois ou três pisos, quase impossíveis de se percorrer em três dias), antes de cansativo, é uma oportunidade para entender como o livro dialoga com os potenciais leitores. 

Além das representações dos países, houve grande diversidade temática. No primeiro caso, os países foram agrupados por afinidade idiomática e cultural: assim, por exemplo, os latino-americanos ou os do leste europeu ficaram em pavilhões comuns (exceção é a Alemanha, anfitriã do evento que ocupou além do gigante e bonito pavilhão 3 também boa parte do 4). No segundo caso, editoras com enfoque em áreas como gastronomia, turismo, sexualidade, mangás e arte ficaram próximas.

O pavilhão 8 que abrigou, entre outras, editoras inglesas e dos EUA, foi um dos mais movimentados por contar com a maior parte dos pesos pesados do mercado internacional, produtores das tendências populares. Ao mesmo tempo, trouxe também excelentes editoras de ficção, arte e universitárias – como a da Universidade de Chicago, na melhor tradição de ingleses e norte-americanos – as inglesas Verso Books, extraordinária editora do pensamento crítico contemporâneo, Omnibus Press (música) e Quirk Books (cultura pop).

O pavilhão 3, o mais vibrante e bonito, reuniu editores alemães. Nele havia uma área bem montada para quadrinhos, mangás e outros subgêneros, assim como espaços dedicados ao turismo e aos livros infantis. Boas escolhas e abordagens foram perceptíveis, por exemplo, em editoras como a Haupt, nos livros de viagem da Conrad Stein, nas coletâneas de fotos da Steidl e na já mais conhecida Reclam com seus simpáticos, sóbrios e baratos livros de bolso.

Já o pavilhão 4 foi dos mais surpreendentes. Primeiro por editoras espetaculares como a alemã Gestalten (design e arte) e, em seguida, por uma série de editoras médias e pequenas que em comum possuem identidade e, via de regra, excelente design gráfico. Destaque para Bertz + Fischer (cinema), Ventil Verlag (cultura pop) e Claudia Gehrke Verlag (temas para o público lésbico). Nesse pavilhão também foi notável conferir o espaço dado ao audiolivro e o andar reservado ao não-livro – pense em tudo que se relaciona com o objeto livro: materiais de papelaria, embalagens, expositores etc.

O pavilhão 5 foi o lugar dos latino-americanos, de Portugal, Espanha e Itália. Lá estavam o país homenageado de 2010, a Argentina, e o Brasil, que receberá a honra em 2013. O país vizinho contou também com uma exposição logo na entrada da feira. Considerando a grande literatura argentina, essa exposição poderia ser melhor elaborada, pois quase se resumiu a painéis. Sobrou proselitismo, faltou conteúdo: na entrada da mostra havia três grandes fotos da presidente da Argentina Cristina Kirchner. 

O pavilhão 6 destacou as editoras francesas e as nórdicas, entre outras. Casas consagradas, como Gallimard, ou menores, mas sempre com personalidade. Dentre elas, a infanto-juvenil Thierry Magnier e a editora de quadrinhos Edition Moderne.

China imponente

Fora da ótica do exotismo é possível achar coisas interessantes nos estandes de países menos próximos culturalmente do Brasil como os do leste europeu – no da Eslovênia, por exemplo, era distribuído um livreto do filósofo Slavoj Zizek, sem dúvida a maior personalidade da pequena nação. Os países do leste europeu compuseram um conjunto bastante homogêneo, assim como os da Ásia, onde se impunha a China não só pelo tamanho do seu estande, mas pela força de sua economia (capaz de comprar muitos livros de todo o mundo). A importância do mercado chinês é tanta que vários materiais de divulgação de expositores ocidentais contemplavam seu idioma. Outro mercado cobiçado e presente foi o indiano.

Notáveis ainda são as editoras, sobretudo britânicas, dedicadas à memória militar. Há livros com toda ordem de enfoque: biografias, análises históricas e muitos títulos ilustrados, sejam panorâmicos sobre conflitos armados ou especificamente sobre armamentos ou uniformes de determinada época. Aqui, evidentemente, o que rende mais é a II Guerra Mundial. Dentre essas editoras, relevo para as britânicas Casemate UK, Pen and Sword Books, Grub Street (aeronáutica) e Gazelle (memória sobre o Holocausto) e para a espanhola Andrea Press (modelismo de guerra). 

A Feira do Livro de Frankfurt contou ainda com uma extensa programação de eventos. Boa parte deles teve como mote temas argentinos. Outros enfocaram a realidade de países latino-americanos como o debate que reuniu o chileno Antonio Skármeta e o argentino Martin Kohan. Vale registrar a presença da própria Saraiva na feira, representada por seus diretores Frederico Indiani e Cesar Groh, numa mesa que abordava as estratégias da empresa para o livro digital.

Percorrer a Feira de Frankfurt com olhos de leitor, essa figura simples, pode trazer alguma luz sobre o debate acerca do livro digital, debate às vezes enfadonho porque baseado exclusivamente em suposições e interesses imediatos. Nas discussões sobre mudança tecnológica, onde fica o homem? A tecnologia muda, o homem fica. Onde fica o leitor nessa história? O importante, no fundo, é que se leia mais e melhor. Andar, já ditou o escritor israelense Amós Oz em seu deserto, pode ser um caminho para pensar sobre a própria condição. Andar pela feira, se cabe o paralelo, não é ter medo de que a imensidão de hoje se transforme em um deserto material amanhã, mas sim entender que o homem e sua necessidade de saber e de dividir conhecimento continuam.

*Daniel Louzada é Gerente de Produtos da Livraria Saraiva.

Vira-Vira Saraiva

Postado em Exclusivo, Lançamentos, Literatura de entretenimento, Vira-Vira Saraiva em 27/10/2010 por Daniel

Você já viu o Vira-Vira Saraiva?

O que é o Vira-Vira? A idéia é bem simples: são 2 títulos reunidos em apenas 1 volume: de um lado vai um título; vira-se e, do outro, há outro título do mesmo autor.

No Vira-Vira só há livros já consagrados como best sellers e clássicos. Só tem livro matador.

Os textos são integrais e a grande vantagem é que livros de catálogo cujas edições normais custam até R$ 80,00 quando somadas vem agora pelo preço único de R$ 19,90. É muito barato!

Todas essas características fazem do Vira-Vira uma grande oportunidade.

Até dezembro de 2010 a Saraiva terá mais 10 Vira-Vira. Confira a seguir a lista dos já lançados.

Areias do tempo + Juízo final – Sidney Sheldon

Assassinato no campo de golfe + Poirot investiga – Agatha Christie

O carrossel + O dia da tempestade – Rosamunde Pilcher

Conte-me seus sonhos + O céu está caindo – Sidney Sheldon

O diário de Anne Frank + Contos do esconderijo – Anne Frank

O homem que calculava + Melhores contos – Malba Tahan

Se houver amanhã + Nada dura para sempre – Sidney Sheldon

Limites sem trauma + Educar sem culpa – Tânia Zagury

O misterioso caso de Styles + O caso do Hotel Bertram – Agatha Christie

Nudez mortal + Glória mortal – Nora Roberts

Perdas e ganhos + Pensar é transgredir – Lya Luft

O plano perfeito + Manhã, tarde e noite – Sidney Sheldon

São Bernardo + Caetés – Graciliano Ramos

Sidarta + Demian – Herman Hesse

A terra das sombras + O arcano nove – Meg Cabot

Tesouro secreto + Virtude indecente – Nora Roberts

O velho e o mar + As neves do Kilimanjaro – Ernest Hemingway

O duo fino da Cosac para setembro

Postado em Autores, Lançamentos, Literatura anglo-americana, Literatura brasileira, Teatro em 02/09/2010 por Daniel

Lima Barreto

DIÁRIO DO HOSPÍCIO E O CEMITÉRIO DOS VIVOS – Lima Barreto

O volume reúne duas obras de Lima Barreto, Diário do Hospício e a novela inacabada O Cemitério dos vivos. O primeiro é um documento impressionante da internação do escritor no Hospício Nacional dos Alienados (RJ). O segundo enfrenta a experiência da loucura em chave ficcional. Publicados postumamente, em 1953, funcionam como vasos comunicantes. Esta nova edição conta com um prefácio exclusivo de Alfredo Bosi e oferece um conjunto inédito de informações que entrelaça diferentes disciplinas: crítica literária, história e psiquiatria. Também traz textos de Machado de Assis, Raul Pompéia e Olavo Bilac sobre o hospício como instituição.

Samuel Beckett

DIAS FELIZES – Samuel Beckett

Dias felizes (1961) completa o trio de peças que consagrou Samuel Beckett como um dos principais renovadores da dramaturgia do século XX. Em cena, Winnie, uma mulher de meia-idade, enterrada numa colina e debaixo de sol a pino, busca agarrar-se às poucas coisas que estão ao seu alcance. Ao redor, uma paisagem inóspita e o marido indiferente. A edição traz apêndice com cartas que o dramaturgo trocou com Alan Schneider, diretor da montagem norte-americana, o depoimento da atriz Martha Fehsenfeld, que o acompanhou na versão londrina de 1979, além de fotos das principais atrizes que interpretaram Winnie.

*Sinopses da editora.

Os ratos, de Dyonelio Machado

Postado em Biblioteca Saraiva, Lançamentos, Literatura brasileira em 01/09/2010 por Daniel

“Publicado em 1935, Os ratos, do gaúcho Dyonelio Machado, pode ser considerado um dos grandes clássicos da literatura brasileira. E, sem dúvida, seu protagonista, Naziazeno Barbosa, é um personagem fascinante .

Endividado, Naziazeno precisa de cinquenta e três mil-réis para pagar a conta do leiteiro. Em busca do dinheiro, ele sai pela cidade. Pedir a seu chefe da repartição pública, procurar um amigo, arriscar-se no jogo…? O desespero parece que vai derrubá-lo. Ao seu redor, nada em que se segurar, ninguém em quem se apoiar, nenhum caminho seguro.

A habilidade narrativa de Dyonelio Machado é um dos pontos altos desta pequena obra-prima. Posfácio do crítico Davi Arrigucci Jr.

Dyonelio Machado nasceu em Quarai (RS) em 1895, e morreu em Porto Alegre em 1985. Formado em medicina, especializou-se em psiquiatria. Dedicou-se também ao jornalismo e foi deputado pelo PCB antes da implantação do Estado Novo. Estreou na ficção com Um Pobre Homem em 1927 e consagrou-se com a publicação de Os Ratos, em 1935. Publicou 12 romances, um livro de contos e um livro de memórias”. 

*Sinopse adaptada da editora Planeta.

Mais silêncios dos livros

Postado em Arte, Conectado em 25/08/2010 por Daniel

Jóia da Coroa

Postado em Arte, Ciências, Lançamentos em 24/08/2010 por Daniel

Edição primorosa de um obra referencial, objeto de desejo. Assim é o volume que reúne os seis primeiros livros de Os elementos de Euclides.

A edição fac similar da primeira edição inglesa de 1847, realizada por Oliver Byrne, chega ao Brasil pelas mãos da Taschen. Em inglês e com ilustrações e símbolos coloridos, lembra uma obra de arte moderna.

Acompanha a caixa que traz o livro um ensaio do historiador da arte suíço Werner Oechslin do qual extraímos o trecho a seguir.

“Que motivo terá levado um Superintendente das Colónias da Coroa Britânica, estacionado nas Ilhas Falkland, a criar e publicar as teses de Euclides na edição mais atraente de todos os tempos? Realizada com cores próprias de Mondrian, esta edição dá-nos uma impressão moderna e avant la lettre. Qualquer pessoa que tenha esse livro em mãos se deixará fascinar por estas ‘imagens’, precisamente porque, através delas, a compreensão das mais difíceis e abstractas leis matemáticas parece ser, à primeira vista, facilmente sugerida e demonstrada ad oculos, de modo muito concreto”.

Agatha Christie em quadrinhos

Postado em Lançamentos, Literatura anglo-americana, Quadrinhos em 23/08/2010 por Daniel

A L&PM acaba de lançar em quadrinhos duas das mais conhecidas histórias da rainha do mistério Agatha Christie: “Assassinato no Expresso Oriente” e “Morte no Nilo”. Ambos romances foram escritos na década de 30 e são protagonizados pelo célebre Hercule Poirot. Adaptação e ilustração ficam a cargo dos franceses François Rivière e Solidor.

Grandes pedidas da editora Unesp por 9,90

Postado em Ciências humanas, Livros sobre livros em 23/08/2010 por Daniel

“Não me importo com seu pensamento lento. O que me importa é você publicar mais rápido do que pode pensar”. Wolfgang Pauli

“O que arruína os escritores jovens é a superprodução; a necessidade de dinheiro é o que causa a superprodução”. Cyril Connolly

Essas duas citações são a introdução e de certa forma resumem o tema e o espírito de um excelente livro chamado “Inimigos da esperança – publicar, perecer e o eclipse da erudição”, do norte-americano Lindsay Waters, editor da Harvard University Press.

Waters analisa a insana lógica da produção acadêmica contemporânea em que a relevância não é mais um atributo a ser considerado, mas sim a capacidade de produzir mais, publicar mais, deslocando a ênfase da recepção para a quantidade produzida e também, eventualmente, para a viabilidade comercial.

O autor relata que nessa toada se estabelece um cenário competitivo dentro das universidades em que quem publica pouco é crescentemente marginalizado. Essa interpretação, claro, pode ser estendida para o mercado editorial. O que é, de fato, relevante? Quem decide o que é relevante? Quem seleciona, independente dos meios tecnológicos de apropriação por parte do leitor?

“Inimigos da esperança”, um pequeno livro que pode ajudar nessas reflexões, entra nos próximos dias em promoção no site www.saraiva.com.br  com uma seleção de 10 títulos da editora Unesp. Nesse time, vem autores como Viviane Forrester e Richard Rorty. O melhor de tudo é que se trata de uma grande oferta: todos os livros terão preço único de R$ 9,90.

Por hora, vale conferir outros títulos nessa faixa de preço no site da Saraiva sob o banner “Ofertão de Livros até 9,90″.

Títulos da Unesp em promoção:

  1. Contra os patrões, contra as oligarquias – Richard Rorty
  2. O crime ocidental – Viviane Forrester
  3. Biblioteca de Filosofia 2 – Vários
  4. Uma estranha ditadura – Viviane Forrester
  5. A filosofia americana – Giovanna Borradori
  6. Inimigos da esperança – Lindsay Waters
  7. Liberdade ou capitalismo – Ulrich Beck
  8. Se minha casa pegasse fogo, eu salvaria o fogo – Jean-Yves Leloup
  9. Natureza e ilustração – Maria das Graças de Souza
  10. A última palavra – Thomas Nagel

Ainda o futebol

Postado em Livros sobre futebol em 10/08/2010 por Daniel

Foi-se a Copa?

Carlos Drummond de Andrade

Foi-se a Copa? Não faz mal.
Adeus chutes e sistemas.
A gente pode, afinal,
cuidar de nossos problemas.

Faltou inflação de pontos?
Perdura a inflação de fato.
Deixarmos de ser tontos
se chutarmos no alvo exato.

O povo, noutro torneio,
havendo tenacidade,
ganhará, rijo, e de cheio,
A Copa da Liberdade.

Flip 2010

Postado em Eventos em 09/08/2010 por Daniel

O comentário mais ou menos geral sobre a participação do Robert Crumb na Flip foi que decepcionou, que foi morna e tediosa, sobretudo a partir da entrada de sua mulher no palco.

Curioso o que é o desejo médio em eventos desse tipo, sede de sangue e artifício: declarações bombásticas, polêmicas paroquiais, críticas políticas fáceis e populistas, surgimento de xuxas cubanas e por aí vai.

Nesse clima, difícil talvez seja ser ordinário, exercitar a contenção.

E difícil mesmo é aguentar as invariáveis perguntas sobre o Brasil: suas bundas, caipirinhas e escritores. Haja paciência com o eterno desejo de reconhecimento dos mediadores das mesas.

Nova tentativa em 2011. E, claro, vale ver (ou rever) o que o velho Crumb tem a dizer nos seus álbuns.

Edição da Conrad

Edição da Desiderata

Um livro para agosto

Postado em Leituras, Literatura anglo-americana em 01/08/2010 por Daniel

Novidades da Cia. das Letras para 2010

Postado em Lançamentos em 10/04/2010 por Daniel

O chileno Roberto Bolaño

A seguir, alguns dos principais lançamentos programados pela Companhia das Letras para 2010.

Maio

2666 – Roberto Bolaño

A humilhação – Philip Roth

A sociedade da neve – Pablo Vierci

Junho

Todas as letras – Lou Reed

Crônicas – Drauzio Varella

Vício inerente – Thomas Pynchon

Julho

Nada me faltará – Lourenço Mutarelli

Coleção de areia – Italo Calvino

Brevíssima história de quase tudo – Bill Bryson

Agosto

Operação massacre – Rodolfo Walsh

Solar – Ian McEwan

Morte de tinta – Cornelia Funke

Setembro

Uma certa paz – Amos Oz 

La grande – Juan Jose Saer

Os anões amarelos – Jostein Gaarder

Outubro

O balanço da respiração – Hertha Muller

A ninfa inconstante – Guillermo Cabrera Infante

Vergonha – Salman Rushdie

Novembro

A ponte: a vida e a ascensão de Barack Obama – David Remnick

Borges: uma vida – Edwin Williamson

Outras cores – Orhan Pamuk

A arte de recusar um original

Postado em Leituras, Livreiro, Livros sobre livros, Trechos em 10/04/2010 por Daniel

Um livro para editores e aspirantes a escritores. Um livro para rir, uma coleção de modelos de cartas de recusa de originais. “A arte de recusar um original”, de Camilien Roy, saiu pela Rocco no ano passado. Vale passar os olhos e se divertir um pouco com pequenos textos como o que selecionamos abaixo.

Frustrado (pp. 72)

“Escute, senhor,

Não pretendo vexá-lo, mas seu manuscrito é ruim. É longo, tedioso banal e, ainda por cima, ninguém trepa nessa história. É nulo! Milhões de livros iguais a esse são publicados todos os anos. No que diz respeito à originalidade, a coisa está feia. Mas não se preocupe, o senhor acabará encontrando alguém para publicá-lo. Isso porque as pessoas entram nas livrarias e dizem: ‘Bom dia. Vou entrar de férias e gostaria de ler alguma coisa leve e agradável. O que o senhor me sugere?’ Então, sem recuar diante de qualquer baixaria para encher a caixa registradora, o livreiro empurra para o infeliz uma bobagem qualquer do tipo que o senhor escreveu. Romances para um fim de semana, rapidamente lidos, rapidamente esquecidos.

Creio que o senhor já deve estar imaginando o que eu penso que o senhor deve fazer com seu livro… Esse tipo de literatura comercial já ocupa lugar demais nas livrarias, por sinal, quase todo o espaço disponível. Então, faça-me o favor, vá tentar em outra editora.

Adeus!”

Os melhores livros infantis para adultos

Postado em Lançamentos, Literatura infantojuvenil em 01/04/2010 por Daniel

“Espelho”, lançamento da Cosac Naify, a editora que, entre outras virtudes, produz os melhores livros infantis para adultos.

Em “Espelho”, a coreana Suzy Lee - autora também do conhecido “Onda” – aborda a relação de uma menina com o seu reflexo. A narrativa é puramente visual, em grafite e aquarela.

Bonito à beça.

Coelhinho…

Postado em Listas em 01/04/2010 por Daniel

1. O coelhinho que não era de Páscoa – Ruth Rocha (Salamandra)

2. Coelho cai – John Updike (Companhia das Letras)

3. Coelho corre – John Updike (Companhia das Letras)

4. Coelho cresce – John Updike (Companhia das Letras)

5. Coelho em crise – John Updike (Companhia das Letras)

6. Coelho se cala e outras histórias – John Updike (Companhia das Letras)

7. Coelho vermelho – Tom Clancy (Record)

8. O leão e o coelho saltitão – Ondjaki (Língua Geral)

9. A rebelião dos coelhos mágicos – Ariel Dorfman (Rocco)

10. Vinte dias com Julian & Coelhinho, por papai – Nathaniel Hawthorne (José Olympio)

A África em 7 escritores

Postado em Autores, Literatura africana, Primeiros passos em 31/03/2010 por Daniel

Por Luciana Rede

O leitor brasileiro tem se interessado cada vez mais pela literatura dos países africanos. De antemão, é importante compreender que na África existem basicamente dois tipos de literatura: a árabe e a africana.

Como o escritor é um reflexo de seu tempo e meio, a literatura árabe é produzida por países de cultura árabe e muçulmana em que se retrata o universo de “As mil e uma noites”, os problemas em relação às mulheres e a atual política do Islã.

Já a literatura dos países que não têm cultura islâmica e árabe é a que chamaremos de literatura africana. É importante ressaltar que cada país africano traz uma herança cultural diferente e não podemos considerar a literatura do continente como um todo.

A literatura desses países mostra a busca de identidade, pois todos passaram pelo período colonial. Tratam da realidade presente e alguns autores usam a poesia, o lirismo e histórias antigas para falar da violência e das guerras que ocorrem por lá.

Embora todas as nações tenham produção literária, Este Livro traz uma breve apresentação de sete autores de três países.

África do Sul – autores escrevem em inglês

J.M. Coetzee (1940) Literatura ácida e bem escrita, traduz com maestria em seus romances a realidade do apartheid. Ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 2003. Para o leitor que se interessa por boa literatura e temas fortes. “Desonra” conta a história de um professor de literatura branco e de meia idade que tem um caso com uma jovem. Depois desse livro é impossível ver a questão política da mesma maneira.

Nadine Gordimer (1923) Ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura de 1993. Sua escrita registra a deterioração social que afetou seu país durante o apartheid (e suas atuais conseqüências). Autora não tão conhecida no Brasil, começou a escrever aos 15 anos. “A arma da casa” é a história de um casal comum que descobre que seu filho cometeu um crime. Inesquecível!

Angola – autores escrevem em português

Pepetela (1941) Ainda estudante foi guerrilheiro e participou da guerra colonial que fez Angola deixar de ser colônia portuguesa. Seus livros falam daquela época e de hoje. Um dos escritores mais militantes de seu país e ganhador de vários prêmios pelo mundo, faz a análise de Angola a partir da construção da nação. “O planalto e a estepe” conta o amor de dois jovens.

Ondjaki (1977) Representante da nova geração, cineasta, ator e artista plástico. Apesar de jovem, seus livros tratam de temas que pouco saem na mídia como crianças de 6 anos que sofrem as mazelas da guerra. Mora no Rio de Janeiro desde 2007. ”Avodezanove…” é cheio de neologismos, autobiográfico e conta a construção de um mausoléu.

José Eduardo Agualusa (1966) Utiliza linguagem poética e a fantasia para contar temas fortes sobre a realidade angolana. Divide seu tempo entre Brasil, Portugal e Angola e é um autor que tem agregado muitos novos fãs no nosso país por sua escrita universal. Fundou a editora Língua Geral, dedicada a autores de língua portuguesa. “A conjura” narra a fundação de Luanda, colônia que era destino de ladrões e degregados.

Moçambique – autores escrevem em português

Mia Couto (1955) Iniciou os estudos de medicina quando começou o curso de jornalismo. Largou a medicina para se dedicar às palavras. Escreve contos, crônicas, poesia e romances. Consegue transmitir a cultura de sua terra através de escrita refinada e poética. É comparado a Gabriel García Márquez, Jorge Amado e João Guimarães Rosa e já ganhou muitos prêmios literários. “Antes de nascer o mundo” narra a história de cinco homens morando em um lugar ermo até que o futuro se mostra diferente.

Paulina Chiziane (1955) Quando criança falava os dialetos chope e ronga. Aprendeu a língua portuguesa em escola de missão católica. Fez militância política, mas desiludiu-se com os partidos e concentrou-se na literatura. Escreveu crônicas para jornais e foi a primeira mulher a publicar um romance em seu país. Sua prosa é lírica. “Niketche” traz Rami, mulher casada há 20 anos que descobre que seu marido tem várias esposas.

Literatura de terror

Postado em Autores, Literatura de entretenimento, Primeiros passos em 31/03/2010 por Daniel

Por Luciana Rede

A ficção de terror sempre teve muitos fãs, tanto na literatura quanto no cinema. Como a data comemorativa norte-americana Halloween, que é o Dia das Bruxas, tem sido cada vez mais difundida no Brasil.

Origens

Muito se fala sobre terror, mas as cenas de cinema são muito diferentes das páginas dos livros. Quando no cinema apela-se para o visual com a utilização de sangue em excesso, nos livros os escritores se concentram mais nas narrativas e descrições que podem fazer de uma simples sombra algo aterrador.

Apesar de muito se falar sobre a literatura de terror suas origens se perdem no tempo. Existem registros na Grécia antiga e na França, mas foi popularizada pela literatura gótica, cujo marco é o “Castelo de Otranto”, de Sir. Horace Walpole (1717-1797).

Mestres do terror

A discussão sobre qual seria o maior mestre do terror nunca terá fim! Elegemos três grandes autores norte-americanos desse gênero para ilustrar nosso texto. Da literatura cult a de entretenimento!

Edgar Alan Poe (1809-1849) Mestre da poesia e do suspense, escreveu contos incríveis e inaugurou o gênero policial moderno com o conto “A carta roubada”. Tinha personalidade difícil.

HP Lovecraft (1890-1937) Se hoje é um escritor cult, teve poucos leitores em sua época. Sua literatura perturba pelo simbolismo, escrita erudita e grau de realismo. “O chamado de Tchulhu” é imperdível para quem se interessa pelo gênero.

Stephen King (1947 – vive nos EUA) Amado por muitos, odiado por outros. O que importa é que ele cria histórias muito bem escritas que prendem a atenção do leitor. É um mestre da literatura de entretenimento e praticamente todos os seus livros e contos viraram filmes. Hoje escreve roteiros para TV. É uma porta de entrada para a literatura.

O terror na literatura infantil

Desde cedo as crianças tem se interessado pelo mórbido assunto. São diversos livros e coleções como Goosebumps e Hora do Arrepio.

O mito Frankenstein no cinema

Impossível falar de terror sem tocar no nome Boris Karloff! O ator interpretou em 1931 a lendária criatura do livro “Frankenstein”, de Mary Shelley, e é dele a imagem que a maioria tem quando vem à lembrança essa história.

Globo, Bauman, Zizek, pornô e Pinochet

Postado em Lançamentos em 05/03/2010 por Daniel

A Jorge Zahar reserva para 2010 uma seleção de lançamentos interessante e diversificada. Vale aguardar e conferir. Abaixo destacamos os que consideramos principais até agosto.

Março

Guia ilustrado de novelas da TV Globo.  Produzido pelo centro de Memória Globo, é um guia na linha dos já lançados pela editora que abarca todas as produções da emissora no gênero, além das minisséries.

Maio

Capitalismo parasitário – Zygmunt Bauman. Mais um livro do arguto pensador polonês.

Junho

Lacan por Zizek – Slavoj Zizek. Zizek é sempre, no mínimo, instigante.

Julho

Nas redes do sexo – Diaz-Benitez. A obra revela os bastidores do pornô brasileiro.

A sombra do ditador – Heraldo Muñoz. A vida sob Augusto Pinochet. Outro tema possível seria, a propósito, a vida no Chile pós-Pinochet ou a herança que uma ditadura deixa para um país e seu povo.

Agosto

Aprendiz de cozinheiro – Bob Spitz. Aqui estão as aventuras de um amador em algumas grandes escolas de culinária da Europa.

Jane Austen e zumbis?

Postado em Lançamentos, Literatura de entretenimento em 04/03/2010 por Daniel

Sim, é isso. “Orgulho e preconceito e zumbis”, de Seth Grahame-Smith, romance que parodia a clássica obra da escritora norte-americana, será lançado no próximo dia  22 no País. Sucesso nos EUA, a obra chega ao Brasil com tiragem respeitável e promete inaugurar por aqui uma nova onda que em breve produzirá outros títulos, a dos zumbis.

Veja abaixo a sinopse da editora Intrínseca.

“É uma verdade universalmente aceita que um zumbi, uma vez de posse de um cérebro, necessita de mais cérebros”.

Assim começa “Orgulho e preconceito e zumbis”, uma releitura trash do popular romance de Jane Austen. A abertura dessa cultuadíssima versão de Seth Grahame-Smith para a obra do século XIX já destaca as surpresas geradas pela praga misteriosa que se abateu sobre os campos aristocráticos do sul da Inglaterra, onde os defuntos estão retornando à vida e partem crânios de pessoas comuns para devorar seus miolos.

No romance clássico, a autora iniciava a saga das casadouras irmãs Bennet com o aviso: “É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro, possuidor de uma grande fortuna, deve estar em busca de uma esposa.” Agora, porém, no tranquilo vilarejo de Meryton, nossa heroína, a guerreira Elizabeth Bennet, treinada nos rigores das artes marciais, está determinada a eliminar a ameaça zumbi. Até que sua atenção seja desviada pela chegada do altivo e arrogante Sr. Darcy. Ela conseguirá superar os preconceitos sociais dos grandes aristocratas ingleses, tão ciosos e orgulhosos de seus privilégios?

Grahame-Smith transfigura as famosas passagens do texto de Jane Austen numa deliciosa comédia de costumes. Além dos embates civilizados e repletos de cortesia entre o casal de protagonistas, inclui batalhas violentas, em confrontos cheios de sangue e ossos quebrados. Conjugando amor, emoção e lutas de espada com canibalismo e milhares de cadáveres em decomposição, Orgulho e preconceito e zumbis transforma uma obra-prima da literatura mundial em outra história que você realmente terá vontade de ler.

Entrevista: Ruy Castro

Postado em Entrevista, Exclusivo, Livros sobre futebol em 03/03/2010 por Daniel

Jornalista de formação, Ruy Castro, a partir de “Chega de saudade” (1988), alterou a maneira de escrever livros biográficos no Brasil ao publicar obras caracterizadas por exaustiva pesquisa e abordagens originais. Dono de grande texto, o autor provou também gostar de uma boa conversa. A seguir, confira os múltiplos interesses de Castro e seu peculiar humor nessa atual entrevista que realizamos em 2005 (*concedida a Daniel Louzada).

Um dos seus últimos livros, “Carnaval no fogo”, trata da história e das peculiaridades do Rio de Janeiro. A maioria dos seus temas e personagens diz respeito ao universo carioca. Você tem a perspectiva de escrever sobre temas ou personagens não identificados com o Rio?

RUY CASTRO – Não sei responder bem essa pergunta porque quando fiz o livro da bossa nova não pensava que estava fazendo um livro sobre o Rio, nem quando fiz o do Nelson Rodrigues, nem o do Garrincha. Quando fiz o “Ela é carioca” sim, aí era uma coisa explicitamente da cultura carioca. E o “Carnaval no fogo” nem se fala. Ou seja, não foi algo programático. Acontece que os escritores se sentem mais à vontade nos cenários que conhecem melhor, com os quais tem mais familiaridade. Então é normal que as idéias que se tem sejam ambientadas naquele cenário do qual o autor se sente parte. O Guimarães Rosa, por exemplo, morou grande parte da vida no Rio e só escrevia sobre Minas Gerais, aquela região dele, ali na fronteira com a Bahia. Ninguém nunca cobrou do Guimarães Rosa que fizesse um romance carioca. Da mesma maneira, o cearense José de Alencar morou no Rio a maior parte da vida, mas metade de sua obra se passa no Ceará, naqueles romances indígenas; ao mesmo tempo, ele tem uma enorme quantidade de romances urbanos passados no Rio. Acho que eu não deveria ser cobrado por esse tipo de cenário.

Quando surgiu a idéia de escrever “Carnaval no fogo”?

RUY CASTRO – Tenho a impressão que foi quando começaram a sair os primeiros volumes da coleção original inglesa [O escritor e a cidade] e já se sabia que a Liz Caldwer, editora da Bloomsbury, queria um livro sobre o Rio. O Luis Schwarcz, editor da Companhia das Letras, me falou sobre isso – eu estava trabalhando no “A onda que se ergueu no mar” – e já fiquei empolgado. Eu tenho esse grave problema: se acerto mais ou menos um livro com a editora, mesmo que seja para começar daqui há seis meses, já começo a trabalhar por conta. Primeiro que só aceito as coisas que me empolgam. Quer dizer, não é que eu aceite ou não. As ideias de 95% de todos os livros que fiz partiram de mim. No caso desse a idéia não partiu de mim, partiu da Bloomsbury, através da Companhia das Letras, mas é um assunto sobre o qual eu estava me preparando há mais de dez anos. Foi o encontro feliz de duas circunstâncias. Comecei a ler e estudar com a maior empolgação enquanto cuidava dos outros livros que saíram nesse período. Foram nove meses só para escrevê-lo, mais do dobro do tempo que levei para escrever “O anjo pornográfico”, “Estrela solitária”, “Chega de saudade”. Muito tempo. E um ano e pouco lendo, estudando – e também lendo e estudando enquanto escrevia.

Quanto tempo você levou para fazer biografias como as de Nelson Rodrigues e Garrincha?

RUY CASTRO – A do Nelson Rodrigues levou dois anos – vinte meses de pesquisa e quatro para escrever. A do Garrincha levou três anos – trinta e dois meses de investigação e quatro para escrever.

O tempo para a feitura de um livro necessariamente está associado com o grau de dificuldade dele?

RUY CASTRO – Sim. Porque uma coisa é escrever um livro a partir de informações que você capta de duzentas fontes diferentes, você trabalha durante anos naquele livro, conversa com as pessoas. Na minha maneira de trabalhar, nunca sento para escrever uma biografia enquanto não tenho toda a história apurada. Eu acho um erro começar a escrever quando não se tem a história completa. Agora, à medida que vou entrevistando vou jogando as informações em arquivos separados, cada qual referente a uma época ou lugar. Quando considero que sei toda a história, que não há nenhuma pergunta difícil que eu possa me fazer e que eu não saiba responder, aí acho que está na hora de começar a escrever. Isso geralmente toma 80% do tempo que o livro leva para ser feito. Então quatro meses para escrever, para mim, é um tempo razoável. Quando eu digo quatro meses é quatro meses todos os dias, o dia inteiro. Enquanto escrevia os livros do Nelson e do Garrincha, por exemplo, eu ia dormir às 3:30h porque não conseguia mais, cansado, mas o relógio despertava às 7:30h do dia seguinte porque eu estava louco para recomeçar. Esse tipo de entrega acontece. Já em “Carnaval no fogo” eu não tinha essa base toda de informações com as quais trabalhar – era um  livro de sacações. Então ficava sentado em frente ao computador pensando em como é o Rio hoje, como é o carioca, como ele reage a certas coisas e situações. Aí quando eu achava que tinha uma idéia interessante que pudesse ser desenvolvida ia a uma estante enorme de livros sobre o Rio e procurava alguma coisa que me avalizasse aquela situação contemporânea sobre a qual estava escrevendo. Às vezes eu encontrava, às vezes não. Às vezes isso me obrigava a ler quatro linhas de um livro, às vezes quarenta páginas, às vezes quatrocentas páginas.

Em 2000 você teve a primeira experiência em ficção com “Bilac vê estrelas”. Você pensa em escrever mais ficção?

RUY CASTRO –  É como dizem os ingleses: você  não  pode  mudar as pintas do leopardo. Eu trabalho com informações desde os 19 anos, quando comecei no Correio da Manhã, no Rio. Eu já li toda a ficção que me foi possível ler, já li todos os romancistas ingleses do século XVIII, franceses do século XIX, russos, americanos do século XX, brasileiros praticamente todos do passado. Quer  dizer, eu tive a minha cota de ficção como leitor também, sei bem quais são os grandes fascínios e sei que a ficção é realmente a grande coisa,  tanto que é a única que  pode ser chamada de  literatura,  digamos assim. Mas eu comecei como jornalista muito jovem. Nunca escrevi uma lauda que não fosse paga. Eu posso dizer que sou um escritor profissional, escrevo profissionalmente desde os 19 anos de idade (estou com 55). Nunca escrevi um conto  que deixasse na gaveta, um romance que um dia eu esperasse ser publicado. Quer dizer, tudo o que escrevi até hoje foi para jornal diário, revista semanal, revista mensal, revista trimestral ou livro. Então sempre havia prazo a ser cumprido e publicação em vista. Nunca tive a ânsia de ter uma história que precisasse contar, uma história de ficção que eu precisasse botar para fora para não enlouquecer, como acontece com os verdadeiros ficcionistas – eles escrevem ficção porque são compelidos a isso. Eu não, eu sou cercado de realidade, a realidade para mim não é só a realidade de 2003; a realidade de 1903 para mim existe, principalmente a do Rio. A realidade de 1703 também está comigo. O século 20 então é uma coisa fabulosa – tudo o que foi produzido no século 20, tudo que um dia foi dito, cantado, dançado, representado, enfim, praticamente tudo o que aconteceu no século 20 foi registrado, filmado, gravado, fotografado, copiado, escrito. E você tem acesso a isso hoje. Se quiser chamar o século 20 inteiro de volta na sua discoteca, na sua videoteca, na sua biblioteca você pode. Então eu vivo cercado do passado e do presente e o passado me fascina muito, talvez até mais do que histórias interiores que eu tivesse para contar. No próprio livro do Bilac você vai ver que 90% do que está ali é documentário. Qual era a idéia da coleção? Uma coleção de livros de mistério, de ação, em que o personagem central fosse um escritor famoso, não importa de onde, qual país e época. Eu escolhi o Olavo Bilac porque achei que era um personagem que se prestava a ser colocado em situações de agilidade física, de correr perigo, de levar uma pancada na cabeça, de desmaiar, de voar num balão imaginário. Ou seja, o Bilac se prestava a isso, o Machado de Assis não, o Lima Barreto também não. O Bilac andava na rua, era um personagem da cidade. E a época também me interessava muito, pois eu estava vindo do “Ela é carioca” e já escrevi muitos livros que se passam nas décadas de 50 e 60, naquele cenário da zona sul do Rio. Eu queria fazer uma viagem ao Rio do passado e do centro da cidade, mudar de época e de espaço. Mas como você não pode mudar as pintas do leopardo, me senti na obrigação de fazer um estudo profundo sobre o Rio de 1903.

Aí é a formação do jornalista.

RUY CASTRO – Exatamente. Do biógrafo, do “historiador”. Existe uma grande quantidade de livros sobre o Rio daquela época, não só os que a descrevem diretamente. Há “O Rio do meu tempo”, do Luiz Edmundo, as biografias daquelas figuras todas, do Bilac, do Patrocínio, dos personagens menores, da Colombo, da rua do Ouvidor, existe uma vastíssima bibliografia e eu tive o prazer de ficar pelo menos uns seis meses só lendo o material. Depois que aprendi tudo sobre aquela época eu tinha que inventar, botar o Bilac numa história. A história do balão do Patrocínio é verdadeira: o José do Patrocínio começou a construir um balão exatamente como está no livro, grande parte dele com dinheiro do poder público – ele era muito respeitado – o Bilac era amigo dele, o Santos Dumont realmente foi ao Rio para ver o balão. Eu tinha a história toda, a história real. Agora, o que fazer com os dados reais? Mais uma vez fui salvo pela Heloísa Seixas, que me disse: por que você não bota alguém tentando roubar os planos do balão do Patrocínio? Entrou a cabeça da ficcionista, que eu não tenho. Aí eu inventei os franceses porque eu queria levar a história para Paris também. Mas 90% do que está ali aconteceu: aquele padre existiu, ele não tinha aquele nome, mas um nome muito parecido, o nome verdadeiro dele era Severiano de Resende; a portuguesa existiu, era uma portuguesa que se dava com escritores na Europa, meio picareta, meio pilantra, bonita à beça, totalmente amoral, que foi parar no Rio e teve um caso com o padre; até certos detalhes da história como o da mulher que bem no começo do livro vê o Bilac parado na porta da Colombo, fica olhando para ele, embasbacada, e cai no buraco que havia em frente à confeitaria. Enfim, eu não consegui me libertar do documentário, mas conversando com a Heloísa ela me disse: você está querendo fazer ficção, isso pode ser uma transição boa para você que é conhecido por fazer biografias e livros de reconstituição histórica, talvez o leitor entenda isso como uma transição para o dia em que você fizer uma ficção completa. Espero que um dia eu seja capaz de fazer isso.

Você falou “historiador”. A universidade alimenta preconceitos em relação a abordagens históricas (ou que flertam com a história) realizadas por jornalistas?

RUY CASTRO – Não tenho a menor queixa em relação a isso. Ao contrário, me dou muito bem com os historiadores do Rio, já fui convidado a dar palestras na Fundação Casa Rui Barbosa, por acaso no livro do Bilac. Tenho contato com vários deles, pessoas seríssimas como a Isabel Lustosa, a Maria Fernanda Bicalho, uma série de pessoas que me tratam muito bem, vêem com muito respeito o que faço. Agora, eu é que não posso de maneira alguma me classificar como historiador porque sei a profundidade e as dificuldades do trabalho dos verdadeiros historiadores. Eu também me aplico muito, me empenho, procuro ir a fontes que nunca foram investigadas. Não me considero pesquisador, acho essa palavra negativa (pesquisador é um enviado especial ao arquivo, é um sujeito que vai atrás de material já publicado), prefiro me considerar um investigador. Qualquer pessoa é capaz de fazer pesquisa em um departamento de pesquisa de jornal ou editora e encontrar lá aquela quantidade de material já publicado, fazer uma cozinha daquilo – como se diz no jargão jornalístico – e escrever um livro. Eu quero as fontes primárias. As minhas fontes primárias são as pessoas, porque eu trato de assuntos mais ou menos modernos. Você encontra os contemporâneos dessas pessoas aí e elas estão dispostas a falar. Os historiadores não, as fontes primárias deles geralmente são aqueles documentos maçudos, aquelas atas, aquelas coisas terríveis do século XVI. É uma coisa importantíssima o que eles fazem. Eu não preciso ir tão longe, nem tão fundo. Dentro da minha especialidade procuro ir fundo também, localizando pessoas que nunca deram declarações. Por exemplo, quando fui fazer o livro da bossa nova eu era totalmente noviço nessa coisa e as pessoas me diziam: ah, livro sobre a bossa nova, ótimo, ih, você tem que entrevistar o Carlinhos Lyra. (risos) Eu achava aquilo de uma singeleza, uma sugestão tão bem intencionada. É claro que tem que entrevistar o Carlinhos Lyra! O Carlinhos Lyra é mole. Eu tenho que entrevistar é aquele baterista que nunca conseguiu trabalhar num conjunto profissional, entendeu? Eu tenho que entrevistar é a namorada do contrabaixista que nunca foi ouvida por ninguém. Aquele fotógrafo que ficou amigo dos músicos e já está aposentado, mas que deve ter uma gaveta cheia de material e que ninguém nem sabe o nome. É isso o que eu tinha que fazer, não é? Então é um trabalho digno também e acho que está fazendo até uma espécie de escola. Eu vejo trabalhos acadêmicos, principalmente sobre bossa nova, Nelson Rodrigues, fico lendo aquelas coisas, altamente importantes, não é… e eu sei muito bem de onde tiraram as informações. (risos) Certas informações passaram a circular como se sempre tivessem existido. Não é verdade: estavam soterradas. Precisou uma pessoa para localizar aquele fulano lá no caixa-prego para você ficar sabendo certas coisas que hoje são moeda corrente.

Quais são as suas principais referências literárias?

RUY CASTRO – Eu não creio que hoje, para um garoto nascido em meados do século XX, se possa reduzir as referências só à literatura. Nós nos tornamos um compósito de milhares de outras coisas. Desde os 4 anos de idade eu leio. No dia do meu aniversário de 5 anos ganhei o meu primeiro livro, “Alice no País das Maravilhas”, tradução assinada pelo Lobato (não sei se foi ele que traduziu, pelo menos assinou), Companhia Editora Nacional. Com 8 ou 9 anos de idade meu pai mandou construir a minha  primeira estante.  Então eu tinha, por exemplo, a coleção  completa  do  Tarzan, a  coleção Terra, Mar e Ar, também  da  Companhia Editora  Nacional, toda aquela literatura infanto-juvenil, Sherlock Holmes completo, uma edição muito bonita da Melhoramentos que tenho até hoje. Tenho todos esses livros, não a maioria daqueles que tive criança, mas consegui localizar em sebos do Rio e São Paulo exatamente aquelas edições. Esse “Alice”, por exemplo, achei novinho, exatamente igual, num sebo da Praça Tiradentes por R$ 1,00 há uns três anos e para minha grande surpresa vi que era uma edição de 1934 ou 1935 (eu ganhei esse livro em 1953). Os livros tinham uma maior vida útil antigamente. Então você tem os livros, tem todos os filmes que viu. Na casa dos meus pais tinha disco até dizer chega, discos de 78 rotações, de toda espécie de música, brasileira, fado, francesa, bolero, tango, valsa vienense, orquestras americanas, Frank Sinatra, Dick Farney, Lúcio Alves. Tudo isso vai fazendo parte da sua vida. E também a rua, a rua para mim é uma grande referência literária. Assim que tive idade suficiente para poder sair para rua, ficar e circular na rua à noite, de madrugada, isso foi e é tão importante quanto todos os livros que li.

Você também é um notório cinéfilo. Já houve oportunidade ou vontade de trabalhar com cinema?

RUY CASTRO – Oportunidade, várias. Recusei todas e continuarei recusando. Cinema é uma coisa que faz muito mal à saúde, o pessoal que trabalha com cinema morre rápido. (risos) E tenho muita coisa para fazer nos próximos 40 anos. Deve ter uns 20 anos que eu não vou ao cinema, vejo pouquíssimos filmes no cinema, inclusive o diretor que eu ia ver já morreu – o Kubrick – o outro é o Woody Allen. Mas todas as noites passo um filme para mim. Tenho uns 1500 lasers e devo estar com quase mil dvds (todos os filmes, basicamente, de 1970 para trás). Eu tenho os clássicos do cinema mudo, os clássicos normais quase completos, Chaplin completo, Hitchcock completo, dezenas de filmes do Humprey Bogart, tudo do cinema americano, de cinema europeu tenho muita coisa – adoro o cinema europeu – expressionismo alemão quase completo, René Clair quase completo. Sempre fui assim, eu ia muito a Cinematecas no Rio e vi a maior parte dos filmes americanos dos anos 60 e 70 hoje considerados clássicos, na época, como filmes comerciais. E como todo garoto que gosta muito de cinema também pensei um dia: como seria bom fazer cinema. Só que em 1967, quando eu tinha 19 anos, a possibilidade de você pegar uma câmera e olhar pelo visor era mais remota do que ir à Lua, o que em dois anos já seria possível (não havia essa facilidade, não havia câmeras portáteis, domésticas). Fui à Paris pela primeira vez em 1967; ganhei um Prêmio Esso de Literatura e o prêmio era uma viagem à Europa. Naquela época, a nouvelle vague ainda estava pegando fogo. Então eu fazia coisas assim: sozinho em Paris, durante quarenta dias, andando pela cidade pra lá e pra cá, dia e noite, a pé, fazendo imaginariamente os travellings do Godard em Acossado. – Pô, o Godard filmou aqui! Eu lembrava porque já tinha visto Acossado dez vezes; eu sabia que a câmera partia daqui, fazia isso, então eu saía andando feito estátua egípcia, para frente e olhando de lado, como se fosse a câmera. (risos) Mas eu já trabalhava em jornal nessa época, no Correio da Manhã, que era o melhor jornal do Brasil, o mais importante, que derrubava ministro, presidente. Quer dizer, eu estava muito contente em ser repórter do Correio da Manhã. Então nunca considerei seriamente a idéia de trabalhar com cinema. Conversando com o Sérgio Augusto sobre isso algum tempo depois, ele me disse que todo mundo gostaria de fazer cinema ou fazer música popular ou fazer outras coisas, mas o jornal de certa maneira preenchia essas necessidades.

Você publica dois ou, no mínimo, um livro por ano. É uma produção intensa que exige bastante disciplina. Há alguma idéia sobre um personagem ou assunto que vem lhe perseguindo, mas que você não consegue colocar no papel?

RUY CASTRO – A biografia é um tipo de trabalho tão difícil, tão exaustivo, tão absorvente, que eu nunca conseguiria trabalhar com um biografado com quem não tivesse uma profunda afinidade. Deve ser um personagem que até mesmo inconscientemente esteja comigo há muito tempo. No caso da bossa nova, cresci ouvindo, foi a trilha sonora da minha geração e eu sempre quis saber como havia sido. Os livros que existiam tinham milhões de teorias, teses e discussões acadêmicas, mas eu sempre soube que música popular é outra coisa. Música popular não é concretismo, é algo que acontece aos poucos, leva tempo para se cristalizar, pode ter começado em diversos lugares ao mesmo tempo e finalmente se junta em um lugar através de uma pessoa. Enfim, eu intuía isso mais ou menos. Quando tive a idéia de fazer “Chega de saudade” essa coisa já me perseguia há muito tempo. Nelson Rodrigues então nem se fala porque praticamente aprendi a ler lendo Nelson, no colo da minha mãe, e sempre li Nelson nos jornais.

Você trabalhou com o Nelson Rodrigues?

RUY CASTRO – Fui contemporâneo dele no Correio da Manhã, em 1967. Eu era repórter, escrevia muitas vezes para o Segundo Caderno e o Nelson publicava diariamente suas memórias, que depois saíram no livro “A menina sem estrela”. Mas o Nelson não ia lá, não era funcionário do Correio da Manhã, era funcionário do Jornal dos Sports, sobretudo (ele mandava a coluna todo dia). Eu conhecia o Nelson porque ele freqüentava casas que eu também freqüentava. Cansei de estar com o Nelson, estive com ele pelo menos umas quinze vezes, como estou aqui com você. Uma delas só eu e ele numa entrevista longa que fiz para uma revista de São Paulo. Então Nelson Rodrigues também era uma coisa que me perseguia há muito tempo. Curiosamente, o Garrincha nunca me perseguiu. “O anjo pornográfico” saiu e eu estava indo para Londres com a Heloísa e falei para ela: estou com uma idéia de um livro sobre alcoolismo; queria reconstituir a trajetória de um alcoólatra. Ela fez uma cara como quem diz: é uma grande coisa, formidável.  Imediatamente o Garrincha me veio à cabeça porque eu precisava de um fio condutor para isso e não queria que fosse um fracassado, queria que fosse uma pessoa conhecida e famosa para mostrar como o alcoolismo atinge todo mundo. Mesmo “Estrela solitária” tinha uma coisa que me perseguia há muitos anos. O grande futebol do Garrincha foi jogado entre 1953 e 1962 e esse foi o período, por coincidência, em que mais gostei de futebol, entre os meus 5 e 14 anos, que na verdade é o período em que a maioria dos garotos se interessa por futebol. Dos 14 anos em diante você começa a se interessar por outras coisas. (risos)

Sofreu muito com o Garrincha…

RUY CASTRO – Sofri benignamente, como digo no livro. O primeiro jogo que vi foi Flamengo e Botafogo, em 1958,  no Maracanã. O Botafogo ganhou por 3×2, o Garrincha acabou com o Flamengo. Mas nunca vi o Garrincha como um inimigo, nem mesmo como um adversário. Ele era uma figura tão fascinante como jogador, você não consegue não gostar do Garrincha. O importante, para mim, é que acompanhei muito futebol entre 53 e 62, mas acompanhei mesmo, de ouvir todos os jogos, de ler o jornal no dia seguinte. Naquela época você tinha pouca televisão ou nem tinha, via os gols no cinema depois de alguns dias no cinejornal Esporte na Tela; havia as revistas semanais, a Manchete Esportiva. Eu sabia tudo de cor: resultado de jogo, escalação dos dois times, nome do juiz, renda, nome do bandeirinha, eventos. Futebol carioca, basicamente, e seleção brasileira. Eu sabia tudo que era possível um garoto saber do campo para fora. Quando tive a idéia do livro do Garrincha pensei: é a minha chance de descobrir tudo o que aconteceu no vestiário, nas concentrações, na casa dos jogadores, dentro das cabeças dos jogadores, ou seja, mergulhar no lado oculto da minha infância. Isso foi uma grande fascinação para mim ao fazer o livro e acho que consegui passar isso.

O livro “O vermelho e o negro” revelou a sua ligação com o Flamengo. Hoje, no entanto, o futebol profissional não se caracteriza como espetáculo vistoso e está cada vez mais orientado pela lógica mercantil. Você ainda tem o mesmo entusiasmo pelo esporte, considerando essa realidade e a triste situação porque passam os clubes brasileiros.

RUY CASTRO – Eu continuo acompanhando muito futebol, vejo futebol pelo menos duas vezes por semana; assisto a jogos na quarta e no domingo. E, por acaso, tenho a sorte de ser casado com uma mulher que também gosta de futebol.

Que maravilha!

RUY CASTRO – Torcedora do Fluminense, adora futebol. Nós vemos futebol toda quarta à noite e domingo à tarde, pela televisão. Ontem eu tentei ver um jogo – Milan e Peruggia. Mas que coisa horrorosa! Não é futebol. É de uma brutalidade, de uma estupidez, de uma violência. E esses jogadores consagrados que ganham milhões? Um bando de cabeças-de-bagre. Quando jogadores como Cafu, Zé Maria e outros começam a ser chamados de craques eu não entendo mais nada. Mas a mecânica do jogo ainda me empolga. O meu time vai muito mal de alguns anos para cá, outros também estão indo muito mal. O problema não é só dentro do campo, mas toda uma estrutura apodrecida, no Flamengo e em vários outros clubes. Dentro do campo, o Flamengo foi tri-campeão carioca há pouco tempo, foi campeão da Copa Mercosul, campeão da Copa dos Campeões, mas não é nada satisfatório para quem está habituado à glória de dois, três títulos por ano. O Flamengo produziu um livro na época de seu centenário, em 1995, e me pediram um texto. Eu escrevi o seguinte: se não houvesse a era Zico e aquele timaço que ele comandou, se eu tivesse morrido, vamos supor, um ano antes da era Zico, eu teria morrido muito feliz com o Flamengo; até então eu já havia tido todas as alegrias possíveis com o Flamengo. Nenhum de nós desconfiava que do Zico em diante estaríamos no apogeu das nossas vidas de torcedor. Então essas coisas são cíclicas: está péssimo hoje, vai melhorar amanhã.

Em “O vermelho e o negro” você destaca uma passagem da decisão do campeonato carioca de 2001, o milagroso gol de Petkovich no final dramático da partida contra o Vasco em que o fenômeno Flamengo se fez ver, dessa vez na Bienal do Livro. Eu casualmente estava lá e…

RUY CASTRO – Você estava lá? Naquela final? (risos)

Não vi a passeata que você cita, mas a comemoração. Foi uma explosão, um negócio, daquele jeito mesmo. Era o último dia da Bienal, quase noite. De repente, todo mundo saiu para os corredores pra comemorar: Pô, o que tá acontecendo!? Era o Flamengo.

RUY CASTRO – (risos) Foi um vexame, rapaz. Uma passeata no meio da Bienal. Todo mundo de Flamengo, uma coisa impressionante, correndo – eu inclusive. (risos) No meio de um bando de moleque, correndo pela Bienal. Os ingleses não deviam estar entendendo nada. (risos)

Você pretende desenvolver outro tema relacionado com o futebol? E você acha que no Brasil são publicados livros sobre futebol como se deveria ou esse é um assunto que não é levado muito a sério pelas editoras ainda?

RUY CASTRO – Sempre houve um estigma contra o livro de futebol entre as editoras brasileiras. A quantidade de livros publicados sobre futebol no Brasil é pouca em comparação com a sua importância e a dos clubes brasileiros. Esses livros mais antigos eram de editoras menores ou de editoras grandes, mas talvez não tenham desempenhado como esperado. São livros difíceis de encontrar em sebo. Isso significa que tiveram tiragens muito limitadas. Eu sempre soube que havia um estigma contra livro de futebol, como também havia contra livro sobre música popular. Dá a impressão de que quanto mais popular, quanto mais gente atinge, menos gente está interessada em ler sobre aquilo. Mas sempre conversei com o Luis Schwarcz sobre isso e nós achávamos que a razão deveria ser outra. Por que os livros sobre música popular nunca deram muito certo? Claro que deram certo, só que na medida em que tinham que dar certo. Se você faz um livro que é um estudo acadêmico sobre letras de música popular vai atingir os estudantes que estão interessados naquilo e que devem ser duas ou quatro mil pessoas em muitos anos. Quando fui fazer “Chega de saudade” jamais quis uma coisa acadêmica. Descobri desde o começo que eu não queria interromper a história que estivesse contando para dar uma aula de história ao leitor… João Gilberto gravou Chega de Saudade em 1958… naquele ano o Brasil estava sob o governo do Juscelino, que acabou de criar a indústria automobilística, que não sei o que… O João Gilberto já foi embora, entendeu? E eu estou dando uma aula de história que você não pediu. Então decidi que eu iria dar todo o panorama do Brasil e da época, mas de tal maneira dentro da história que você fosse seguindo as histórias ao mesmo tempo que absorvendo o contexto. Isso foi feito através das conversas com todo mundo: Você tinha carro na época? Que carro? Ou então: O que você bebia na época? Qual whisky você bebia? Qual refrigerante? Onde você comprava roupa? Enfim, esse tipo de coisa foi perguntado e as pessoas nem sempre entendiam porque. Assim, fui conseguindo criar a coisa. Você está fazendo um livro sobre a história de um movimento da música popular, mas o seu foco está nas pessoas que fizeram aquilo; você consegue não só fazer o leitor ir junto com você como atrai uma quantidade muito maior de leitores. Foi por isso que “Chega de saudade” vendeu quase 70 mil livros, porque não é um livro sobre a bossa nova exatamente; é um livro sobre as pessoas que fizeram a bossa nova. No caso de “O anjo pornográfico” a mesma coisa; não é um livro sobre teatro, é um livro sobre um ser humano que foi jornalista, foi autor de teatro, teve uma vida terrível, milhões de tragédias na vida. “Estrela solitária” também não é um livro sobre futebol; é sobre um ser humano que, por acaso, tinha como uniforme de trabalho calção e chuteira durante uma certa época. Eu decidi no caso do Garrincha reduzir a quantidade de passagens de jogo de futebol – fulano foi à linha de fundo para o outro cabecear – ao mínimo, em primeiro porque não vi a maior parte desses jogos, não posso garantir que foi desse jeito, não havia videoteipe naquele tempo, teria que me basear no que os jornais deram no dia seguinte, nem sei se com muita precisão (além disso, qualquer idiota inventa lance de futebol); só me limitei a narrar os lances indispensáveis na carreira do Garrincha, me concentrei na figura dele como ser humano. Acho que fiz muito bem porque consegui atrair uma quantidade grande de leitoras que não se sentiram chateadas em razão do livro estar cheio de futebol. Graças a “Estrela solitária” e graças também aos dois livros do Nelson Rodrigues sobre futebol – “À sombra das chuteiras imortais” e “A pátria em chuteiras” – criou-se um novo mercado para livros de futebol no Brasil.

“Estrela solitária” inclusive mereceu um comentário do Presidente Lula.

RUY CASTRO – Exatamente. Ao ser perguntado sobre qual livro gostaria de ter escrito, o Lula disse na campanha que seria “Estrela solitária”. Fiquei muito honrado com isso. Já iria votar nele, foi ótimo. (risos) E o Zagallo leu, na mesma época, naquela campanha pró-leitura que a Globo fez, um trecho do livro. No dia seguinte eu estava andando no centro do Rio e um mendigo me pediu o livro: – Ruy, me dá um livro! Olhei para ele, o cara sentado na esquina da Sete de Setembro com a Uruguaiana: – Mas que livro? – O livro do Garrincha. – Você acha que eu ando com o livro pra lá e pra cá? Quando passar de volta aqui eu te dou o livro. – Não, que nada, você nunca mais vai me ver. – Não, se eu passar aqui e te encontrar eu vou te dar esse livro. E fui embora. Daí uns quatro ou cinco dias eu voltei à cidade e levei o livro, mas não achei o cara.

É emocionante.

RUY CASTRO – Ah, espetacular. Um sem-teto com fome de leitura. Disse que estava lendo na biblioteca.

Para encerrar, gostaríamos que você deixasse uma mensagem aos nossos livreiros e leitores.

RUY CASTRO –Olha, só posso dizer uma coisa. Sei que as pessoas que estão na Saraiva trabalham, estão aqui profissionalmente. Eu trabalho em casa, fazendo os livros que serão vendidos pela Saraiva e por outras. Mas sempre digo: o dia em que eu morrer, eu não quero ir para o céu, eu quero ir para uma livraria.

BIOGRAFIA

Ruy Castro nasceu em Caratinga, Minas Gerais, em 1948. Ainda criança, mudou-se para o Rio de Janeiro. Graduado em Ciências Sociais pela UFRJ, iniciou sua atividade profissional em 1967 como repórter do jornal Correio da Manhã. Na seqüência, trabalhou como redator, repórter especial ou editor para as revistas Manchete, Seleções, Isto É, Playboy e Veja e para os jornais Jornal do Brasil, Folha de São Paulo e o Estado de São Paulo, entre outras publicações.

LIVROS DE RUY CASTRO

“Amestrando orgasmos” (Objetiva), “O anjo pornográfico – A vida de Nelson Rodrigues”, “Bilac vê estrelas”, “Carmen – uma biografia”, “Carnaval no fogo – Crônica de uma cidade excitante demais”,  “Chega de saudade”, “Ela é carioca – Uma enciclopédia de Ipanema”, “Era no tempo do rei – um romance da chegada da corte”, “Estrela solitária” (Cia das Letras), “O leitor apaixonado”, “Meu querido canalha” (Objetiva), “A onda que se ergueu no mar”, “O pai que era mãe”, “Saudades do século XX” (Cia das Letras), “Tempestade de ritmos”, “Um filme é para sempre”, “Ungáua ! – 101 crônicas”, “O vermelho e o negro” (Ediouro).

LIVROS ORGANIZADOS OU ADAPTADOS

“Alice no País das Maravilhas”, “O amor de mau humor – Uma antologia de frases”, “Frankestein”, “O livro dos insultos de H. L. Mencken”, “Mau humor – Uma antologia definitiva de frases venenosas”, “O melhor do mau humor – Uma antologia de citações”, “O poder de mau humor – Uma antologia de citações”, “Querido poeta – Correspondência de Vinicius de Moraes” (Cia das Letras). Além disso, o autor coordenou a edição de 12 obras de Nelson Rodrigues, duas de Max Nunes, uma de Mário Filho e organizou os cds  “Chega de saudade” e “A onda que se ergueu no mar”.

José Mindlin (1914-2010)

Postado em Livreiro, Livros sobre livros, Vídeos em 01/03/2010 por Daniel

As 10 mais do turismo literário

Postado em Lugares e viagens em 01/03/2010 por Daniel

São Petersburgo

Melhores cidades do mundo para o turismo literário segundo levantamento divulgado pela agência Reuters.  Entre parênteses, grandes escritores ligados a cada uma delas.

1 – Londres, Inglaterra (John Keats)

2 – Stratford-upon-Avon, Inglaterra (William Shakespeare)

3 – Edimburgo, Escócia (Arthu Conan Doyle)

4 – Dublin, Irlanda (James Joyce)

5 – Nova Iorque, Estados Unidos (Arthur Miller)

6 – Concord, Estados Unidos (Louise May Alcott)

7 – Paris, França (Victor Hugo)

8 – San Francisco, Estados Unidos (Allen Ginsberg)

9 – Roma, Itália (Virgílio)

10 – São Petersburgo, Rússia (Fiódor Dostoiévski)

Acho melhor não

Postado em Biblioteca Saraiva, Leituras, Literatura anglo-americana, Trechos em 28/02/2010 por Daniel

Bartleby, o escrivão – Uma história de Wall Street – Herman Melville (Cosac Naify, 2005)

O jovem Bartleby é um copiador de documentos em um escritório da Nova York do século XIX. De funcionário exemplar passa a insubordinado: rejeita todos os trabalhos que lhe são atribuídos com um simples “Acho melhor não”. O proprietário do escritório, que é o narrador da história, revela-se angustiado por não compreender a personalidade estranha e solitária de Bartleby. O absurdo da situação levou o escritor argentino Jorge Luis Borges a identificar Herman Melville (1819-1891) como precurssor de Franz Kafka, tese desenvolvida mo posfácio da fantástica edição da Cosac Naify pelo professor Modesto Carone, tradutor do autor tcheco no Brasil.

“Acho que foi no terceiro dia em que estava comigo, antes que houvesse necessidade de ter o seu trabalho verificado, e estando eu com muita pressa para terminar um pequeno negócio sob meu encargo, que chamei Bartleby abruptamente. Na pressa e expectativa natural de uma resposta imediata, sentei-me com a cabeça inclinada sobre o original na minha mesa, a minha mão direita de lado, e, um pouco nervoso, estendi a cópia para que Bartleby pudesse pegá-la e começasse a trabalhar sem demora, assim que saísse do seu retiro.

Estava sentado nessa posição quando o chamei, dizendo depressa o que eu queria que fizesse, isto é, conferir um pequeno documento. Imagine a minha surpresa, ou melhor , a minha consternação, quando, sem sair do seu retiro, Bartleby respondeu com uma voz singularmente amena e firme, “Acho melhor não”.

Fiquei sentado por algum tempo em silêncio, atônito, procurando me recompor. Então achei que os meus ouvidos tinham me enganado, ou que Bartleby não havia entendido as minhas palavras. Repeti o pedido com a maior clareza que consegui. Mas a resposta anterior veio ainda mais clara, “Acho melhor não”.

“Melhor não”, repeti como um eco, levantando-me nervoso e atravessando a sala a grandes passos. “O que quer dizer? Ensandeceu? Quero que me ajude a conferir esta página, pegue-a!”, e atirei-lhe o documento.

“Acho melhor não”, disse ele”.

Erico Verissimo

Postado em Autores, Literatura brasileira, Primeiros passos, Vídeos em 28/02/2010 por Daniel

Natural de Cruz Alta-RS, Erico Verissimo (1905-1975) foi um escritor de estilo simples, um contador de histórias hoje reconhecido como grande nome da ficção brasileira.

Filho de família tradicional, mas arruinada economicamente, Erico exerceu várias atividades profissionais antes de se dedicar à escrita: ajudante de comércio, bancário, balconista de farmácia e desenhista na imprensa.

Em alguns de seus romances procurou retratar o homem contemporâneo divorciado da religião, na busca de uma solução nem sempre otimista. Sua temática é tipicamente brasileira e, mais do que isso, gaúcha. A tentativa de recriação da história do Rio Grande do Sul foi outro ponto focal e atingiu seu ápice na trilogia “O tempo e o vento”: O continente, O retrato e O arquipélago.

Ao lado de Jorge Amado, o autor foi o romancista brasileiro com maior receptividade junto ao público. Da mesma forma, sua obra conquistou respeito da crítica e visibilidade internacional graças as muitas traduções.

Em 2005 foi comemorado o centenário de nascimento de Erico Verissimo e com os volumes da série “O tempo e o vento” a editora Companhia das Letras deu início à reedição da obra completa do escritor. 

Do autor: “Clarissa”, “Música ao longe”, “Olhai os lírios do campo”, “O resto é silêncio”, “Ana Terra”, “Um certo Capitão Rodrigo”, “Incidente em Antares”, “O senhor embaixador”, “As aventuras de Tibicuera”, “Caminhos cruzados”, “Noite”, “O prisioneiro”, “Solo de clarineta”, “Um lugar ao sol”, “A liberdade de escrever”, “Gato preto em campo de neve”, “A volta do gato preto”, “A vida de Joana d’Arc”, “Breve história da literatura brasileira”, “Fantoches e outros contos”, entre outros.

*Acima um trecho da adaptação de “O tempo e o vento” feita pela Tv Globo em 1985.

Estátuas 2 – Miguel de Cervantes

Postado em Estátuas, Lugares e viagens em 28/02/2010 por Daniel

Dando seguimento a nossa série, aqui está uma estátua do autor do inescapável “Dom Quixote”. Esta localiza-se na belíssima Cartagena das Índias, cidade colombiana banhada pelo mar do Caribe que guarda um patrimônio que mescla heranças coloniais e republicanas num centro histórico bastante preservado sob uma muralha com vários quilômetros de extensão. A estátua situa-se, precisamente, em frente à Torre do Relógio, hoje espécie de porta de entrada oficial da cidade amuralhada, e na divisa com o bairro também histórico, embora já mais degradado, de Getsemani.

Treblinka, Luther King e James Brown

Postado em Ciências humanas, Lançamentos, Música em 28/02/2010 por Daniel

Confira a seguir três dos principais lançamentos da editora Jorge Zahar para o mês de março.

Eu sou o último judeu – Treblinka (1942-1943) - Chil Rajchman

Nenhum campo de extermínio foi tão longe na racionalização do assassinato em massa quanto Treblinka. Lá, cerca de 750.000 judeus foram mortos. Apenas 57 sobreviveram. Chil Rajchman foi um deles. Por dez meses, sobreviveu ao absoluto terror. Carregou cadáveres em decomposição. Extraiu dentes dos mortos para que os nazistas aproveitassem o ouro, lavando-os em vasilhas cujos restos de água sanguinolenta mataram a sede de outros prisioneiros. Testemunhou suicídios, empalamentos, centenas de execuções. Foi chicoteado diariamente, teve tifo, sarna. Em agosto de 1943, Chil e outros prisioneiros conseguiram pôr em prática um plano de revolta. Ele foi um dos últimos judeus a escapar de Treblinka. Seu relato avassalador e detalhado, escrito ainda durante a guerra e até agora inédito, vem a público acompanhado por fotografias, mapas e a planta do campo de extermínio. Um importante testemunho do que preferíamos esquecer, mas não podemos.

(Disponível em 12 de março)

As palavras de Martin Luther King – Martin Luther King

Martin Luther King liderou uma revolução que mudou para sempre os Estados Unidos e se estendeu por todo o mundo, tornando-se símbolo da luta pela igualdade e pela paz. Foi a pessoa mais jovem a receber o Prêmio Nobel da Paz, em 1964, antes do seu assassinato. Essa luxuosa edição com capa dura reúne os trechos mais marcantes de seus discursos, sermões e livros, divididos em temas como racismo, paz, fé e religião, justiça e liberdade.

(Disponível em 19 de março)

O dia em que James Brown salvou a pátria – O show que garantiu a paz depois do assassinato de MLK – James Sullivan

Vinte e quatro horas após o assassinato de Martin Luther King, James Brown fez o que sabia de melhor: pegou o microfone e foi à luta. Embora o clima estivesse quente em Boston – com inúmeros focos de revolta contra a morte do líder pacifista negro -, o cantor insistiu em subir ao palco, tentando acalmar os ânimos na cidade. O saldo daquele dia, nos Estados Unidos, foi de mais de 40 mortos, centenas de feridos e 20 mil presos. Mas, na capital de Massachusetts, cenário de históricas disputas raciais, James Brown soube fazer prevalecer a paz, em um show corajoso e eletrizante. Centrado nesse concerto inesquecível, o livro reconstrói a vida e a carreira do pioneiro do funk nos Estados Unidos, com destaque para uma faceta pouco conhecida: a relação entre Brown, o movimento pelos direitos humanos e as lideranças negras naquele período conturbado da história americana.

(Disponível em 19 de março)

*Sinopses da editora.

10 filmes sobre futebol

Postado em Cinema, Listas, Livros sobre futebol em 28/02/2010 por Daniel

Em ano de Copa teremos muitos novos livros e reedições na praça sobre o tema futebol. Este Livro, confirmando um de seus interesses inaugurais, abordará o esporte, que alguns dizem bretão, com especial ênfase no período. Como aquecimento, aí vai uma sugestão de 10 filmes brasileiros que tratam do universo futebolístico.

1. Boleiros – Era uma vez o futebol – Ugo Giorgetti (1998)

2. Boleiros 2 – Vencedores e vencidos – Ugo Giorgetti (2006)

3. O casamento de Romeu e Julieta – Bruno Barreto (2004)

4. Linha de passe – Walter Salles e Daniela Thomas (2008)

5. O ano em que meus pais saíram de férias – Cao Hamburguer (2006)

6. Asa Branca um sonho brasileiro – Djalma Batista (1981)

7. Pra frente Brasil -  Roberto Farias (1983)

8. Barbosa – Ana Luiza Azevedo e Jorge Furtado (1988)

9. Garrincha, alegria do povo – Joaquim Pedro de Andrade (1963)

10 Pelé eterno – Aníbal Massaini (2004)

A vez dos botequins

Postado em Ligações, Poesia em 23/02/2010 por Daniel

O botequim e suas pequenas misérias e grandezas em dois livros.

A voz dos botequins e outros poemas - Paul Verlaine

A voz dos botequins, a lama das sarjetas,

Os plátanos largando no ar as folhas pretas,

O ônibus, furacão de ferragens e lodo,

Que entre as rodas se empina e desengonça todo,

Lentamente, o olhar verde e vermelho rodando,

Operários que vão para o grêmio fumando

Cachimbo sob o olhar de agentes de polícia,

Paredes e beirais transpirando imundícia,

A enxurrada entupindo o esgoto, o asfalto liso,

Eis meu caminho – mas no fim há um paraíso.

Rio Botequim 2010 (Casa da Palavra)

Estátuas 1 – Quintana e Drummond

Postado em Estátuas, Lugares e viagens, Poesia, Trechos em 20/02/2010 por Daniel

Estátuas quase sempre não são simpáticas. Em geral, colocam-se num plano distinto, o de um passado a ser reinventado para exercício do mito, para a exaltação de falsas glórias pregressas, para a justificação do presente.

As estátuas trazem homens sérios, muito sérios. Homens quase sempre, tesos em pedestais, inalcançáveis, superiores, guerreiros invencíveis ou gênios de outra classe. Nas estátuas estão pessoas diferentes de nós, seres que montam vigorosos cavalos, empunham armas, vestem trajes severos, que nunca sorriem. Nas estátuas quase não há resquício da humanidade.

As estátuas seriam o avesso da literatura, pois esta está na vida viva, imperfeita, prosaica, ordinária; na vida que se vive, estranha às imposturas elevadas. Mas a literatura também está na estatuária e, ao contrário, muitas vezes desobedece aos cânones dessa arte. Um pequeno e afetivo apanhado das estátuas baseadas na literatura no Brasil e no mundo é o que faremos nesta série: Estátuas.

Começamos com o conjunto localizado na Praça da Alfândega, em Porto Alegre, ponto central da capital gaúcha e local onde acontece entre outubro e novembro a tradicional Feira do Livro. Lá, sentando em um dos bancos da praça, está o poeta Mario Quintana, habitante durante muito tempo do centro da cidade, ouvindo a leitura do contemporâneo mineiro Carlos Drummond de Andrade.  As esculturas são do austríaco naturalizado brasileiro e já falecido Xico Stockinger.

O mapa – Mario Quintana

Olho o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo…

(É nem que fosse o meu corpo!)

Sinto uma dor infinita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei…

Há tanta esquina esquisita,
Tanta nuança de paredes,
Há tanta moça bonita
Nas ruas que não andei
(E há uma rua encantada
Que nem em sonhos sonhei…)

Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso

Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)

E talvez de meu repouso…

Ziraldo

Postado em Autores, Literatura infantojuvenil, Trechos em 20/02/2010 por Daniel

Ziraldo Alves Pinto nasceu em 1932 em Caratinga (MG). Além de escritor é cartazista, jornalista, teatrólogo, chargista, caricaturista e pintor. Começou sua carreira nos anos 50 em jornais e revistas, mas explodiu nos 60 com o lançamento da primeira revista em quadrinhos brasileira feita por um só autor: A Turma do Pererê. Durante a ditadura militar (1964-1984) fundou com outros humoristas O Pasquim – um jornal não-conformista que fez escola. Em 1969, Ziraldo publicou seu primeiro livro infantil, “Flicts”. A partir de 1979 concentrou-se na produção de livros para crianças e em 1980 lançou “O Menino Maluquinho”, um dos maiores fenômenos editoriais do Brasil em todos os tempos.

O MENINO MALUQUINHO

“Era um menino traquinas que fazia muita confusão. Um anjinho, um saci? Alegria da casa, liderava a garotada. Fazia versinhos, canção, inventava brincadeiras. Era sabido e um amigão. Menino maluquinho, diziam. Mais tarde descobriram que tinha sido um garoto muito amado e muito feliz”.

“Depois de viver muito e prestar muita atenção na vida e nos vivos é fácil perceber que as pessoas mais criativas, mais felizes, mais produtivas, mais bem ajustadas ao mundo tiveram uma infância povoada pelos livros. Estou seguro de que uma infância em que a imaginação tenha sido mais atendida – seja por um avô contador de histórias, seja por um ambiente povoado de livros – ajuda muito o ser humano no seu trajeto pela vida futura. Se o lar é bem constituído e seus componentes se comunicam intensamente, se a família se reúne para conversar, para comentar fatos e coisas, para falar de livros, de filmes e de histórias, para comentar a notícia do dia, a presença da literatura é fundamental para criar pessoas mais felizes. Num núcleo familiar em que isso não acontece, fica difícil para a literatura ter importância”. (Folha de S. Paulo – 13/08/2000)

Contornando Pavlov

Postado em Cinema, Leituras em 19/02/2010 por Daniel

Se você não acredita que o carnaval carioca seja o maior espetáculo da Terra. Se você não sabe o que é o Rebolation. Se os bonecos de Olinda lhe parecem ridículos. Se você não foi capaz de assistir ao desfile das escolas na Globo com o mesmo entusiasmo dos locutores. Se pra você um pandeiro é tão familiar quanto as regras da pelota basca. Se você não considera a praia um local minimamente civilizado pra passar uns dias nessa época. Se você acha que a Ivete Sangalo não é uma cantora. Se você prefere vestir uma camisa-de-força a um abadá. Se você não se emocionou ao ver a ala das baianas na avenida. Se você não julga ser o feriado de Momo a melhor oportunidade para dar vazão aos fluídos e encontrar guarida nos braços de algum(a) foliã(o) amiga(o). Se você acha que calor, cerveja, bunda e batucada não são a melhor tradução do país chamado Brasil. Se você não sabe ao menos três marchinhas de cor. Se você não se orgulha da hospitalidade nacional que faz com que turistas branquelos voltem imensamente gratos para lugares tão desgraçados quanto a Finlândia. Se você não enxerga a genialidade do Carlinhos Brown. Se você nunca ouviu falar em Sabrina Sato ou Grazi Massafera. Enfim, ser baixo, frustrado, perdedor, rancoroso e incapaz de ser feliz, acho que isso é pra você.

5 livros pra superar os dias de alegria condicionada.

O silencieiro – Antonio Di Benedetto (Globo, 152pp.). Por volta dos anos 50, um homem jovem é transtornado pelo barulho que uma grande cidade latino-americana produz. Cada ruído faz parte do inferno diário e sem trégua do protagonista. A sensibilidade à minúcia dos ruídos que não consegue controlar o faz perambular pela cidade, essencialmente solitário. História bem construída com destaque para os dilaceramentos do personagem – “o ruído não me permite existir”.

Sabedoria do nunca – Juliano Garcia Pessanha (Ateliê, 134pp.). Uma ficção curta, alguns fragmentos poéticos e um pequeno ensaio compõem o primeiro volume da trilogia escrita por esse autor brilhante e angustiado. Aqui está a dor e a incerteza crua de viver e, mais, a impossibilidade de viver o mundo dos vivos, a sensação da impossibilidade de pertencer ao mundo em volta.

Fup – Jim Dodge (José Olympio, 96pp.). Fup, uma pata gorda, temperamental e com características humanas; vovô Jake, um nonagenário desbocado que produz um uísque chamado “velho sussurro da morte”; Miúdo, um rapaz de mais de 1,90m cuja ocupação é construir e aperfeiçoar cercas. Esses são os personagens que vivem em uma fazenda nos EUA uma intensa amizade.

Lost Girls – vol. 3 – O grande e terrível – Alan Moore e Melinda Gebbie (Devir, 112pp.). Terceiro volume da série de quadrinhos eróticos que envolve três personagens clássicos da literatura infantil, Alice (Alice no país das maravilhas), Dorothy (O mágico de Oz) e Wendy (Peter Pan), na pura sacanagem. Você irá descobrir o lado negro (ou luminoso) dessas, até então, castas meninas.

The Marx Brothers – (Taschen, 192pp.). Também da malfadada série “pra adornar mesas de centro”, esse número da coleção Movie Icons traz a trajetória cinematográfica dos irmãos Marx registrada em fotos e pequenas legendas explicativas (em português). Bom pra relembrar e anotar filmes dos Marx ainda a serem vistos. Numa das fotos, Groucho e Chico estão com Buster Keaton, o que nos faz sugerir: satisfação a toda prova é uma retrospectiva tanto dos brothers quanto de Keaton.

E 5 filmes, de quebra, pra ajudar na tarefa.

Feitiço do tempo – Harold Ramis (1993). 2 de fevereiro é o Dia da Marmota. Sim, desde já, pra mostrar que não estou de má vontade, uma comédia. É um filme sacadinho, simpático, com questões interessantes além do divertimento, em que os dias se repetem para um desafortunado (ou seria afortunado, considerando o fator Andie MacDowell?) Bill Murray.

A marca da maldade – Orson Welles (1958). Clássico noir que mostra a luta do bem contra o mal. Não. O filme é do Orson Welles, então a trama se complica. Nisso tem a Marlene Dietrich no papel de uma adivinha e amante do tira sem escrúpulos, a lânguida Janet Leigh casada com o canastrão investigador Charlton Heston e uma série de mexicanos toscamente esteriotipados. Ok. Mas o que realmente importa é o desempenho arrebatador de Wells como o capitão Hank Quinlan.

Iracema, uma transa amazônica – Jorge Bodanszky e Orlando Senna (1974). Esse sim é o que se pode chamar cult. Peréio, ele mesmo, Paulo César Peréio, espetacular, num filme híbrido entre a ficção e o documentário que tem como cenário a última fronteira, a Amazônia à época do milagre brasileiro. Um pouquinho de Brasil real, Iáiá. A última cena, o Peréio bebendo cachaça com as putas do lugar, é antológica.

Sobre café e cigarros – Jim Jarmusch (2003). Conjunto de cenas em que duas ou três pessoas conversam sobre assuntos tão banais quanto improváveis. Alguns episódios são muito bons. Só uma coisa não varia: a onipresença de cafés e cigarros pra embalar e dar sentido às charlas. Entre outras participações, tem o Roberto Begnini, o Iggy Pop, a Cate Blanchet em duplo papel, White Stripes e o Bill Murray.

O pântano – Lucrécia Martel (2000). Já que não estaremos reféns da leveza, veja esse ótimo filme desagradável. No calorento norte da Argentina uma família é tomada pela desagregação física e moral: uma mãe que não sai da cama, um pai bêbado, irmãos que se desejam, uma menina que assedia a arisca empregada índia. Tudo à beira de uma piscina podre que não é limpa há muito tempo.

Máximas do mestre Shaw

Postado em Autores, Leituras, Literatura anglo-americana, Trechos em 09/02/2010 por Daniel

“Não deveis supor, só por eu ser um homem de letras, que nunca tentei ganhar a vida honestamente”.

“O homem razoável adapta-se ao mundo; o desarrazoado insiste em tentar adaptar o mundo a si mesmo. Por isso, todo progresso depende do homem desarrazoado”.

“Neste mundo sempre há perigo para aqueles que o temem”.

“É certo que um romance não pode ser ruim demais para não ser publicado… Mas é decerto possível que um romance seja bom demais para ser publicado”.

Socialismo para milionários – Bernard Shaw (Ediouro, 2004)

Do autor: “A profissão da senhora Warren (Peixoto Neto) e “O Teatro das ideias” (Cia das Letras).

Shakespeare and Co. e Leonardo da Vinci

Postado em Ligações, Livreiro, Lugares e viagens, Vídeos em 07/02/2010 por Daniel

Shakespeare and Co.

Acesse pelos links abaixo os vídeos do programa Mundo S/A da Globo News que contam um pouco da história e retratam o clima de duas importantes livrarias em atividade, a parisiense Shakespeare and Co. e a carioca Leonardo da Vinci.

Shakespeare and Co.: http://bit.ly/axNhfS

Leonardo da Vinci:  http://bit.ly/9UMIs7

O último mito do rock também em livros

Postado em Biografia, Música em 02/02/2010 por Daniel

Há quase 16 anos o líder do Nirvana, Kurt Cobain, morria em sua casa, na cidade de Seattle (EUA). Compositor, guitarrista e vocalista, líder do grunge – movimento que deu novo impulso ao rock – Cobain pôs fim à própria vida poucos dias depois de ficar internado em razão de um coma provocado por overdose. Um tiro de espingarda no auge do sucesso.

Kurt Donald Cobain nasceu em 20 de fevereiro de 1967 em Aberdeen, cidade a 110km de Seattle, estado de Washington. Na infância pobre, considerado uma criança hiperativa, a ele eram dados remédios para se concentrar nos estudos e dormir à noite. A separação dos pais, quando tinha nove anos, o marcou negativamente; a partir de então morou com vários parentes (“Lembro-me de me sentir envergonhado o tempo inteiro. Eu queria desesperadamente ter uma família nos moldes tradicionais”).

Odiando os estudos, o garoto Kurt pintava, cantava e ouvia rock. Já aos 15 anos Cobain cultivava o niilismo que o caracterizaria e expressava desejos suicidas, segundo Charles Gross, autor da biografia “Mais pesado que o céu” (Globo), escrita a partir de extensa pesquisa, entrevistas e dos diários do artista.

Cobain ganhou sua primeira guitarra aos 14 anos e formou o Nirvana com Krist Novoselic aos 19. O primeiro disco – Bleach – é de 1989. Em 1991 saiu o clássico Nevermind, que alçou o trio (com Dave Grohl na bateria) à fama. Neste estão as duas músicas mais conhecidas da banda: Smells like a teen spirit e Come as you are. Em 1992 Cobain se casou com a cantora Courtney Love e teve uma filha. Em 1993 o Nirvana lançou seu último disco em estúdio, In utero – o também já clássico Acústico MTV veio em 1994.

Envolvimento pesado com drogas, tristeza e desesperança, as pressões do sucesso, uma constante dor de estômago. Aos 27 anos, Kurt Cobain preferiu “queimar de uma vez a desaparecer devagar”, como escreveu em seu bilhete de despedida, usando um trecho da música My My, Hey Hey, de Neil Young.

Tudo isso e mais está nos livros já lançados sobre Cobain no Brasil. Além da já citada biografia de Gross, você pode conferir:

Cobain (Springs)

Come as you are – a história do Nirvana – Michael Azerrad (Madras)

Kurt Cobain – fragmentos de uma autobiografia – Marcelo Orozco (Conrad)

Trechos do bilhete suicida de Cobain

“O fato é que eu não posso enganar vocês, ou qualquer um, simplesmente não é justo para mim nem para vocês. O pior crime que eu posso pensar seria o de enganar as pessoas ao fingir que estou me divertindo 100%”.

“Sou uma pessoa de humor muito errático e não tenho mais a paixão. Paz, amor, empatia, Kurt Cobain”.

Destaques da Record em fevereiro

Postado em Lançamentos em 01/02/2010 por Daniel

A editora Record acaba de divulgar seus próximos lançamentos. Veja a relação.

O aliciador – Donato Carrisi (Romance)

O que eu não contei – Azar Nafisi (Biografia)

Gentleman – Klas Östergren (Romance)

O estandarte da honra – Jack Whyte (Romance)

A casa de chá – Ellis Avery (Romance)

Arca sem Noé – Regina Rheda (Conto)

Curral da morte: o impeachment de sangue, poder e política no Nordeste – Jorge Oliveira (Reportagem)

O ouro de Moscou – Isidoro Gilbert (História)

Maiakóvski: um homem só coração

Postado em Autores, Biografia, Literatura russa, Poesia, Trechos em 31/01/2010 por Daniel

“Quando o poeta se encontra no ponto mais baixo, o mundo deve realmente estar virado às avessas. Se o poeta não está mais autorizado a falar em nome da sociedade, mas apenas no seu, não resta mais dúvida que descemos à última vala”.

Henry Miller em “A hora dos assassinos” (L&PM)

Vladimir Vladimirovitch Maiakóvski nasceu em 1893 na Geórgia, então Império Russo. Após a morte do pai, em 1906, mudou-se com a família para Moscou. Em 1908, aos 15 anos, filiou-se ao partido bolchevique (socialista), sendo preso duas vezes, a última delas por onze meses. Em 1910 ingressou na Escola de Belas Artes, de onde foi expulso quando já se encontrava ligado ao movimento futurista. Participou da elaboração do primeiro manifesto futurista russo e tornou-se uma das mais representativas figuras do movimento.

Após a revolução russa de 1917, Maiakóvski colaborou com o novo regime, participando ativamente em funções culturais. Suas inovações estéticas, todavia, trouxeram-lhe conflitos crescentes com as autoridades do período stalinista. Foi tachado pelos burocratas como “incompreensível para as massas”. Maiakóvski sustentava que “não há conteúdo revolucionário sem forma revolucionária”. Assim, a linguagem que empregava era a do dia a dia, sem nenhum apego a formalismos então em voga.

Sua obra é profundamente revolucionária na forma e nas idéias defendidas. Maiakóvski foi um homem de grandes paixões, arrebatado e lírico, épico e satírico ao mesmo tempo.  Nos últimos três anos de vida levou seus versos a mais de 180 mil pessoas em conferências e recitais por várias cidades, coerente com sua vida e seus múltiplos interesses (escreveu também peças teatrais e roteiros de cinema, além de ter se dedicado ao desenho e à propaganda).

Maiakóvski suicidou-se em Moscou, em 14 de abril de 1930, talvez pela falta de perspectivas que via para a sua arte, talvez por problemas de saúde, talvez pelos relacionamentos amorosos infelizes. Seja como for, sua existência brilhante e visceral continua viva, bem aqui.

Do autor: Minha descoberta da América (Martins), Mistério bufo (Musa), O percevejo (34), Poemas (Perspectiva) e Poética – como fazer versos (Global).

Sobre o autor: Maiakóvski e o teatro de vanguarda (Perspectiva), Maiakóvski – o poeta da revolução (Record), Maiakóvski – vida e obra (Paz e Terra), Maiakóvski – vida e poesia (Martin Claret) e A poética de Maiakóvski (Perspectiva).

A Flauta-Vértebra

Prólogo

A todas vocês,

que eu amei e que eu amo,

ícones guardados  num coração caverna,

como quem num banquete ergue a taça e celebra,

repleto de versos levanto meu crânio.

Penso, mais de uma vez:

seria melhor talvez

pôr-me o ponto final de um balaço.

Em todo caso

eu

hoje vou dar meu concerto de adeus.

Memória!

Convoca os salões do cérebro

um renque inumerável de amadas.

Verte o riso de pupila em pupila,

veste a noite de núpcias passadas.

De corpo a corpo verta a alegria.

Esta noite ficará na História.

Hoje executarei meus versos

na flauta de minhas próprias vértebras.

1915 (Tradução de Haroldo de Campos e Boris Schnaiderman)

A Sierguéi Iessiênin (Fragmentos)

Remédio?

Para mim, despautério:

mais cedo ainda

você estaria nessa corda.

Melhor morrer de vodca

que de tédio!

Por enquanto

há escória de sobra.

O tempo é escasso –  mãos à obra,

Primeiro é preciso

transformar a vida,

para cantá-la – em seguida.

Para o júbilo

o planeta está imaturo.

é preciso arrancar alegria ao futuro.

Nesta vida

morrer não é difícil.

O difícil

é a vida e seu ofício.

1926 (Tradução de Haroldo de Campos)

Fragmento 1

Me quer? Não me quer? As mãos torcidas

os dedos

despedaçados um a um extraio

assim se tira a sorte enquanto

no ar de maio

caem as pétalas das margaridas

Que a tesoura e a navalha revelem as cãs e

que a prata dos anos tinja sem perdão

penso

e espero que eu jamais alcance

A impudente idade do bom senso

1928-1930 (Tradução de Augusto de Campos)

Outro olhar sobre o Haiti

Postado em Ciências humanas em 29/01/2010 por Daniel

Toussaint L'Ouverture, líder da independência haitiana

A tragédia humana e social que ocorre no Haiti também é uma oportunidade para conhecer a singular história desse país e de seu povo, enxergar para além do imediato e do sucessivo fracasso que tem sido a trajetória haitiana nas últimas décadas e entender as implicações de sua formação no cenário atual.  

País mais pobre da América, o Haiti foi o primeiro território a tornar-se independente na América Latina e o fez por meio da revolta dos escravos negros contra o colonizador, a França. Independência conquistada em combate e que lhe valeu o isolamento internacional porque avançada demais para a época, porque levava a sério os ideais da revolução francesa e porque, maldição suprema, foi realizada por escravos (num momento em que a escravidão era largamente utilizada por países como EUA e Brasil).  

Há pouca bibliografia disponível em português sobre o Haiti. Nos últimos anos, por conta da participação brasileira na missão de paz da ONU, surgiram alguns títulos em torno dessa experiência militar. Fora isso, há obras com enfoque mais ou menos acadêmico e um livro fundamental chamado “Os jacobinos negros”.  

Veja a seguir a nossa seleção e também a transcrição do artigo publicado essa semana pelo sempre lúcido Sérgio Augusto.  

1. Haiti (col. Tudo é História) – Marcelo Grondin (Brasiliense)  

Introdução básica à história do país.  

2. A república negra – histórias de um repórter sobre as tropas brasileiras no Haiti – Luís Kawaguti (Globo)  

Relatos de um repórter da Globo que acompanhou o trabalho das tropas brasileiras no Haiti.  

3. Um olhar sobre o Haiti – Elizeu de Oliveira Chaves (LGE)  

Enfoque na questão da migração como aspecto fundamental da história haitiana.  

4. Um soldado brasileiro no Haiti – Tailon Ruppenthal (Globo)  

Relato de um soldado brasileiro da força de paz da ONU sobre a missão no Haiti.  

5.  Os jacobinos negros – C. L. R. James (Boitempo)  

Escrito em 1938, portanto no auge das ideias racistas, por Cyril Lionel Robert James (1901-1989), professor e ativista de movimentos anti-coloniais e socialistas nascido em Trinidad e Tobago, esse clássico revela o papel da escravidão no sistema internacional centrando-se na opressão aos negros. Ao abordar a revolução que os escravos liderados por Toussaint L’Ouverture empreenderam e o cerco a que foram submetidos por conta disso é possível identificar raízes históricas para o atual panorama de indigência em que vive o país caribenho.  

 

O Haiti que importa – Sérgio Augusto

O Estado de S. Paulo (24.01.2010) 

Além da terra lacerada por terremotos e colonialismo, existe outro país, de duros guerreiros, músicos de ponta, grandes pintores

Há quem ligue o Haiti a Caetano Veloso ou a Graham Greene. Melhor do que nada. Muitíssimo melhor do que reduzir o Haiti ao vodu (ou à caricatura do culto de origem africana perpetuada mundo afora), a golpes de Estado, terremotos e furacões, desmatamentos e miséria, aos Tonton Macoutes e ditadores de óculos escuros espelhados. Mas existe um outro Haiti, anterior e posterior a Papa Doc e Baby Doc Duvalier, que tampouco está na música de Caetano e no romance satírico Os Comediantes, de Greene, e esse é o Haiti exemplar, o Haiti que importa: o Haiti de Toussaint L”Ouverture e Jean-Jacques Dessalines, Jean David Boursiquot e Wyclef Jean – o Haiti heroico e criativo.

L”Ouverture iniciou a libertação da ilha, concluída por Dessalines em 1804; Boursiquot é uma das glórias da renomada pintura naïf haitiana; Wyclef Jean, um rapper de fama mundial. Nas artes plásticas e na música (compas, zouk), os haitianos não disputam a repescagem. Encantei-me por seus pintores primitivos há mais de 30 anos, numa mostra em Miami, onde conheci, com vergonhoso atraso, os carnavais e as bodas de Boursiquot, as marinas de Jonas Camille Hector, as caçadas de Wilson Brigaud, os mercados de Fritzner Alphonse, cujas imagens nos remetem a Rousseau, Tarsila e Guignard.

Foi aí que deixei de associar o Haiti, única e exclusivamente, aos esbugalhados zumbis antilhanos dos filmes produzidos por Val Lewton e a uma americana chamada Kate. Invenção de Cole Porter, Kate foi até Porto Príncipe, nos anos 1930, para um descanso, mas lá apaixonou-se por um haitiano, depois por outro, e mais outro, adiando sempre a volta, até decidir-se por nunca deixar o Haiti, cujo turismo cresce exponencialmente depois que ela publica um livro sobre os mil encantos da ilha. A deliciosa ninfômana viveu até os 80 e teve funeral de luxo.

A canção Kate Went to Haiti foi composta por Porter para o musical Du Barry Was a Lady, cujo protagonista a certa altura sonhava que era Luís XV, às voltas com Madame Du Barry, a legendária amante do rei da França. Em 1793, quando Du Barry foi guilhotinada, o Haiti ainda se chamava St. Dominique e era a mais rica colônia europeia no Novo Mundo. Metade da produção mundial de café e açúcar saía de lá, não de Santo Domingo, a colônia espanhola do lado oriental da Ilha Hispaniola, futura República Dominicana.

Os escravos africanos que tocavam a agricultura de St. Dominique eram tratados com extrema crueldade pelos usineiros e cafeicultores franceses. Quem saía da linha, tinha o reto entupido de pólvora e o corpo implodido. Menos de uma década depois de Du Barry ter subido ao cadafalso, os escravos se revoltaram, sob a liderança de Toussaint L”Ouverture, a quem Napoleão mandou trancafiar num calabouço francês até que morresse de fome e sede. Em abril de 1803, o Espártaco creole afinal morreu. Nove meses depois, St. Dominique conquistou sua independência, proclamada por Jean-Jacques Dessalines.

Se tivesse sido branco, como Bolívar, e o Haiti não fosse apenas uma ilha, o general negro que derrotou Napoleão seria uma figura histórica bem mais conhecida no resto do continente. Vários livros inspirou, entre os quais Os Jacobinos Negros, do jamaicano C. L. R. James (traduzido pela Boitempo), e uma elogiada peça teatral do martiniquense Édouard Glissant, mas há anos que o ator americano Danny Glover luta contra o desinteresse dos produtores de cinema por imortalizá-lo na tela.

A França não vendeu barato a perda da colônia e a expulsão violenta de seus colonos. Com sua poderosa armada, embargou o comércio do Haiti, exigindo-lhe 150 milhões de francos de indenização pelos prejuízos causados pela independência, quantia extorsiva considerando-se que, na mesma época, a França vendeu a Louisiana aos Estados Unidos por 80 milhões de francos. Da nascente república norte-americana os haitianos, a rigor, só receberam ajuda de Alexander Hamilton, que colaborou na redação da primeira Carta Magna esboçada por L”Ouverture. Thomas Jefferson, antes mesmo de chegar à presidência, já antagonizava a nascente república antilhana. Tinha 180 escravos; não preciso explicar mais nada.

Com sanções comerciais e outros tipos de boicote, os Estados Unidos forçaram os haitianos a contraírem uma dívida colossal, em bancos americanos e franceses, que chegou a US$ 20 bilhões e só foi ressarcida em 1947. Reconhecer o Haiti como país independente, a Casa Branca só o fez em 1863, ou seja, com quase 60 anos de atraso. Mais um feito de Abraham Lincoln.

Por temer interferência alemã na zona do Canal do Panamá, os Estados Unidos de Woodrow Wilson ocuparam o Haiti em 1915 e lá ficaram durante 19 anos e cinco presidentes, o último dos quais, Franklin Delano Roosevelt, autor de uma nova Constituição imposta aos haitianos pela administração Wilson, de que Roosevelt fora subsecretário da Marinha. A nova Constituição, no melhor estilo uti possidetis, preludiou a degradação econômica e ambiental do país, cujas luxuriantes florestas de mogno e pinho caribenho foram dizimadas em questão de anos.

Para evitar “outra Cuba” nas vizinhanças, quatro presidentes republicanos e três democratas toleraram as atrocidades e as roubalheiras da ditadura Duvalier, que se perpetuou no poder de 1957 a 1986. Era Bush pai quem ocupava o Salão Oval quando o primeiro presidente democraticamente eleito do Haiti, Jean-Bertrand Aristide, foi derrubado em 1991, com a colaboração de Washington. Reconduzido ao governo três anos depois, com o beneplácito e uma coleira de Bill Clinton, Aristide passou três anos tratado como pária pelo Bush filho. Não era o fantoche ideal e acabou derrubado em 2004, no melhor estilo Zelaya, sob as baionetas dos marines e o dedo em riste do embaixador James Foley.

Jared Diamond dedicou 31 das 681 páginas de Colapso para explicar o que aconteceu com o Haiti (e a República Dominicana) desde a chegada de Colombo. Outros estudos existem, eventualmente mais detalhados, mas esse, traduzido há quatro anos pela Record, continua sendo o mais acessível. Sua leitura muito nos ajudará a evitar interpretações equivocadas do aparente beco sem saída haitiano. Quando pensar no Haiti e rezar pelo Haiti, tenha sempre em mente que os maiores flagelos que o atingiram nos últimos 500 anos não foram exatamente causados pela natureza.

Com Holden e Phoebe, sempre

Postado em Autores, Trechos em 28/01/2010 por Daniel

Morreu Jerome David Salinger, autor do livro que incendiou e incendiará juventudes.

Agora é hora de retomar o talvez esquecido exemplar velho e cinza do Apanhador e, com o impulso juvenil de Holden e Phoebe, saber que a vida pode ser mais do que consumir e cumprir convenções.

“Aí, de repente, comecei a chorar. Não consegui evitar o troço. Chorei baixinho para que ninguém me ouvisse, mas chorei. A Phoebe ficou apavorada quando me viu chorar e veio para perto de mim, me pedindo para parar. Mas depois que a gente começa, não consegue parar assim à toa. Quando comecei a chorar ainda estava sentado na beira da cama, e aí ela passou o braço por trás do meu pescoço e eu também pus o meu em volta dela, mas sem conseguir parar. Chorei um tempão. Pensei que ia morrer sufocado ou coisa que o valha. Puxa, nunca vi a pobrezinha da Phoebe tão apavorada. A droga da janela estava aberta e a Phoebe estava tremendo e tudo, porque só estava com o pijama em cima da pele. Mandei ela voltar para a cama, mas ela não quis. Até que enfim consegui parar de chorar. Mas custou um bocado. Aí acabei de abotoar o sobretudo e prometi a ela que ia telefonar. Respondeu que, se eu quisesse, podia dormir com ela, mas eu disse que não, que era melhor dar no pé, porque o Professor Antolini estava me esperando e tudo. Aí tirei o chapéu de caça do bolso e dei pra ela. Ela gosta desses chapéus malucos. Só a muito custo aceitou. Sou capaz de apostar que dormiu com ele na cabeça. Ela gosta muito desse tipo de chapéu. Aí eu disse de novo que ligava para ela, se desse jeito, e saí.”

(O apanhador no campo de centeio – J. D. Salinger. Ed. do Autor, pp. 175)

Do autor: Carpinteiros, levantem bem alto a cumeeira e Seymour, uma apresentação (L&PM), Franny e Zooey (Ed. do Autor) e Nove estórias (Ed. do Autor).

Nem só de mais vendidos

Postado em Livreiro, Primeiros passos em 27/01/2010 por Daniel

Stephen King

No mercado editorial a busca pela fabricação de best sellers é intensa. A expansão ou certa lógica desse mercado exige cada vez mais autores com temas capazes de atrair a atenção do público e, ideal, repetí-los o máximo possível com sucesso de vendas, como numa linha de produção. As editoras que atuam nessa diretriz definem regras para atingir o gosto médio consagrado, com toda carga de imprecisão que isso representa.

Por definição, ser um best seller não prejudica a qualidade literária de um livro. Distante de qualquer juízo, a expressão diz tudo: seu atributo é a quantidade vendida.

A necessidade de produzir best sellers gera ícones, super estrelas da máquina literária. Nomes como o brasileiro Paulo Coelho, a chilena Isabel Allende e os estadunidenses John Grisham e Stephen King construíram fortunas com a venda de milhões de exemplares e a tradução para vários idiomas de suas inúmeras obras.

Uma livraria, contudo, não sobrevive só com best sellers. Eles representam muito no faturamento, são o pães quentes. Mas todos os tem, inclusive pontos alternativos como bancas de revista, supermercados, postos de gasolina, farmácias e, sobretudo, sites diversos, varejistas que não tem o livro como principal negócio. Isso faz com que os preços desses títulos tendam para baixo, afetando as livrarias. Daí a receita para essas ser casar uma forte presença de lançamentos com catálogos consistentes nas diversas áreas do conhecimento. Fato óbvio, mas nem por isso sempre praticado.

Concertos para a juventude: Persépolis

Postado em Cinema, Literatura infantojuvenil, Quadrinhos em 24/01/2010 por Daniel

Persépolis 1 – Marjane Satrapi (Cia. das Letras, 2004)

Autobiografia em quadrinhos de uma menina iraniana que vive os agitados dias do movimento que derrubou o Xá e desembocou na revolução islâmica em 1979.

Compreendendo a história de seu país através da convivência com familiares e amigos que tem tradição de lutas a narradora se descobre em contato com realidades extremas.

Divertido e bem humorado, mas igualmente profundo e sensível: a injustiça vista pelos olhos de uma criança. Mas não só: o livro leva, longe dos estereótipos a que estamos acostumados, a tomar contato com um Irã muito mais próximo do que comumente se imagina – de resto, essa percepção também pode ser encontrada no cinema iraniano, como no belíssimo A Maçã.

Esse é o primeiro de uma série de quatro livros da história de Marjane (há uma edição em volume único).

A série está também em um premiado filme disponível em dvd.

Pasárgada: Ovídio Martins x Bandeira

Postado em Ligações, Literatura africana, Literatura brasileira, Poesia em 24/01/2010 por Daniel

Anti-evasão

Ovídio Martins (Cabo Verde – 1928)

Pedirei
Suplicarei
Chorarei

Não vou para Pasárgada

Atirar-me-ei ao chão
E prenderei nas mãos convulsas
Ervas e pedras de sangue

Não vou para Pasárgada

Gritarei
Berrarei
Matarei

Não vou para Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada

Manuel Bandeira (Brasil – 1886-1968)

Vou-me embora pra Pasárgada

Lá sou amigo do rei

Lá tenho a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada

Aqui eu não sou feliz

Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconseqüente

Que Joana a Louca de Espanha

Rainha e falsa demente

Vem a ser contraparente

Da nora que nunca tive

E como farei ginástica

Andarei de bicicleta

Montarei em burro brabo

Subirei no pau-de-sebo

Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansado

Deito na beira do rio

Mando chamar a mãe-d’água

Pra me contar as histórias

Que no tempo de eu menino

Rosa vinha me contar

Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo

É outra civilização

Tem um processo seguro

De impedir a concepção

Tem telefone automático

Tem alcalóide à vontade

Tem prostitutas bonitas

Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste

Mas triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar

— Lá sou amigo do rei —

Terei a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada.

José Olympio divulga lançamentos

Postado em Lançamentos em 22/01/2010 por Daniel

A editora José Olympio anunciou seus próximos lançamentos. A previsão é de que estejam disponíveis em 29 de janeiro. Confira.

Uma mulher inacabada – Lillian Hellman  (Memórias)

Primeiro dos três volumes de memórias, Uma mulher inacabada versa menos sobre teatro e literatura do que sobre os autores com os quais Lillian Hellman (1905-1984) conviveu. Nascida em Nova Orleans, Ms. Hellman viveu a maior parte do tempo em Nova York , onde travou amizade com grandes escritores e intelectuais, como Ernest Hemingway, Arthur Miller, John dos Passos e viveu por mais de trinta anos com Dashiell Hammett. 

Destino poesia – Italo Moriconi (org.) (Poesia)

Esta coletânea reúne alguns dos mais talentosos poetas dos anos 1970: Ana Cristina Cesar, Cacaso, Paulo Leminski, Torquato Neto e Waly Salomão. Vivendo em um tempo de repressão política e de acirrada contestação, esses poetas misturam utopia, criatividade e vertigem. Todos nos deixaram cedo demais. Como observa Italo Moriconi, “os cinco deram respostas vivenciais e estéticas a seu tempo, regido pela lei número um da loucura utópica: mais vale viver 100 anos em 10, que 10 anos em 100. Como resultado da aceleração vital em que se jogaram inteiros na escrita, acabaram por reatualizar o mito romântico, do caráter aventureiro e arriscado, fatal ou trágico, de um ‘destino de poeta’”.

A balada do café triste – Carson McCullers (Contos)

Carson McCullers (1917-1967) publicou seus principais livros na década de 1940 e consagrou-se pela originalidade em suas obras. De saúde sempre instável morreu aos 50 anos. A balada do café triste é uma reunião de contos em cenários macabros, amor e ódio se entrelaçam, e a solidão das almas não parece ter fim. A primeira história, que dá título ao livro, foi levada às telas, num filme com Vanessa Redgrave e Keith Carradine.

O vinho da juventude – John Fante (Contos)

Raros autores foram tão obcecados por seu alter ego como o americano John Fante (1919-1983). O (anti)herói autobiográfico Arturo Bandini aparece em O caminho de Los Angeles, Espere a primavera, Bandini e Pergunte ao pó. Em O vinho da juventude, Fante introduz um novo alter ego, Jimmy Toscana. Nestes 13 contos, ele transpõe as pequenas epifanias do Dublinenses de James Joyce para a comunidade italiana do Norte de Denver, revendo o mundo da sua infância pelos olhos de um menino.

Os anos loucos: Paris na década de 1920 – William Wiser (História)

Crônica de uma década de efervescência cultural em Paris, a cidade para onde “todo mundo foi”, onde tudo acontecia. Paris nos anos 1920 era barata, excitante e repleta de artistas e intelectuais, ricos e novos-ricos que movimentaram os cafés da Rive Gauche e todo o grande período da arte do século XX. Lá estavam Josephine Baker, Sylvia Beach, Samuel Beckett, Coco Chanel, Colette, E. E. Cummings, Scott Fitzgerald, Ernest Hemingway, James Joyce, Modigliani, Picasso, Cole Porter, Gertrude Stein, entre outros.

Corrida selvagem – J. G. Ballard (Ficção)

Um perfeito condomínio de classe alta em Londres: neste cenário, J. G. Ballard (1930-2009) descreve a investigação de um assassinato em massa. Corrida selvagem revela o fascínio e a repulsa do autor pelas conquistas tecnológicas, numa parábola sobre o controle e a superproteção dos pais, que levam a consequências inesperadas. O livro é absolutamente original e atual, sobre uma sociedade que sente necessidade de estar permanentemente vigiada e de ser – ou parecer – feliz.

* Sinopses da editora.

De tudo que um mago é capaz

Postado em Autores, Literatura brasileira, Literatura de entretenimento em 22/01/2010 por Daniel

Paulo Coelho divulgou no Twitter quais são seus escritores preferidos. Dentre eles estão Oscar Wilde, Kafka, Borges, Jorge Amado, Henry Miller e Balzac.

Este Livro, após o exaustivo exame dos últimos tweets do autor – por hora não conseguiremos alcançar a obra completa – chegou à conclusão de que só a modéstia, virtude amiga dos genuínos vencedores, impediu Coelho de dizer que mais do que preferência, a leitura desses autores o influenciou decisivamente, marcando seu estilo e universo narrativo.

Dúvidas? Vejamos.

1. Não sou um corpo com uma alma. Sou uma alma com uma parte visível chamada corpo. (20.01)

Ambíguo como só Oscar Wilde o saberia.

2. Não defina seu objetivo de vida baseando-se naquilo que deseja agora.  (19.01)

Coisa que o Henry Miller nem sempre praticou. Ainda que morto, vale alertar seus eventuais seguidores.

3. Perdoe, mas não esqueça. Ou sofrerá de novo. (18.01)

Produto de uma leitura menos rasa do Kafka.

4. Dia do Sorriso em 2 semanas. Quem bom que não preciso ir em uma loja comprar um p/dar de presente. (18.01)

Difícil. Esse remete, talvez, a autores obscuros que, bem dito, desconhecemos; demérito nosso.

5. Quando fecharem as portas que não levam a lugar nenhum, joguem a chave longe! Pq a tendência é querer voltar. (12.01)

Aha! Voltar e se perder no labirinto infinito. Com a chave. Sem a chave. Borges puro.

6. A vida não é o porto. A vida é o barco. (11.01)

Bêbado, aliás. Mais uma vez a modéstia impediu a citação: Rimbaud.

7. Escrevi em inglês que os HOMENS estão desaparecendo da terra. Restam reprodutores, nada mais. (08.01)

O sertão está dentro da gente. Ou não. Jorge Amado ou Capitão Rodrigo?

8. Meditando no estacionamento: mesmo que esteja cheio, mantenha a mente vazia. (10.01)

Coisa que um leitor não deve fazer. Sobretudo em uma livraria.

Sobre a narrativa

Postado em Primeiros passos em 21/01/2010 por Daniel

Narrativas são as obras que contém os seguintes elementos-chave: escrita em prosa (com exceção da epopéia e de formas como a literatura de cordel), narrador, personagens, enredo, cenário em que se desenrola a história, tempo em que se desenvolve a história, linguagem ou maneira de narrar. A narrativa pode ser caracterizada como o ordenamento de vários acontecimentos fictícios ou reais em um todo mais ou menos coerente em que se movem os personagens.

Gênero com maior receptividade atualmente, o narrativo muitas vezes é confundido com ficção, mas nem sempre isso é verdade. Crônica, por exemplo, não é uma narrativa ficcional, ao passo que romance e conto sim. Utilizam-se do gênero narrativo também formas como a biografia, as memórias e o relato de viagem, embora essas não se enquadrem no estrito domínio literário.

Não é possível alcançar definições incontroversas a respeito dos gêneros e de suas ramificações. A narrativa ficcional contemporânea impõe grandes desafios ao leitor, fala muito nas entrelinhas e tanto no romance quanto no conto e na novela se pode encontrar uma rica variedade estilística e temática.

Etimologicamente, ficção significa “ato ou efeito de fingir; simulação, coisa imaginária; modelar, criar, inventar”. A literatura de ficção, simplificando, contempla as histórias produzidas pela imaginação dos autores. Fazer ficção, logo, é realizar uma leitura da realidade e da experiência humana através dos infinitos recursos da imaginação.

 

O escritor nada compreende

Postado em Autores, Literatura russa, Trechos em 11/01/2010 por Daniel

“Eu acho que não são os escritores que devem resolver questões como Deus, o pessimismo etc. O que cabe ao escritor é apenas representar quem, quando e em que circunstâncias falou ou pensou sobre Deus ou sobre o pessimismo. O artista não deve ser juiz de suas personagens e daquilo que dizem, mas tão-somente testemunha imparcial. Ouvi dois russos falarem sobre o pessimismo, numa conversa sem nexo e que não chegava a nada. Devo transmitir essa conversa exatamente como a ouvi; a julgá-la serão os jurados, ou seja, os leitores. Meu papel é apenas o de ter talento, ou seja, de saber diferenciar os testemunhos importantes dos inúteis, de saber iluminar as personagens e falar a língua delas. Chtcheglov-Leóntiev recrimina-me por eu ter concluído o conto com a frase: ‘Não se compreende nada neste mundo!’. Na opinião dele, o artista-psicólogo deve compreender, pois ele é psicólogo. Mas com isso eu não concordo. Já está na hora de as pessoas que escrevem, e principalmente os artistas, compenetrarem-se de que neste mundo não se compreende nada, como outrora reconheceu Sócrates e como Voltaire reconhecia. A turba acha que compreende tudo e que sabe tudo; e quanto mais estúpida ela é, mais amplo lhe parece o seu horizonte. Se um artista, em quem a multidão acredita, tomar a decisão de declarar que ele não compreende nada do que vê, só isso já constituirá um grande saber no domínio do pensamento e um grande passo à frente”.               

Anton Tchékhov (1860-1904)

Sem trama e sem final (São Paulo: Martins, 2007).

Livros: de poucos para bilhões

Postado em Livreiro, Primeiros passos em 07/01/2010 por Daniel

Livros demais?

Na Antigüidade e em parte da Idade Média os livros existiam na forma de manuscritos e se dispunham em rolos de papiro ou pergaminho, costurados ou avulsos. Como manuscritos, os livros precisavam ser copiados um a um por copistas especializados. Isso, associado à estrutura social da época, com poucas pessoas que sabiam ler, fazia do livro algo raro, um artigo destinado às elites econômicas e religiosas.

Os chineses foram pioneiros na arte da impressão de livros e, embora de modo bastante rudimentar, inventaram os tipos móveis, depois aperfeiçoados pelo alemão Johannes Gutemberg (1397-1468). Este imprimiu uma Bíblia de 1.282 páginas com tiragem de 100 exemplares, em 1450. Pela criação, Gutemberg é considerado o pai da imprensa.

Os tipos móveis possibilitaram um extraordinário aumento na capacidade de impressão de livros e o que antes era visto somente em poucas bibliotecas destinadas aos privilegiados passou a ser acessado de modo contínuo até hoje.

Das cópias manuais à prensa de tipos móveis; da pena à máquina de escrever, do computador ao leitor digital: as inovações tecnológicas revolucionaram a capacidade de produção e difusão dos livros e facilitaram a vida de editores, escritores e leitores.

El Rufián Melancólico

Postado em Livreiro, Lugares e viagens em 02/01/2010 por Daniel

Uma livraria como nenhuma outra. Ou um sebo com livros e revistas difíceis de achar. O caos aparente. O excesso. A poeira como parceira fiel. De repente, uma montanha de jornais e manuscritos largados em uma saleta do mezanino. Circulação truncada pelas muitas coisas do lugar. Esculturas surpreendentes e divertidas criam uma atmosfera bizarra, cômica e, às vezes, assustadora. 

Assim é El Rufián Melancólico, uma singular livraria localizada no bairro de San Telmo (Rua Bolívar, 857), em Buenos Aires, que homenageia com seu nome o também singular escritor argentino Robert Arlt.

O corvo em quadrinhos

Postado em Poesia, Quadrinhos, Trechos em 02/01/2010 por Daniel

Nos 200 anos de nascimento de Edgar Allan Poe (1809-1849), a editora Peirópolis lança o clássico poema “O corvo” na tradução de Machado de Assis, agora adaptado para os quadrinhos pelo desenhista mineiro Luciano Irrthum. Vale conferir.

Em certo dia, à hora, à hora
Da meia-noite que apavora,
Eu, caindo de sono e exausto de fadiga,
Ao pé de muita lauda antiga,
De uma velha doutrina, agora morta,
Ia pensando, quando ouvi à porta
Do meu quarto um soar devagarinho,
E disse estas palavras tais:
“É alguém que me bate à porta de mansinho;
Há de ser isso e nada mais.”

Ah! bem me lembro! bem me lembro!
Era no glacial dezembro;
Cada brasa do lar sobre o chão refletia
A sua última agonia.
Eu, ansioso pelo sol, buscava
Sacar daqueles livros que estudava
Repouso (em vão!) à dor esmagadora
Destas saudades imortais
Pela que ora nos céus anjos chamam Lenora.
E que ninguém chamará mais.

E o rumor triste, vago, brando
Das cortinas ia acordando
Dentro em meu coração um rumor não sabido,
Nunca por ele padecido.
Enfim, por aplacá-lo aqui no peito,
Levantei-me de pronto, e: “Com efeito,
(Disse) é visita amiga e retardada
Que bate a estas horas tais.
É visita que pede à minha porta entrada:
Há de ser isso e nada mais.”

Minh’alma então sentiu-se forte;
Não mais vacilo e desta sorte
Falo: “Imploro de vós, — ou senhor ou senhora,
Me desculpeis tanta demora.
Mas como eu, precisando de descanso,
Já cochilava, e tão de manso e manso
Batestes, não fui logo, prestemente,
Certificar-me que aí estais.”
Disse; a porta escancaro, acho a noite somente,
Somente a noite, e nada mais.

Com longo olhar escruto a sombra,
Que me amedronta, que me assombra,
E sonho o que nenhum mortal há já sonhado,
Mas o silêncio amplo e calado,
Calado fica; a quietação quieta;
Só tu, palavra única e dileta,
Lenora, tu, como um suspiro escasso,
Da minha triste boca sais;
E o eco, que te ouviu, murmurou-te no espaço;
Foi isso apenas, nada mais.

Entro coa alma incendiada.
Logo depois outra pancada
Soa um pouco mais forte; eu, voltando-me a ela:
“Seguramente, há na janela
Alguma cousa que sussurra. Abramos,
Eia, fora o temor, eia, vejamos
A explicação do caso misterioso
Dessas duas pancadas tais.
Devolvamos a paz ao coração medroso,
Obra do vento e nada mais.”

Abro a janela, e de repente,
Vejo tumultuosamente
Um nobre corvo entrar, digno de antigos dias.
Não despendeu em cortesias
Um minuto, um instante. Tinha o aspecto
De um lord ou de uma lady. E pronto e reto,
Movendo no ar as suas negras alas,
Acima voa dos portais,
Trepa, no alto da porta, em um busto de Palas;
Trepado fica, e nada mais.

Diante da ave feia e escura,
Naquela rígida postura,
Com o gesto severo, — o triste pensamento
Sorriu-me ali por um momento,
E eu disse: “O tu que das noturnas plagas
Vens, embora a cabeça nua tragas,
Sem topete, não és ave medrosa,
Dize os teus nomes senhoriais;
Como te chamas tu na grande noite umbrosa?”
E o corvo disse: “Nunca mais”.

Vendo que o pássaro entendia
A pergunta que lhe eu fazia,
Fico atônito, embora a resposta que dera
Dificilmente lha entendera.
Na verdade, jamais homem há visto
Cousa na terra semelhante a isto:
Uma ave negra, friamente posta
Num busto, acima dos portais,
Ouvir uma pergunta e dizer em resposta
Que este é seu nome: “Nunca mais”.

No entanto, o corvo solitário
Não teve outro vocabulário,
Como se essa palavra escassa que ali disse
Toda a sua alma resumisse.
Nenhuma outra proferiu, nenhuma,
Não chegou a mexer uma só pluma,
Até que eu murmurei: “Perdi outrora
Tantos amigos tão leais!
Perderei também este em regressando a aurora.”
E o corvo disse: “Nunca mais!”

Estremeço. A resposta ouvida
É tão exata! é tão cabida!
“Certamente, digo eu, essa é toda a ciência
Que ele trouxe da convivência
De algum mestre infeliz e acabrunhado
Que o implacável destino há castigado
Tão tenaz, tão sem pausa, nem fadiga,
Que dos seus cantos usuais
Só lhe ficou, na amarga e última cantiga,
Esse estribilho: “Nunca mais”.

Segunda vez, nesse momento,
Sorriu-me o triste pensamento;
Vou sentar-me defronte ao corvo magro e rudo;
E mergulhando no veludo
Da poltrona que eu mesmo ali trouxera
Achar procuro a lúgubre quimera,
A alma, o sentido, o pávido segredo
Daquelas sílabas fatais,
Entender o que quis dizer a ave do medo
Grasnando a frase: “Nunca mais”.

Assim posto, devaneando,
Meditando, conjeturando,
Não lhe falava mais; mas, se lhe não falava,
Sentia o olhar que me abrasava.
Conjeturando fui, tranqüilo a gosto,
Com a cabeça no macio encosto
Onde os raios da lâmpada caíam,
Onde as tranças angelicais
De outra cabeça outrora ali se desparziam,
E agora não se esparzem mais.

Supus então que o ar, mais denso,
Todo se enchia de um incenso,
Obra de serafins que, pelo chão roçando
Do quarto, estavam meneando
Um ligeiro turíbulo invisível;
E eu exclamei então: “Um Deus sensível
Manda repouso à dor que te devora
Destas saudades imortais.
Eia, esquece, eia, olvida essa extinta Lenora.”
E o corvo disse: “Nunca mais”.

“Profeta, ou o que quer que sejas!
Ave ou demônio que negrejas!
Profeta sempre, escuta: Ou venhas tu do inferno
Onde reside o mal eterno,
Ou simplesmente náufrago escapado
Venhas do temporal que te há lançado
Nesta casa onde o Horror, o Horror profundo
Tem os seus lares triunfais,
Dize-me: existe acaso um bálsamo no mundo?”
E o corvo disse: “Nunca mais”.

“Profeta, ou o que quer que sejas!
Ave ou demônio que negrejas!
Profeta sempre, escuta, atende, escuta, atende!
Por esse céu que além se estende,
Pelo Deus que ambos adoramos, fala,
Dize a esta alma se é dado inda escutá-la
No éden celeste a virgem que ela chora
Nestes retiros sepulcrais,
Essa que ora nos céus anjos chamam Lenora!”
E o corvo disse: “Nunca mais.”

“Ave ou demônio que negrejas!
Profeta, ou o que quer que sejas!
Cessa, ai, cessa! clamei, levantando-me, cessa!
Regressa ao temporal, regressa
À tua noite, deixa-me comigo.
Vai-te, não fique no meu casto abrigo
Pluma que lembre essa mentira tua.
Tira-me ao peito essas fatais
Garras que abrindo vão a minha dor já crua.”
E o corvo disse: “Nunca mais”.

E o corvo aí fica; ei-lo trepado
No branco mármore lavrado
Da antiga Palas; ei-lo imutável, ferrenho.
Parece, ao ver-lhe o duro cenho,
Um demônio sonhando. A luz caída
Do lampião sobre a ave aborrecida
No chão espraia a triste sombra; e, fora
Daquelas linhas funerais
Que flutuam no chão, a minha alma que chora
Não sai mais, nunca, nunca mais!

Cia. das Letras divulga lançamentos de janeiro

Postado em Lançamentos em 01/01/2010 por Daniel

Siri Hustvedt

A editora Companhia das Letras divulgou seus lançamentos para o primeiro mês de 2010. Veja a seguir.

Desilusões de um americano – Siri Hustvedt   (Romance)

Romance narrado por um solitário psicanalista que se envolve com sua locatária, ao mesmo tempo que vasculha o passado do pai imigrante norueguês.

O enigmista – Ian Rankin   (Romance policial)

John Rebus, um inquieto e cínico detetive, está às voltas com o desaparecimento da bela e rica Philippa. No curso das investigações, ele vai ter de lidar com miniaturas sinistras, um misterioso jogo de enigmas pela internet e um possível serial killer.

Um chapéu para viagem – Zélia Gattai   (Memórias)

No aniversário de setenta anos de Jorge Amado, Zélia Gattai presenteou o marido com este livro sobre seus primeiros anos de casamento.

Evolução em quatro dimensões – DNA, comportamento e a história da vida – Eva Jablonka e Marion J. Lamb   (Ciência)

A israelense Eva Jablonka e a britânica Marion J. Lamb resgatam as ideias de Lamark e propõem uma reestruturação do darwinismo argumentando que há mais do que genes na hereditariedade.

Surfando no Nilo – Jon Scieszka e Lane Smith (ilustrações)   (Ficção juvenil)

“Ele é como o Michael Jordan o Elvis e o presidente numa pessoa só”, disse Fred. “Ele é mais do que isso”, disse Sam. “Se a pessoa é faraó, é como um deus na terra.”

O mais sensacional atlas do mundo todo – Simon Adams e Ralph Lazar e Lisa Swerling (ilustrações)   (Infantil)

Das praias ensolaradas das ilhas do Caribe às paisagens geladas do continente antártico, os Ideias-Brilhantes serão os guias de uma viagem fascinante ao redor do mundo.

Nyama – Tesouros sagrados dos povos africanos – Christiane Lavaquerie-Klein e Laurence Paix-Rusterholtz   (Infantil)

Da mesma coleção de Huaca – Tesouros sagrados dos povos da América Latina, este Nayma apresenta povos e culturas da África por meio de seus artefatos.

Palavrinha ou palavrão? – Karin Sá Rego e Daniel Kondo (ilustrações)   (Infantil)

Um divertido livro em que as crianças vão aprender que onomatopéia, esse palavrão um tanto engraçado da língua portuguesa, são aquelas palavrinhas que usamos para representar os sons.

Se eu fosse você – Richard Hamilton e Babette Cole (ilustrações)  (Infantil)

Um pai e uma filha com os papéis trocados, o papai de vestido rosa de bailarina, sendo levado pela filha para passear?!

Companhia de Bolso: “Respiração artificial” – Ricardo Piglia e “O homem e o mundo natural” – Keith Thomas.

*Sinopses da editora.

Lançamentos da Objetiva e da Alfaguara para janeiro

Postado em Lançamentos em 30/12/2009 por Daniel

Deus é meu camarada – Cyril Massarotto (Suma das Letras)

O personagem tem 30 anos e trabalha numa sex shop. Um cara normal, não fosse seu melhor amigo Deus.

A estrada – Cormac McCarthy (Alfaguara)

O livro que marcou a literatura americana contemporânea vem para as telas do cinema.

A casa verde – Mario Vargas Llosa (Alfaguara)

Um prostíbulo é montado perto de uma das cidades mais isoladas do Peru.  

O fim do meu vício – Olivier Ameisen (Fontanar)

A história do médico que superou o alcoolismo.

O mestre e margarida – Mikhail Bulgákov (Alfaguara)

Bulgákov narra a chegada do diabo em plena Moscou comunista dos anos 1930.

Maquiavel, filósofo do poder – Ross King (Objetiva)

Nesta biografia conhecemos várias facetas de Maquiavel, um autêntico homem da Renascença.

Sally e a sombra da morte – Philip Pullman (Objetiva)

Philip Pullman dá continuidade à saga da heroína em uma história para leitores de todas as idades.

Até mais, vejo você amanhã – William Maxwell (Alfaguara)

A amizade de dois garotos nos anos 1920, subitamente interrompida por um crime passional.

O labirinto da felicidade – Alex Rovira e Francesc Miralles (Fontanar)

Uma fábula na tradição de clássicos como O Pequeno Príncipe eO Mágico de Oz”.

O grande livro de histórias de fantasmas – Vários autores (Suma das Letras)

Charlotte Brontë, May Sinclair, Edith Wharton, Ruth Rendell, A.S. Byatt, Angela Carter e outras 25 autoras reunidas numa série de contos aterrorizantes.

*Sinopses baseadas nas informações da editora.

Um livreiro chamado Pavão

Postado em Lançamentos, Livreiro, Trechos em 29/12/2009 por Daniel

 

As editoras Cosac Naify e 7 Letras, como parte da coleção Às de Colete, acabam de lançar “Mapoteca”, de Felipe Nepomuceno. O livro reúne poemas, contos e pequenos textos diversos desse interessante autor.

A seguir, um trecho de “Meu livreiro se chama Pavão”.

“Meu livreiro se chama Pavão. Hoje passei em frente à sua livraria com o Corsa e vi um livro de capa amarela. O sinal abriu e o carro que estava atrás do Corsa começou a buzinar. Antes de andar, gritei: Pavão, segura esse de capa amarela para mim!

Ele, em vez de dizer “é claro”, começou a reclamar sem razão nenhuma. Infelizmente, tive que andar com o meu carro.

Pavão era um livreiro incomum. Para começar, eu era o seu único amigo. Perguntava quais eram os melhores lançamentos e pedia um palpite para os presentes que volta e meia tinha que comprar. As pessoas sempre dizem que eu sei muito bem dar presentes. Ninguém sabe que é Pavão quem os indica.

Um dia cheguei na livraria totalmente acossado. Eram seis da tarde. Era o dia do aniversário de 60 anos da minha mãe e eu, para variar, estava apostando todas as minhas fichas no meu livreiro.

Pavão, como sempre, estava bêbado. Era um profissional na arte de transformar livros em cachaça.

Começava bem cedo. Todos os dias vasculhava as lixeiras do bairro e todo fim de dia levava novos títulos para a sua livraria”.

Marighella revisitado

Postado em Biografia, Ciências humanas, Eventos, Lançamentos em 29/12/2009 por Daniel

Desde novembro e até 7 de fevereiro de 2010 o Memorial da Resistência de São Paulo abriga a exposição Marighella. Ela marca os 40 anos do assassinato do militante comunista Carlos Marighella (1911-1969) pela ditadura militar de 64 e reúne cartas, documentos, livros, objetos, muitas imagens e depoimentos.

Com curadoria de Isa Grinspum Ferraz e Vladimir Sacchetta a exposição resgata Marighella pra longe dos lugares-comuns aprofundando-se na sua trajetória como liderança social e intelectual comprometida com o Brasil e seu povo.

A entrada é gratuita de terça a domingo, das 10h às 17:30h, e é também uma boa oportunidade para conhecer ou fazer nova visita ao Memorial da Resistência, parte integrante da Estação Pinacoteca, e a sua exposição de longa duração que aborda a repressão que teve lugar no local durante as ditaduras brasileiras de 30 e 64.

Leia o recém lançado “Carlos, a face oculta de Marighella”, de Edson Teixeira da Silva Junior (Expressão Popular).

Os 10 mais da década segundo O Globo

Postado em Listas, Literatura brasileira em 28/12/2009 por Daniel

O caderno Prosa e Verso do jornal O Globo reuniu dez críticos literários (acadêmicos e escritores) para eleger os 10 melhores livros brasileiros de ficção e poesia publicados nos anos 2000. Como em toda lista, e ainda mais em uma dessa ordem e com tal limitação - o que pode despertar paixões e preferências incontornáveis - há controvérsias. Mas o resultado é interessante no geral, traz os óbvios da década e algumas novidades que se não estivessem entre os 10, estariam entre os 15 ou 20 mais. Vale como mais uma indicação e convite à leitura dos contemporâneos.

1. Dois irmãos – Milton Hatoum (Cia. das Letras)  *6 votos

2. Nove noites – Bernardo Carvalho (Cia. das Letras) *5 votos

3. Eles eram muitos cavalos – Luiz Ruffato (Record) *4 votos

4. O vôo da madrugada – Sérgio Sant’Anna (Cia. das Letras) *4 votos

5. Acenos e afagos – João Gilberto Noll (Record) *3 votos

6. Elefante – Francisco Alvim (Cia. das Letras) *3 votos

7. Máquina de escrever – Armando Freitas Filho (Nova Fronteira) *3 votos

8. O filho eterno – Cristóvão Tezza (Record) *3 votos

9. Um defeito de cor – Ana Maria Gonçalves (Record) *2 votos

10. Leite derramado – Chico Buarque (Cia. das Letras) *2 votos

*Note-se o domínio absoluto de duas editoras entre os livros escolhidos: Cia. das Letras e Record.

A invasão russa

Postado em Literatura russa, Trechos em 28/12/2009 por Daniel

“Lady Macbeth do distrito de Mtzensk”, editado pela 34 em 2009 na coleção Leste com tradução, notas e posfácio de Paulo Bezerra, foi publicado originalmente em 1865 e é considerada a obra-prima de Nikolai Leskov (1831-1895). O livro narra a história de Catierina Lvovna de um casamento entediante e opressor ao assassinato. Não é preciso dizer que recomendamos sua leitura. Veja abaixo o trecho inicial da obra.

“De quando em quando aparecem em nossas paragens uns tipos que nos fazem sentir um tremor na alma sempre que nos lembramos deles, por mais que o tempo tenha passado desde o nosso último encontro. E um desses tipos é Catierina Lvovna Izmáilova, mulher de um comerciante, outrora protagonista de um terrível drama, após o qual a nossa nobreza, usando uma expressão bem apropriada, passou a chamá-la “Lady Macbeth do distrito de Mtzensk”.

Catierina Lvovna não nascera bela, mas era de aparência muito simpática. Tinha apenas vinte e quatro anos: estatura mediana, mas elegante, pescoço como que modelado em mármore, ombros arredondados, colo vigoroso, nariz reto, afilado, olhos negros, vivos, fronte alva e alta e cabelos negros, de um negro beirando o azulado. Casaram-na com o nosso comerciante Izmáilov, de Tuskara, província de Kursk, não por amor ou qualquer atração, mas sem quê nem para quê, simplesmente porque Izmáilov pedira sua mão e, sendo ela pobre, não precisaria ficar escolhendo marido. A casa dos Izmáilov em nossa cidade não era das piores: negociavam com farinha candial, arrendavam no distrito um grande moinho, possuíam um pomar rendoso nos arredores e uma boa casa na cidade. No geral, eram comerciantes abastados. Além do mais, a família era bem pequena: o sogro Borís Timofiêitch Izmáilov, que já passara dos oitenta, viúvo havia muito tempo; o filho Zinóvi Boríssitch, marido de Catierina Lvovna, que também já passara dos cinquenta, a própria Catierina Lvovna, e só. Catierina Lvovna entrara no quinto ano do seu casamento sem ter filhos. Zinóvi Boríssitch também não tinha filhos da primeira mulher, com quem vivera uns vinte anos antes de enviuvar e casar-se com Catierina Lvovna. Imaginava e esperava que pelo menos do segundo casamento Deus lhe desse um herdeiro para o nome e o capital dos comerciantes; mas a felicidade tampouco lhe veio com Catierina Lvovna.

Essa ausência de filhos deixava Zinóvi Boríssitch muito amargurado e provocava grande tristeza não só nele, como novo velho Borís Timofiêitch e na própria Catierina Lvovna. E visto que no claustro daquela casa de comerciantes, com cerca alta e cães de guarda soltos, o tédio imenso mais de uma vez causara na jovem esposa uma melancolia que chegava ao torpor, ela iria alegrar-se, Deus, como iria alegrar-se ao cuidar um pouco de uma criancinha; de mais a mais, estava farta de recriminações – “Por que casou, para que casou, por que amarrou o destino de um homem, mulher estéril?” –, como se ela realmente fosse alguma criminosa perante o marido, perante o sogro e todo o seu honesto clã de comerciantes”.

Russos, Mazzaropi, Recreio e Noel… para o Natal

Postado em Lançamentos em 24/12/2009 por Daniel

5 lançamentos que Este Livro sugere como leitura para o longo fim de semana que se inicia.

Teatro completo – Nikolai Gogol (34) Inclui as peças “O inspetor geral”, “Os jogadores”, “O casamento”, “À saída do teatro” e “Desenlace de O inspetor geral”. Com tradução, notas e estudo introdutório da professora da USP Arlete Cavaliere.

Gente pobre – Fiódor Dostoiévski (34) Primeiro romance do autor: saiu em 1846 quando Dostoiévski tinha 24 anos. Tradução de Fátima Bianchi.

Noel Rosa – poeta da Vila, cronista do Brasil – Luiz Ricardo Leitão (Expressão Popular) Não só uma biografia, mas uma análise da obra do autor entendida como pertencente a certa tradição de interpretação do Brasil, o que o liga a nomes como Gregório de Matos e Lima Barreto.

Mazzaropi – uma antologia de risos – Pedro Duarte (Imprensa Oficial) Para lembrar e rever o velho Mazzaropi em fotos, textos e histórias.

Ruptura e subversão na literatura para crianças – Maria Lucia Machens (Global) Livro interessante que parte da tese de mestrado da autora para abordar o nascimento e a trajetória da revista Recreio durante a ditadura militar.

Lula em cordel

Postado em Biografia, Cinema, Lançamentos em 23/12/2009 por Daniel

Seguindo o processo de quase canonização da figura de Lula, e na esteira do lançamento do filme Lula, o filho do Brasil em 1º de janeiro de 2010, mais um livro sobre o presidente brasileiro surge na praça. Dessa vez, a forma é menos usual, mas interessante: cordel.

Na obra “Lula na literatura de cordel” (Imeph) o autor potiguar Crispiniano Neto reúne poemas seus e de diversos outros cordelistas para celebrar seu personagem. Escritos em diferentes momentos da nossa história recente, os cordéis vão da trajetória política e pessoal de Lula à história do PT e da luta sindical, passando inclusive por projetos do governo federal como o Bolsa Família e o pré-sal.

“Finalmente aproveito pra lançar

Nosso Lula nos versos de Cordel,

Ele que hoje inspira o menestrel

A cantar junto à luta popular.

Que levou o poeta a se inspirar

Com as batalhas nascidas do povão

Quando as massas enfrentam o tubarão,

Quando o povo oprimido vai à luta,

Derrubando o poder da força bruta

E mudando a história da nação”

Outros livros sobre Lula que aproveitam o mote de lançamento do filme.

1. A história de Lula – o filho do Brasil – Denise Paraná (Objetiva)

2. Lula, o filho do Brasil – Denise Paraná (Perseu Abramo)

3. O menino Lula – Audálio Dantas (Ediouro)

4. Lula do Brasil – A história real, do nordeste ao Planalto – Richard Bourne (Geração)

As lições do mestre

Postado em Biblioteca Saraiva em 21/12/2009 por Daniel

Quatro livros fundamentais de Julio Cortázar fecham em grande estilo o primeiro ano da Biblioteca Saraiva.

Um dos escritores mais inventivos da literatura latino-americana e referência para várias gerações de leitores, Cortázar volta à tona com seu estilo irônico e intrincado, exemplarmente materializado em contos e romance.

Gigante a preço baixo.

1. As armas secretas – De: 27,00   Por: 13,90

2. História de cronópios e de famas – De: 31,00   Por: 14,90

3. O jogo da amarelinha – De: 64,00   Por: 29,90

4. Todos os fogos o fogo – De: 28,00   Por: 13,90

Nelson Rodrigues e Shakespeare

Postado em Autores, Ligações, Teatro, Trechos em 18/12/2009 por Daniel

(Herculano chega em casa. Tem um certo cansaço feliz.)

HERCULANO (gritando) – Geni! Geni!

(Aparece a criada negra.)

NAZARÉ – Veio mais cedo, dr. Herculano?

HERCULANO – Nazaré, cadê d. Geni?

NAZARÉ – Saiu.

HERCULANO – Mas eu avisei! Telefonei do aeroporto dizendo que já podia tirar o jantar.

NAZARÉ – Pois é.

HERCULANO – Foi aonde?

NAZARÉ – Não disse.

HERCULANO (entre espantado e divertido) – Que piada!

NAZARÉ – Ah, mandou entregar isso ao senhor.

(Ao mesmo tempo, Nazaré apanha em cima do móvel um embrulho.)

HERCULANO (falando à criada) – Estou com uma fome danada! É um caso sério! Mas o que é?

NAZARÉ – Isso aqui.

HERCULANO (recebendo o embrulho) – E, nem ao menos, deixou recado?

NAZARÉ – Comigo não deixou.

(Herculano, intrigadíssimo, abre o embrulho.)

HERCULANO – Fita de gravação! (não entende) Boazinha!

NAZARÉ – D. Geni disse para o senhor não deixar de ouvir o disco.

(Sai Nazaré. Então, sozinho, Herculano assovia e prepara-se para ouvir a gravação. Apaga-se o palco. Nas trevas, ouve-se a voz de Geni.)

GENI – Herculano, quem te fala é uma morta. Eu morri. Me matei. (ao mesmo tempo que Geni fala, ilumina-se parte do palco. Aparecem Patrício e as tias. Enquanto durar a fala de Geni, Patrício e as tias permanecerão imóveis e mudos)

GENI – Herculano, ouve até o fim. Você pensa que sabe muito. O que você sabe é tão pouco! (com triunfante crueldade) (violenta) Há uma coisa que você não sabe, nem desconfia, uma coisa que você vai saber agora, contada por mim e que é tudo. Falo pra ti e pra mim mesma. (dilacerada) (ressentida e séria) Escuta, meu marido. Uma noite em tua casa.

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Obsessivo, Nelson Rodrigues (1912-1980) soube transformar suas tragédias pessoais em arte. Uma das características essenciais de sua obra é a morbidez, a atração pela morte – retratada no excerto acima de “Toda nudez será castigada”.

Tal atração, muitas vezes concretizada através de verdadeiros banhos de sangue, Rodrigues compartilhou com o maior nome do teatro em todos os tempos, William Shakespeare (1564-1616).

Tanto um quanto o outro, separados por três séculos e antes do reconhecimento, foram acusados de estimular a vulgaridade e o mau gosto. 

Só para princesas

Postado em Exclusivo, Lançamentos, Literatura de entretenimento em 18/12/2009 por Daniel

Logo após a caixa sobre a Segunda Guerra Mundial e a de best sellers recentes que abordam o universo feminino e viraram filmes, a Saraiva traz, em parceria com a editora Record e para a reta final do Natal, uma belíssima lata com os 4 primeiros títulos da série Princesa, da norte-americana Meg Cabot.

Oportunidade única para fãs e presente certo.

Corra: são só 1.000 latas.

Começo a conhecer-me

Postado em Poesia, Primeiros passos em 18/12/2009 por Daniel

"Dar a cada emoção uma personalidade, a cada estado de alma uma alma"

“Começo a conhecer-me. Não existo.

Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,

Ou metade desse intervalo, porque também há vida…

Sou isso, enfim…

Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulho de chinelas no corredor.

Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.

É um universo barato”

O poema acima é do heterônimo Álvaro de Campos. Mas o que é um heterônimo? O poeta português Fernando Pessoa (1888-1935) criou “personagens” que tem sua própria maneira de escrever, personalidades e histórias particulares, diferentes da sua. Os mais conhecidos e completos heterônimos de Pessoa são Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos (Caeiro é o poeta bucólico e cético; Reis, o poeta estóico; Campos, o poeta modernista  e revoltado). Com sua assinatura, Fernando Pessoa publicou em vida apenas um livro de poemas em português, “Mensagem”, obra que aborda a aventura marítima e imperial lusitana.

Crítica literária

Postado em Primeiros passos em 18/12/2009 por Daniel

Antonio Candido

A crítica literária é a arte de julgar a obra em diversos aspectos: forma, estilo, temática, contexto em que foi produzida etc. Pode ser exercida na universidade ou através da imprensa. Críticos literários são leitores que lançam um olhar complexo sobre a obra, interpretam-na segundo determinados parâmetros. A crítica literária informada é muito importante na consolidação e na divulgação da literatura. Exemplos de críticos com sólido embasamento são os brasileiros Antônio Cândido (1918-), Alfredo Bosi (1932-) e Roberto Schwarz (1938-), o alemão Walter Benjamin (1892-1940), o húngaro George Lukács (1885-1971) e o russo Mikhail Bakhtin (1895-1975).

Guerra e diversão em duas caixas exclusivas

Postado em Ciências humanas, Exclusivo, Lançamentos, Literatura de entretenimento em 09/12/2009 por Daniel

Dentre as novidades que programamos para o Natal da Saraiva, destacam-se duas caixas exclusivas da Record e da Best Seller. Ambas chegam no início da próxima semana às lojas e ao site.

A primeira, como já adiantamos, é a de livros sobre a Segunda Guerra Mundial, que traz títulos de Antony Beevor – “Stalingrado” e “Berlim 1945: a queda” – e Stephen Ambrose – “Dia D: 6 de junho de 1944″.

A segunda tem outro clima, mais leve, e reúne quatro títulos da chamada chick lit – é a caixa Literatura no Cinema – Mulheres. As obras que a compõem são “O diário de Bridget Jones”, “O diabo veste Prada”, “Sex and the city” e “Os delírios de consumo de Becky Bloom”.

São oportunidades únicas, ótimas sugestões de presente que aliam qualidade a preços muito bons. Confira.

Desonra, o filme

Postado em Cinema, Literatura africana, Literatura anglo-americana em 08/12/2009 por Daniel

É lugar comum comparar filmes com os livros que lhes deram origem.

Lugar comum é criticar filmes baseados em livros, sobretudo em livros marcantes.

E é lugar comum dizer que um e outro são linguagens diferentes, portanto pouco comparáveis.

Sim, tudo com certa razão. Assim é o lugar comum.

Mas quem vê o filme Desonra (2009, Dir. Steve Jacobs e com John Malkovich no papel principal) se perde de uma obra extraordinária, não há resquícios dela ali. Um filme que, embora não exatamente ruim, está muito aquém da grande realização de J. M. Coetzee.

Fica a sugestão: leia o livro; só depois veja o filme.

As armas da crítica

Postado em Ciências humanas, Lançamentos em 07/12/2009 por Daniel

Este Livro antecipa 5 dos principais lançamentos da editora Boitempo para 2010.

Em defesa das causas perdidas – Slavoj Zizek
No mundo dominado pelo pós-modernismo a emancipação global e os valores universais estariam fadados a desaparecer? Neste manifesto “em defesa das causas perdidas”, Zizek (foto) combate ferozmente o ideário pós-moderno, recolocando a luta de classes no cerne da realidade global.
 
Os cangaceiros – Luiz Bernardo Pericás
Nesta análise de fôlego sobre o cangaço, Luiz Bernardo Pericás reconstitui com o rigor do historiador um dos episódios mais controversos da história brasileira. Revisando extensa bibliografia e levantando fontes primárias inéditas, o autor analisa mais de cinquenta anos deste movimento social que teve uma influência determinante sobre vários estados do nordeste.
 
A potência plebeia: ação coletiva e identidades indígenas, operárias e populares na Bolívia – Álvaro García Linera
Esta coletânea de ensaios do acadêmico e vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera, é o retrato da produção intelectual que se coloca como intérprete e protagonista do profundo processo de transformações pelo qual passa o país. Reúne textos tanto do período pré-eleição de Evo Morales, quando era preciso reescrever a história boliviana, como do período pós-eleição, que tratam de teorizar as transformações do Estado para poder radicalizá-las.
 
A linguagem do império: léxico da ideologia estadunidense – Domenico Losurdo
Terrorismo, fundamentalismo, antiamericanismo, rechaço ao Ocidente, são algumas das reações ao império estadunidense. Este livro insere-se em um clima mundial de comoção contra a barbárie, no qual nem todos que estão contra os Estados Unidos, estão automaticamente contra a paz e a civilidade.
 
As armas da crítica – Emir Sader e Ivana Jinkings (orgs.)
Esta obra reúne os principais textos clássicos do pensamento de esquerda, cujas teorias socialistas e anticapitalistas se voltaram para a crítica radical e transformação da sociedade moderna. Contém escritos de Karl Marx, Friedrich Engels, Leon Trotski, Rosa Luxemburgo e Antonio Gramsci.

Bate bola com Washington Olivetto

Postado em Entrevista, Exclusivo, Lançamentos, Livros sobre futebol em 05/12/2009 por Daniel

Washington Olivetto acaba de lançar mais um livro sobre o seu time do coração, o Corinthians. Depois da parceria com Nirlando Beirão em ”Corinthians - É preto no branco”, título integrante da coleção Camisa 13 (Ediouro), o publicitário vem agora em vôo solo com “Corinthians x Outros – Os melhores nossos contra os menos ruins deles” (Leya). Como não poderia deixar de ser, o livro é criativo e bem humorado; já o autor prefere definí-lo como provocador…

Este Livro: Pergunta clássica: o que está lendo?

Washington Olivetto: Leio cinco livros por vez. Li a biografia do Erasmo, genial. A biografia do Simonal, muito bem escrita e muito triste também. Li um livro em inglês sobre agências de propaganda virtuais que um amigo me deu. E as biografias da Nara Leão e do Plínio Marcos.

EL: Você tem ido a jogos?

WO: Só a alguns.

EL: Você tem um segundo time?

WO: Nenhum torcedor de verdade tem um segundo time!

EL: O novo livro é só para o corinthiano apaixonado?

WO: É para torcedores de todos os times, pois mistura ficção e jornalismo. O livro é muitas coisas, até um roteiro turístico do Rio de Janeiro cabe nele.

EL: Como você misturou ficção e jornalismo?

WO: Reuni alguns torcedores para fazer a escalação dos times dos sonhos. Então meu time dos sonhos enfrenta o Santos de Fausto Silva, o Palmeiras de José Serra, o São Paulo de Ricardo Kotscho, o Fluminense de Jô Soares, o Flamengo de Jorge Ben Jor, entre outras agremiações. São ao todo 14 partidas.

EL: Há injustiças?

WO: Claro! São sempre 14 jogadores e alguns são injustiçados.

Luciana, Daniel, Vera Esaú, Olivetto e Corina, da Leya

EL: Você conta um pouco da história dos outros clubes também?

WO: Tem as notas de roda os pés. Informação histórica pura.

EL: Não teve jogador repetido no time dos sonhos do pessoal, não?

WO: Teve. Rivelino aparece em dois.

EL: E quem ganha as partidas?

WO: O Corinthians! Mas tem muito humor para todos.

EL: O livro traz um brinde…

WO: Um pôster com a minha escalação do Corinthians de todos os tempos.

EL: E o lançamento oficial? Cadê a festinha?

WO: Provavelmente teremos no ano que vem uma festa no Museu do Futebol (São Paulo) e por agora eventos, autógrafos.

Fora da lei

Postado em Biografia, Ciências humanas, Lançamentos em 04/12/2009 por Daniel

Os conhecidos Billy, the Kid, Lampião, Jesse James, Barbaroxa, Robin Hood, Butch Cassidy e Sundance Kid. Os desconhecidos La Kahina, Bartholomew Roberts, Calamity Jane e Pierre Loutrel. Ou ainda personagens tão díspares como Henry David Thoreau, Lawrence da Arábia, Buenaventura Durruti e Bobby Sands.

Bandidos clássicos, bandidos sociais, libertários ou simplesmente aventureiros. Assim é a turma que compõe “Fuera de la ley – Piratas, anarquistas, insumisos, ases del gatillo y otros rebeldes… ellos escogieron su libertad”, de Laurent Maréchaux (Blume).

Livro curioso que traz 41 perfis de marginais em seu tempo, do ano 704 até as últimas décadas do século XX. A unidade pretendida na seleção – oposição ao poder – é forçada, mas vale como registro e para conhecer algumas figuras – inclusive fisicamente, pois a obra é bem ilustrada – sobretudo os que entendemos por bandidos comuns.

Trecho: “Na atualidade, os insubmissos a toda forma de autoridade, seja religiosa, moral, econômica ou política, são escassos. Os conquistadores de sonhos impossíveis e os grandes rebeldes baixaram os braços ou se perderam na selva urbana ou no inferno dos bosques. O individualismo alcançou o idealismo”.

Promoção Dan Brown: saiu o resultado!

Postado em Promoção em 03/12/2009 por Daniel

Saiu o resultado da nossa bombástica promoção Dan Brown!

Este livro pede desculpas pelo atraso na divulgação dos ganhadores, que ocorreu devido à grande quantidade de textos recebidos. Obrigado a todos os participantes.

Veja abaixo os textos vencedores.

Link da promoção:  http://estelivro.wordpress.com/2009/11/02/leve-pra-casa-um-dan-brown-autografado/

*Em breve, contactaremos os premiados.

1º lugar: Geovana Lima Hinoue

Prêmio: livro “The lost symbol” autografado por Dan Brown

Robert Langdon estava em seu escritório na Universidade de Harvard quando de repente seu telefone toca. O professor não hesitou em atender pois estava atordoado com a pequena escultura que tinha em mãos trazida por um amigo brasileiro, professor da USP.
- Robert, sou eu, Lucas. Venha correndo para o Brasil! Quero que você seja o primeiro a saber! E desligou.
Langdon que já estava exausto de tantas confusões que ocorreram na universidade, ficou pensando no que seu amigo professor havia descoberto, o motivo de tanta pressa para vê-lo. Durante esse momento, Robert observou que naquela misteriosa escultura velha, trazida de uma civilização quase extinta da Amazônia, havia pequeninos, quase imperceptíveis números, 21122012, exatamente a data da tão famosa profecia dos Maias: 21 de dezembro de 2012. O professor ficou estarrecido e nesse mesmo momento ligou para Lucas para informar que já estava a caminho de São Paulo.
Chegando em SP, seu amigo já o esperava no aeroporto, eles foram direto ao escritório de Lucas na universidade em que ele era professor de arqueologia. Robert se adiantou e, tirando de sua mala a escultura, foi dizendo:
- Encontrei registro do calendário Maia nessa escultura. Onde foi mesmo que você a encontrou?
- Na parte oeste da floresta – respondeu – e é sobre isso mesmo que quero falar com você, Langdon.
Os dois sentaram nas poltronas e Lucas continuou falando:
- Na última semana fiz uma viagem até a região onde encontrei tal escultura e fiquei estremecido com a descoberta que tive. Durante minhas pesquisas naquela terra encontrei algumas outras esculturas que me revelaram, com quase certeza, que ali havia uma pequena civilização Maia e o melhor é que ainda existem algumas pessoas que fazem parte dessa civilização, porém estão escondidas na floresta e tudo indica que ali foi feito o primeiro calendário Maia.
Langdon dá uma risada sarcástica.
- Não pode ser! A civilização Maia, o calendário na Amazônia?
- Sim, Langdon, preciso que me ajude a desvendar todo esse mistério que está escondido, lá tem muitas ruínas, muitos códigos e só você pode ajudar.
- Que tipo de códigos você diz?
- 21122012 por toda a parte.

2º lugar: Victor Hugo Vieira Denis

Prêmio: livro “O símbolo perdido”

Robert Langdon visita o Brasil para dar palestras sobre os símbolos e no meio de uma dessas palestras um dos espectadores pergunta se ele tem conhecimento de uma rota em que José de Anchieta deixou um tesouro com todos os manuscritos do Vaticano, relatando os crimes que foram praticados durante a colonização da América. Robert diz que jamais ouvira falar, mas fica intrigado e pergunta mais ao espectador. O espectador esclarece que não passa de uma lenda brasileira.

Após sua palestra, Robert recebe uma ligação de Sophie, dizendo que um antigo amigo de seu avô, Jacques Saunière, estava a caminho do Brasil, pois havia extremistas que estavam no Brasil caçando os manuscritos.

Assim, Robert Langdon se empenha em mais uma aventura percorrendo os cantos do Brasil atrás dos manuscritos. Percorre o Cristo Redentor em busca de um artefato escondido dentro dele; embaixo do marco zero de São Paulo existem mais pistas! Conhece novas pessoas, enfrenta uma seita que também quer encontrar os documentos.

Enfim, uma aventura recheada de mistérios em que percorre todo o Brasil. No final, ele protege este segredo que, se porventura viesse à tona, abalaria os pilares da fé mundial.

3º lugar: Vanessa Oliveira

Prêmio: livro “O símbolo perdido”

Uma jovem estudante de simbologia e história da Universidade de São Paulo com seu pai adotivo, um reitor de muito respeito internacional, chama o simbologista de Harvard às pressas para o Brasil.

Se vendo em um momento em que poderia aproveitar e fazer novas pesquisas sobre tribos indígenas, ele aceita o convite sem ter idéia de que não sabia exatamente de nada ainda.

Chegando ao país, ele descobre que estava entrando em algo maior do que imaginava, estava frente a frente a uma procura pelos Filhos de Set ou a Nova Ordem Mundial. Langdon chega tarde demais, somente a tempo de ver o sepultamento do reitor. 

Junto com a estudante Cristine ele se vê em uma perseguição para salvar a sua vida e a dela, apenas ligado às pistas deixadas e às varias investigações do reitor.

A guerra e suas batalhas

Postado em Ciências humanas, Lançamentos em 30/11/2009 por Daniel

Atualmente, sem dúvida é a guerra o tema mais popular entre os leitores de história. A guerra, as personalidades nela envolvidas, o próprio acontecimento de batalhas emblemáticas motivou nos últimos anos um aumento significativo de novos livros que abordam de maneira menos acadêmica e com mais ou menos rigor esse evento sempre dramático.

A avalanche de publicações e abordagens corresponde a um sensível aumento das vendas da área de história nas livrarias. Nessa linha, tanto em número de novas publicações quanto em vendas, a Segunda Guerra reina soberana.

Embora a Primeira Guerra tenha sido talvez tão selvagem quanto à Segunda – já que não é possível medir o impacto de um conflito pelo número de mortes – esta exerce fascínio adicional sobre o imaginário dos leitores por conta de fatores como o nível de racionalidade e alcance da matança produzida em razão da tecnologia, as características do extremismo fascista e a força simbólica de alguns líderes. Assim, não é de estranhar que não só nos livros, mas também em revistas e DVDs máquinas voadoras, campos de concentração e personagens como Hitler e Churchill, por exemplo, sejam sempre garantia de sucesso.

Uma das linhas da onda são os grandes livros ilustrados que compilam um tema. Nessa perspectiva, acaba de ser lançado pela Larousse “As grandes batalhas da história”. Seu mérito está justamente em não se ater as grandes guerras do século XX apenas, mas em oferecer um apanhado geral do assunto.

A obra contém muitas ilustrações e mapas e abarca batalhas desde 1274 a.C., a famosa batalha de Qadesh, de Ramsés II, até a invasão do Iraque pelos EUA, em 2003. É um bom panorama sobre a história das guerras e principais conflitos e pode despertar o interesse para outras leituras.

Na compilação há batalhas que conhecemos mais pelo mito ou por serem romanceadas como a própria Qadesh e Azincourt (a primeira por Christian Jacq, a segunda por Bernard Cornwell) do que por meio de referências históricas concretas, batalhas clássicas como Waterloo e Stalingrado e episódios menos conhecidos mas igualmente relevantes como os massacres promovidos pelo Japão na China em 1937.

O livro certamente tem o mérito de contemplar outros séculos que não o XX – são 95 episódios de outros séculos e 42 do XX – mas há ausências importantes. Não vemos ali, por exemplo, fora a batalha de Argel – cujo documento brilhante é o filme homônimo de Gillo Pontecorvo – nenhuma das guerras de independência africanas dos anos 60.

Vale a dica, inclusive como sugestão de presente para o Natal. E, a propósito, vale outra, especialmente para os clientes da Saraiva. No mês de dezembro teremos nas lojas e no site uma oportunidade muito boa para quem gosta de história. São três títulos referenciais (“Berlim 1945″, “Dia D” e “Stalingrado”)  sobre a Segunda Guerra em uma belíssima caixa exclusiva.  Confira.

Filmes de guerra

Postado em Cinema, Listas em 30/11/2009 por Daniel

Este Livro indica: 15 filmes de guerra.

  1. A Balada do Soldado – Grigori Chukhrai (1959) – Segunda Guerra Mundial
  2. A General – Buster Keaton (1927) – Guerra Civil Americana
  3. Além da Linha Vermelha – Terrence Malick (1998) – Segunda Guerra Mundial
  4. Apocalipse Now – Francis Ford Coppola (1979) – Guerra do Vietnã
  5. A Queda – Oliver Hirschbiegel (2004) – Segunda Guerra Mundial
  6. Casablanca – Michael Curtiz (1942) – Segunda Guerra Mundial
  7. Dr. Fantástico – Stanley Kubrick (1969) – Guerra Fria
  8. Glória Feita de Sangue – Stanley Kubrick (1957) – Primeira Guerra Mundial
  9. Johnny vai á Guerra – Dalton Trumbo (1971) – Primeira Guerra Mundial
  10. Nascido para Matar – Stanley Kubrick (1987) – Guerra do Vietnã
  11. O Grande Ditador – Charles Chaplin (1940) – Segunda Guerra Mundial
  12. O Pianista – Roman Polanski (2002) – Segunda Guerra Mundial
  13. Stalingrado – Joseph Vilsmaier (1993) – Segunda Guerra Mundial
  14. Terra de Ninguém – Danis Tanovic (2001) – Guerra da Bósnia
  15. Terra e Liberdade – Ken Loach (1995) – Guerra Civil Espanhola

Dia de perder-se na cidade com Benjamin

Postado em Autores, Ciências humanas, Leituras, Lugares e viagens, Trechos em 27/11/2009 por Daniel

Saber orientar-se numa cidade não significa muito. No entanto, perder-se numa cidade, como alguém se perde numa floresta, requer instrução. Nesse caso, o nome das ruas deve soar para aquele que se perde como o estalar do graveto seco ao ser pisado, e as vielas do centro da cidade devem refletir as horas do dia tão nitidamente quanto um desfiladeiro. Essa arte aprendi tardiamente; ela tornou real o sonho cujos labirintos nos mata-borrões de meus cadernos foram os primeiros vestígios”.

“E antes que um contemporâneo chegue a abrir um livro caiu sobre seus olhos um tão denso turbilhão de letras cambiantes, coloridas, conflitantes, que as chances de sua penetração na arcaica quietude do livro se tornaram mínimas. Nuvens de gafanhotos de escritura, que hoje já obscurecem o céu do pretenso espírito para os habitantes das grandes cidades, se tornarão mais densas a cada ano seguinte. Outras exigências da vida dos negócios levam mais além”.

Walter Benjamin

Obras escolhidas II: Rua de mão única. Brasiliense, 1995.

Millôr infantil

Postado em Lançamentos, Literatura infantojuvenil em 27/11/2009 por Daniel

Um bonito projeto gráfico da Cosac Naify marca o relançamento do livro infantil “Maurício, o leão de menino”. Fruto da parceria entre Flavia Maria e Millôr Fernandes, o título foi publicado originalmente em 1969.

A nova edição ganhou mais ilustrações e um texto de Jaguar, além do formato maior. A história é a de um menino que tem um leão dentro do guarda-roupa, leão que parecia assustador mas que logo se revela um grande companheiro, incapaz de qualquer ato selvagem. Exceto engolir provisoriamente algumas pessoas… mas só para devolvê-las melhores.

Pérolas lusas

Postado em Lançamentos, Livros sobre futebol em 27/11/2009 por Daniel

Não é nossa intenção reforçar a piada ou reunir argumentos para. Mas não é nada contrária ao mito a compilação que João Pombeiro faz do futebol lusitano em “30 anos de mau futebol”, lançamento da editora Quetzal.

Fonte insuspeita, o português Pombeiro não conta aquelas do Manoel e sim reúne preciosidades como a abaixo.

Livrarias

Postado em Listas, Livreiro, Lugares e viagens em 23/11/2009 por Daniel

Este Livro seleciona 15 livrarias pelo mundo.

1.      Altaïr, de Barcelona: www.altair.es

2.      Atlantis Books, da Grécia: www.atlantisbooks.org

3.      Bookartbookshop, de Londres: www.bookartbookshop.com

4.      Calder Bookshop, de Londres: www.calderpublications.com

5.      City Lights, de São Francisco: www.citylights.com

6.      Galignani, de Paris: www.galignani.com

7.      Gleebooks, de Sydney: www.gleebooks.com.au

8.      La Bouquinèrie, de Marselha: www.labouquinerie.com

9.      La Central, de Barcelona: www.lacentral.com

10.  La Feltrinelli, da Itália: www.lafeltrinelli.it

11.  La Hune, de Paris: www.lahune.fr

12.  Page One, de Hong Kong: www.pageonegroup.com

13.  Selexyz Dominicanen, de Maastricht: www.selexyz.nl

14.  Shakespeare and Co., de Paris: www.shakespeareco.org

15.  Strand, de Nova York: www.strandbooks.com

As capas de Montag

Postado em Conectado, Livros sobre livros em 18/11/2009 por Daniel

Uma boa pedida pra quem quer conhecer um pouco mais sobre a história e as tendências do design gráfico, sobretudo o que se traduz nas capas de livros, é o blog do designer gráfico e editor Pedro Marques, Montag. Aqui duas amostras do que se pode encontrar por lá.

Saramago, Hemingway e Dias Gomes no Natal da Biblioteca Saraiva

Postado em Biblioteca Saraiva em 14/11/2009 por Daniel

Mosaico

Na próxima semana as lojas Saraiva e Siciliano receberão os novos títulos negociados para a Biblioteca Saraiva, uma iniciativa inédita promovida em conjunto pela Livraria Saraiva e algumas editoras para oferecer por baixo preço obras que fazem parte da formação básica do leitor de literatura de ficção e poesia.

Dessa vez, a remessa é de livros da Bertrand Brasil. São 9 títulos dos autores José Saramago, Ernest Hemingway e Dias Gomes. Só clássico. E calha, assim como os demais que compõem a Biblioteca (48 livros da Record, da WMF – Martins Fontes e da Cosac Naify), como excelente sugestão de presente para o Natal.

Boa leitura!

Memorial do convento - José Saramago (De: 53,00 Por: 26,90)

Levantado do chão – José Saramago (De: 53,00 Por: 26,90)

O velho e o mar – Ernest Hemingway (De: 31,00 Por: 18,90)

Paris é uma festa – Ernest Hemingway (De: 42,00 Por: 19,90)

Por quem os sinos dobram – Ernest Hemingway (De: 59,00 Por: 29,90)

Contos – vol. 1 – Ernest Hemingway (De: 35,00 Por: 19,90)

Contos – vol. 2 – Ernest Hemingway (De: 42,00 Por: 19,90)

Contos – vol. 3 – Ernest Hemingway (De: 42,00 Por: 19,90)

O pagador de promessas – Dias Gomes (De: 29,00 Por: 16,90)

Bertrand

Clube do Livro Saraiva

Postado em Eventos em 13/11/2009 por Daniel

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Um encontro para os amantes da leitura debaterem, trocarem ideias e sugestões sobre clássicos e lançamentos. Assim é o Clube do Livro Saraiva que acontece sempre no último sábado de cada mês, às 15h, na loja do shopping Rio Sul, no Rio. 

A 4ª edição do Clube foi em 31.10. Dessa vez, o tema foi Halloween e a discussão girou em torno de livros de terror e suspense, sem esquecer dos clássicos de Stephen King e Agatha Christie, entre outros. E é claro que os vampiros, a grande onda do momento, também não ficaram de fora. 

O evento, idealizado e coordenado por Cíntia Lopes e novamente sob o comando de Frini Georgakopoulos e Patricia Lima “Patoka”, teve um público de mais de 40 pessoas, que participaram do sorteio de livros de suspense de editoras como a Planeta. Além disso, os presentes ganharam a carteirinha de sócio que dá direito a desconto de 10% na compra de livros na loja Rio Sul no dia do Clube.

Em novembro ocorre a 5ª edição. Participe.

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Trecho de “Os espiões”, novo livro de Luis Fernando Verissimo

Postado em Exclusivo, Lançamentos, Literatura brasileira, Trechos em 13/11/2009 por Daniel

Os espiões

“Formei-me em Letras e na bebida busco esquecer. Mas só bebo nos fins de semana. De segunda a sexta trabalho numa editora, onde uma das minhas funções é examinar os originais que chegam pelo correio, entram pelas janelas, caem do teto, brotam do chão ou são atirados na minha mesa pelo Marcito, dono da editora, com a frase “Vê se isso presta”. A enxurrada de autores querendo ser publicados começou depois que um livrinho nosso chamado Astrologia e Amor — Um Guia Sideral para Namorados fez tanto sucesso que permitiu ao Marcito comprar duas motos novas para sua coleção. De repente nos descobriram, e os originais não param mais de chegar. Eu os examino e decido seu futuro. Nas segundas-feiras estou sempre de ressaca, e os originais que chegam vão direto das minhas mãos trêmulas para o lixo. E nas segundasfeiras minhas cartas de rejeição são ferozes. Recomendo ao autor que não apenas nunca mais nos mande originais como nunca mais escreva uma linha, uma palavra, um recibo. Se Guerra e Paz caísse na minha mesa numa segunda-feira, eu mandaria seu autor plantar cebolas. Cervantes? Desista, hombre. Flaubert? Proust? Não me façam rir. Graham Greene? Tente farmácia. Nem le Carré escaparia. Certa vez recomendei a uma mulher chamada Corina que se ocupasse de afazeres domésticos e poupasse o mundo da sua óbvia demência, a de pensar que era poeta. Um dia ela entrou na minha sala brandindo o livro rejeitado que publicara por outra editora e o atirou na minha cabeça. Quando me perguntam a origem da pequena cicatriz que tenho sobre o olho esquerdo, respondo:

— Poesia.

Corina já publicou vários livros de poemas e pensamentos com grande sucesso. Sempre me manda o convite para seus lançamentos e sessões de autógrafos. Soube que sua última obra é uma compilação de toda a sua poesia e prosa, com quatrocentas páginas. Capa dura. Vivo aterrorizado com a ideia de que ainda levarei esse tijolo na cabeça.

Uma ameaça imediata vinha do Fulvio Edmar, autor do Astrologia e Amor, que nunca recebera os direitos autorais pela sua obra. Ele pagara pela primeira edição e achava que deveria receber os direitos integrais de todas as edições depois que o livro estourara. O Marcito não concordava. E eu é que tinha que responder as cobranças cada vez mais desaforadas de Fulvio Edmar. Há anos trocávamos insultos por cartas. Nunca nos encontráramos. Ele já descrevera com detalhes como faria para que meus testículos substituíssem minhas amídalas, quando isso acontecesse. Eu já o avisara que carregava sempre uma soqueira no bolso.

Mesmo as minhas cartas de rejeição mais violentas, minhas diatribes de segunda-feira, terminam com um P.S. amável. Instrução do Marcito. Se a pessoa estiver disposta a pagar pela edição do seu livro, a editora terá enorme prazer em rever sua avaliação etc. etc. Conheci o Marcito na escola. Os dois com 15 perebentos anos. Ele sabia que as minhas redações eram as melhores da turma e me convidou para escrever histórias de sacanagem, que reunia num caderno grampeado, intitulado O Punheteiro, e alugava para quem quisesse levá-lo para casa, com a condição de devolver no dia seguinte sem manchas. Depois da escola passamos anos sem nos ver até que descobri que ele abrira uma editora e fui procurá-lo. Eu tinha escrito um romance e queria publicá-lo. Não, não era de sacanagem. Demos boas risadas lembrando os tempos de O Punheteiro, mas o Marcito disse que, a não ser que eu pagasse pela edição, não tinha como publicar meu romance, uma história de espionagem sobre um fictício programa nuclear brasileiro abortado pelos americanos. A editora estava recém-começando. Ele era sócio de um tio, fabricante de adubo, cujo único interesse na editora era a publicação de um almanaque mensal distribuído entre seus clientes no interior do estado. Mas Marcito me fazia uma proposta. Tinha planos para criar uma editora de verdade. Precisava de alguém que o ajudasse. Se eu fosse trabalhar com ele, eventualmente publicaria meu romance. Não podia prometer um grande salário, mas… Me lembrei que ele não dividia comigo o dinheiro do aluguel de O Punheteiro. Ia certamente me explorar de novo. Mas a ideia de trabalhar numa editora me seduzia. Afinal, eu me formara em Letras e na época era funcionário de uma loja de vídeos. Estava com 30 anos. Tinha recém me casado com a Julinha. O João (a Julinha não aceitou que ele se chamasse le Carré) estava para nascer. Topei. Isso foi há 12 anos. Minha primeira tarefa na editora foi copiar um texto sobre camaleões de uma enciclopédia, para incluir no almanaque. Escolha profética: o camaleão é um bicho que se adapta a qualquer circunstância e desaparece contra o fundo. Desde então é isso que eu faço. Leio originais. Escrevo cartas. Redijo quase todo o almanaque para ajudar a vender adubo. Me lamento e bebo. E, lentamente, desapareço contra o fundo”.

Os espiões – Luis Fernando Verissimo (Objetiva)

Os 7 passos de um homem

Postado em Leituras em 12/11/2009 por Daniel

 

Um afogado abre a janela

Poesias de Álvaro de Campos – Fernando Pessoa (Cia. das Letras, FTD)

Mais conhecido e angustiado heterônimo criado pelo português Fernando Pessoa, Álvaro de Campos condensa o sangue e a alma que a poesia pode trazer em seus altos momentos. Para ler, reler, sentir e pensar, sobretudo com realizações definitivas como “Na estrada de Sintra”, “Tabacaria” e “Passagem das horas”.

Nesse dia não há o que comemorar

O processo – Franz Kafka (Cia. das Letras)

No dia de seu 30° aniversário, o funcionário Joseph K. acorda com a polícia à porta: é acusado, mas não sabe e não lhe dizem o motivo. A ficção do tcheco de expressão alemã Franz Kafka, emblema do século XX, é uma metáfora da irracionalidade que vêm por trás da aparente racionalidade deste mundo, como ele está.

Um espectro de tragédia

Édipo rei – Sófocles (Difel, L&PM)

Tragédia grega fundamental que conta a história de Édipo, aquele que desposou a própria mãe. Boa iniciação para a rica herança deixada pelos gregos antigos à cultura ocidental e à leitura dos melhores textos de teatro.

As dúvidas o perseguem

Dom Casmurro – Machado de Assis (Saraiva)

Memórias do solitário personagem Bentinho, apelidado de Dom Casmurro. Ele reconstitui sua relação com Capitu (a de olhar oblíquo), sua ex-mulher, por quem suspeita ter sido traído com seu melhor amigo, Escobar. A trama é muito intricada, há grande análise psicológica, poder de ironia e sátira e reflexão sobre a miséria humana.

Senta-se no meio-fio da capital do País

Antologia poética – Carlos Drummond de Andrade (Record)

Maior poeta brasileiro, Drummond escreveu obras marcadas pela inadaptação ao mundo e por um agudo sentido em relação ao outro. Aqui, uma coleção de clássicos: desde “No meio do caminho” (“tinha uma pedra no meio do caminho” – quem nunca ouviu?), passando pelos políticos “A flor e a náusea” e “Morte do leiteiro” e chegando ao magnífico (dizer isso é pouco) “A máquina do mundo”.

Perde o rumo

Fahrenheit 451 – Ray Bradbury (Globo)

No futuro, os bombeiros têm uma nova tarefa: queimar livros. O bombeiro Guy Montag leva uma vida alienada nessa sociedade dominada pelo consumo e pelas telas de televisão até tomar consciência da miséria em que está metido e se juntar aos que, clandestinamente, resistem à opressão e à ignorância. História boa, mas nem tão bem escrita.

Suas contas já não são com Deus

Os ratos – Dyonélio Machado (Planeta)

Numa cidade provinciana, a Porto Alegre dos anos 30, o funcionário Naziazeno, às voltas com as dificuldades econômicas e precisando sustentar a mulher e o filho pequeno, é atormentado pela dívida que tem com o leiteiro. Drama de grande profundidade psicológica, marco do modernismo brasileiro, embora pouco conhecido.

Ritmo e poesia

Postado em Música, Poesia, Vídeos em 11/11/2009 por Daniel

Por Daniel Louzada

Comumente se diz que poesia não vende, que a maioria das pessoas não gosta de poesia. Se a poesia não é lida tanto quanto outros gêneros é por outras razões, contudo.

Impõem-se duas perguntas. Não são as músicas populares formas de poesia? Por que há receptividade tão grande para a música e seus versos e não para a poesia?

Palavra de poeta – Paulo Leminski

“Eu não sei se todos os povos amam os seus dentistas, mas todos os povos amam os seus poetas. No Brasil, por exemplo, Vinicius de Moraes, Chico Buarque de Holanda, Caetano Veloso, Milton Nascimento e seus parceiros… Os poetas são amados por milhões. Por que os povos amam os seus poetas? Porque os povos precisam disso, porque os poetas dizem coisas que as pessoas precisam que sejam ditas. O poeta não é um ser de luxo, não é uma excrescência ornamental da sociedade; ele é uma necessidade orgânica de uma sociedade. A sociedade precisa daquela “loucura” pra respirar. É através da loucura dos poetas, através da ruptura que eles representam que a sociedade respira”.

A chave certamente está no acesso a uma e outra.

É importante lembrar que até certa altura da Idade Média as poesias eram acompanhadas de música. Hoje um movimento nascido nos guetos negros dos Estados Unidos concentra a maior força da música popular mundial –movimento justamente centrado na palavra aliada ao ritmo. O RAP (ritmo e poesia, em inglês) não possui a elaboração de linguagem da poesia clássica, mas guarda nos seus melhores exemplos o mesmo espírito.

Vamos ler um livro – Juventude Armada

Chega de ler besteira

Chega de babaquice

Procure se informar

Não seja o mestre da burrice

São tantos que falam merda

E isso enjoa, é um tormento

Procure ler um livro

Pois é a máquina do tempo.

Traduções

Postado em Primeiros passos em 11/11/2009 por Daniel

James Joyce

Há alguns anos, uma obra renovadora e ousada, “Ulisses”, de James Joyce, foi reeditada no Brasil (Objetiva). Sua reedição não disse respeito simplesmente a uma nova capa e a um novo projeto gráfico, mas remeteu a um aspecto fundamental para os grandes livros: a tradução.

Uma obra rica em linguagem oferece grandes dificuldades na tradução para outro idioma. O tradutor, por nem sempre haver correspondências entre dois idiomas, por ser impossível fazer uma tradução literal, é obrigado a achar soluções originais a fim de escrever um texto que tenha sentido e ritmo.

Grandes livros exigem, assim e de tempos em tempos, uma nova tradução, uma nova leitura, como nota o crítico Ivo Barroso.

Segundo o tradutor brasileiro de “Finnegans Wake”, obra também escrita por James Joyce (e quase ilegível para o não iniciado), Donaldo Schüler, a prosa do autor irlandês é muito rica: “A técnica cinematográfica em Joyce está presente já na primeira página do Ulisses. Ele dá muita atenção às artes modernas. Joyce rompe com o vocabulário inglês. Ele tem cerca de 60 mil verbetes, quando as pessoas normalmente falam 3 mil vocábulos. Ele lida com sessenta línguas. Faz composições com palavras de sessenta línguas”.

O tradutor interpreta, descomplica. Ou complica mais ainda. Uma má tradução pode assassinar o melhor dos autores. Esses dias cotejei duas versões de poemas do Maiakóvski disponíveis em português. Em uma delas Maiakóvski é sangrado até a morte a ponto de se tornar um escritor enfadonho. Por conta do infeliz encontro com esse tipo de edição certamente deixamos de descobrir muitos talentos.

Atentas a isso, editoras como a 34 – que publicou a obra de Dostoiévski e a de outros russos no Brasil – primam por trabalhar com nomes qualificados como Boris Schnaiderman. Tradutores que evitam confirmar o velho ditado italiano que os persegue: traduttore traditore.

O popular maluquinho

Postado em Enquetes, Literatura infantojuvenil em 11/11/2009 por Daniel

Menino maluquinho

Encerrada a nossa enquete sobre personagens infantis.

Para 31% dos votantes, o personagem mais marcante de suas infâncias foi o Menino Maluquinho, criação do célebre e ativo Ziraldo.

Logo atrás veio a Mônica e sua turma com 25% das preferências. Emília e a turma do sítio encantam as crianças há muitas gerações e mereceram 19% dos votos. Em seguida, empatados e fechando a lista com 6% cada, ficaram Sherlock Holmes e Pollyana.

Entrevista: Marcelo Tas

Postado em Entrevista, Exclusivo em 10/11/2009 por Daniel

Nunca antes

O divertido “Nunca antes na história deste país” acaba de ser lançado por Marcelo Tas. O livro, muito bem ilustrado, traz frases de Lula comentadas pelo autor, mas não é simplesmente uma compilação. Tas esteve conosco e com muita simpatia contou, entre outras coisas, um pouco de como surgiu a idéia do livro.

ESTELIVRO: Como surgiu a ideia de escrever o livro “Nunca antes na história deste país” a partir de frases do Lula?

Marcelo Tas: A ideia veio da editora Panda. Fiquei com essa história dormindo na minha mente por um tempo e depois propus uma ampliação do livro. No começo, seria somente uma compilação de frases e pensei nos vários personagens que o Lula já assumiu falando. E o volume de frases é abissal, é muita coisa! Eu pensei: ‘vou ter que ver uma maneira de traduzir esse ser que existe dentro do Lula’. Aí eu vi que existem vários seres, ele assume várias profissões, e associei com essa história de ele não ter diploma. Quer dizer, um cara que não teve diploma e de repente teve vontade de ter todos os diplomas do mundo. Depois pensei na imagem que é uma coisa que está associada à televisão, então busquei alguém que pudesse traduzir isso em imagem. E aí foi ficando cada vez mais complexo para meu desespero. Trouxe um animador, Ricardo Gimenez, que faz animação de televisão, desenho animado, web e livros também. O livro cresceu bastante e a editora gostou bastante dessa ampliação do livro. Para mim foi uma surpresa entender que o livro nasce de uma ideia, mas depois ele acaba virando outro livro ao longo do processo.

ESTELIVRO: Você falou que o Lula assume diversos personagens ao longo do livro. Qual você acha que é real: o metalúrgico ou o Presidente?

Eu acho que o mais real é o metamorfose ambulante. O Lula é um cara que muda muito rapidamente e isso não é nenhuma crítica. Ele é capaz de se adaptar facilmente. Se ele entrar nessa sala, vai entender tudo de livros de uma hora para outra e vai nos deixar extremamente seduzido por eles. O Lula tem essa capacidade e isso eu já ouvi de vários amigos. Eu conheci o Lula pessoalmente, durante entrevistas, que é um tipo de Lula, o Lula marqueteiro, que fala com os jornalistas, fala muito bem sobre o que ele está fazendo, o que deixou de fazer. Você quase acredita em tudo o que ele está dizendo. O Lula seduz economistas que é uma classe super científica. Tenho amigos de direita que, depois que participaram de um seminário com o Lula, ficaram apaixonados… Inclusive a eles eu dediquei esse capítulo: Lula, economista.

ESTELIVRO: O Lula já sabe sobre o livro?

Eu acho que o Lula não sabe. Eu tenho muito contato com os assessores dele que geralmente me ligam muito por causa do CQC.

ESTELIVRO: Ele assiste ao CQC?

Ele assiste. Comenta o programa, às vezes, quando encontra a nossa equipe. Ele manda alô para o Marco Luque. Aliás, eu entendo porque ele consegue se comunicar com o Marco Luque, eles tem uma linguagem corporal. Linguagem de sinais. Eu tenho certeza de que ele não sabe do livro. Estou curioso para saber qual vai ser a reação dele porque se tem uma coisa que eu fiz questão é: o livro não é nem um pouco partidário, não é contra nem a favor. Quando o José Simão foi escrever o prefácio, ele me perguntou: ‘Você quer um prefácio contra ou a favor?’. Eu falei: um a favor do contra. Então o livro é um pouco disso, ele confunde. Tem momentos simpáticos ao Lula, com razão, nunca na história desse país existiu alguém tão surpreendente no comando desta nação, tem suas virtudes, e tem também seus fracassos e as suas trapalhadas redondas que a gente também critica no livro. Não é um livro unilateral, confunde a minha própria posição diante do Lula, que também é ambígua. Eu sou muito mais pela anarquia do que pela ordem política. Acho uma bobagem crucificar o Lula ou endeusá-lo. Vai ser curioso como isso vai ser percebido.

 

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Tas com Luciana e Daniel, do Este Livro, e Natasha, do Palco Alternativo

 

ESTELIVRO: Você pretende entregar o livro pessoalmente ao Lula?

Eu gostaria. Aliás, o cara que criou o formato do CQC, o nosso chefão da Argentina, ficou sabendo do livro e pediu para eu mostrar esse livro no CQC. Então a gente deve fazer isso sim. Esse livro deve virar personagem do CQC em algum momento.

ESTELIVRO: Foi feita uma pesquisa com os argentinos e 60% votariam no Lula.

Eu acredito que ele seria um excelente candidato para a Argentina. Este país esta passando por uma fase terrível. E acho mais: o Lula teria mais porcentagem no Brasil se ele pudesse ser candidato [novamente]. E isso faz justiça ao governo dele. O governo Lula deu certo porque ele não cumpriu nada do que prometeu. É a primeira vez que isso acontece na história do nosso país. E por isso deu certo. Ele fez um governo que descumpre tudo aquilo em que acreditava: as alianças, a política econômica… E deu certo. O Brasil é esse país difícil de entender. E é por isso que eu acredito na capacidade do humor para contar a história do Brasil. Isso tem muito a ver com o livro. A minha carreira é muito em cima da tentativa de explicar o Brasil por meio do humor, desde o Varella até os programas infantis, pelo meu blog, a minha relação com os jovens e a minha tentativa de falar do que eu acredito é sempre pelo viés do humor. A gente vive num país tão absurdo, tão surpreendente que eu acredito que colocando essa lente do humor, a gente consegue se aproximar mais dessa realidade absurda do que se, de repente, a gente for muito técnico e científico.

ESTELIVRO: Você aderiu ao twitter como uma importante ferramenta de divulgação de informações. Qual é o próximo passo das redes sociais?

Quem fica olhando para o próximo passo pode cair agora porque a gente está numa velocidade muito alta. Eu sempre procuro observar o que está acontecendo nesse instante porque ninguém tem muita noção do instante seguinte. O próprio twitter, tenho o meu desde 2007, ele ficou dormindo ali um ano, um ano e meio, e em 2008 parece que foi descoberto, mas já existia há um tempão… O que está aumentando cada vez mais é a velocidade com que as pessoas captam e distribuem a informação através das redes. Para mim, sempre o que interessa é a qualidade da comunicação, quem conseguir fazer isso vai estar sempre surfando bem essa onda. Existem aquelas coisas que disparam novidades para fazer um showzinho pirotécnico aqui e ali, como, por exemplo, o Second Life, teve uma hora que parecia que o mundo ia ser dominado por isso…

ESTELIVRO: Nos fale um pouco sobre as obras que você está lendo.

Eu sou muito caótico na minha leitura. Leio coisas antigas e novas simultaneamente. Estou lendo, neste instante, “O andar do bêbado”, um livro que fala exatamente sobre esse assunto, meio que o twitter, meio que para onde estamos indo. É o andar do bêbado. Aliás, ele confirma o que eu falei: você não tem como prever o próximo passo, é melhor que você não preveja porque o próximo passo é um andar de bêbado, graças a Deus, não é uma coisa linear. Por causa do livro [“Nunca antes...”], eu mergulhei muito na vida do Lula e me surpreendi o quanto a gente desconhece dele. O livro da Denise Paraná, “Lula, o filho do Brasil”, no qual foi baseado o filme, é sensacional. Ninguém o leu ainda. O que eu acho incrível.

ESTELIVRO: Agora começou a vender.

Esse livro eu acho que vai explodir depois do filme. O que é curioso é que é um livro quase acadêmico. Quase não, é acadêmico. É uma pesquisa acadêmica. São entrevistas longuíssimas com o Lula e com todas as pessoas que se relacionaram com ele antes de ele ficar conhecido.

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ESTELIVRO: Você tem outros projetos de livros?

Tenho, mas tenho até medo de falar porque nunca pensei que desse tanto trabalho fazer um livro. Pensei que fazer televisão era difícil. E estou chocado. É trabalhoso e fascinante. Já havia ouvido muitos escritores dando essa entrevista, mas percebi que o livro se torna trabalhoso justamente porque é apaixonante. Eu tenho outros projetos, até já relativamente desenhados, mas eu prometi para mim mesmo que nunca mais eu escreveria outro livro, mas acho que vou ter que descumprir essa promessa. O livro é um negócio que rouba a alma, mas num sentido muito bonito de você resolver se dedicar àquilo de corpo e alma. E como eu faço várias outras coisas isso é perigosíssimo.

ESTELIVRO: Tem a ver com o objeto livro mesmo. Porque você lida bastante com tecnologia, blog, twitter etc. Tem alguma mudança na sensibilidade?

Tem porque eu percebo que o livro é um esforço coletivo também, o que é fascinante.  Ele é composto por várias camadas. Quando você entrega, vamos dizer assim, a versão final, que demora para ser a última, isso se aproxima muito de outra experiência que eu tive que é o teatro. Quando você chega numa peça e acha que ela está no formato final percebe que é aí que começa o trabalho, que você verá os detalhes mais profundos do que está fazendo. É um jogo fascinante, mas é extenuante. Você percebe que aquilo não tem fim.

Colaborou nessa entrevista Natasha Ramos, do blog Palco Alternativo.

Leve pra casa um Dan Brown autografado!

Postado em Exclusivo, Promoção em 02/11/2009 por Daniel

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Participe da nossa promoção e leve um exemplar capa dura de “The lost symbol” autografado pelo próprio autor! Isso mesmo!!!

E mais! 2º e 3º lugares ganham “O símbolo perdido”, edição brasileira, recém saído do forno.

Regulamento

O participante deve responder a duas questões obedecendo todos os critérios estipulados abaixo. Serão consideradas participações válidas somente aquelas que preencherem as exigências das duas questões.

Questões

1) Qual cena dos livros de Dan Brown em que Robert Langdon é protagonista você considera mais marcante? Descreva a cena, o livro e o capítulo.

2) Crie uma cena, tendo como cenário o Brasil, em que Langdon viva uma situação inusitada. A cena deve estar no contexto das narrativas de Dan Brown e de Langdon. O texto deve ter no mínimo 8 e no máximo 20 linhas.

Critérios

Para a questão 1 serão consideradas somente respostas corretas.

Para a questão 2 será considerada a criatividade do participante.

Envio e validade

As respostas devem ser enviadas para estelivro@gmail.com

A validade da promoção é de 02.11 a 18.11.2009.

Somente serão consideradas as participações recebidas até as 23h59 de 18.11.

Divulgação do resultado

A divulgação do resultado acontecerá em 23.11 no blog.

Vencedores

1º lugar – 1 exemplar de “The lost symbol”, edição dos EUA, autografado.

2º e 3º lugares – 1 exemplar de “O símbolo perdido”, edição brasileira, para cada.

Divulgaremos nomes, cidades e as respostas dos vencedores.

Entrega dos prêmios

Para moradores de São Paulo entregaremos os prêmios pessoalmente. Para moradores de outras cidades, os prêmios serão enviados pelo correio. 

The Lost Symbol

Kill the Kindle

Postado em Conectado, Vídeos em 29/10/2009 por Daniel

Menos catastrofismo. Mais humor.

Série Vaga Lume: é da sua época?

Postado em Fundo do baú, Literatura infantojuvenil em 29/10/2009 por Daniel

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Por Luciana Rede

Alguns comentários que tecemos acabam denunciando a idade!

Quer saber se a colega já passou dos 30? Fale ao acaso: “O caso da borboleta Atíria”, “O escaravelho do diabo” e ”Zezinho, o dono da porquinha preta”!

Os mais velhos com certeza se lembram, mas hoje estes livros deram lugar a adoções de livros mais modernos ou nem tanto.

A vontade de escrever sobre a coleção veio de uma conversa com colegas que tinham trauma, que odiavam ler quando meninos!

Me lembro que eu e meus amiguinhos tínhamos uma brincadeira de nerd: competíamos pra ver quem já tinha lido mais livros da série! A série tinha ótimos títulos como os do Marcos Rey, autor atualmente em outra editora. Livros de puro entretenimento (algumas exceções como “O feijão e o sonho” e “Éramos seis”), linguagem fácil e sem cobrança.

Mas as experiências com leitura na infância podem ser traumáticas! Tenho uma amiga traumatizada pela “Bolsa Amarela”… e é tão bonitinho… Quem nunca foi obrigado a ler na escola algo que não condizia com a idade? “Lucíola” e “Memórias de um sargento de milícias” que nos digam!

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Lembrando do “Memórias”, me lembro que dois anos atrás tive um ataque e quis reler todos os livros que não gostei na escola. Comecei por este e é admirável a falta que faz um pouco mais de vivência e conteúdo para se compreender um livro. “Sargento de milícias” é engraçadíssimo e retrata a vida das pessoas comuns na época da vinda dos reis de Portugal utilizando uma linguagem bem afiada!

Uma ótima dica são os clássicos adaptados para quadrinhos!

Você leu algum livro na infância que depois releu e mudou de idéia?

Escritores, misticismo e religiosidade

Postado em Autores, Literatura anglo-americana, Literatura portuguesa, Religiões em 27/10/2009 por Daniel

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Por Luciana Rede

Existem incontáveis livros psicografados de personalidades muito famosas quando em vida, entre eles Liév Tolstoi, Charles Dickens e até o próprio Jesus.

Mas definitivamente não vamos discutir aqui no ESTE LIVRO como os famosos utilizam seu tempo no além-túmulo.

Muitos escritores de renome tiveram sua vida pessoal ligada à espiritualidade.

Fernando Pessoa, a exemplo de William Blake, tem sua obra conhecida como transcendental.

Além de dar conta de tantos heterônimos, dominava assuntos tidos pelos intelectuais como supersticiosos e ignorantes como Alquimia, Kabbalah, Astrologia, Magia e Ocultismo.

Pessoa foi Rosacruz, estudioso de Teosofia e amigo pessoal de Aliester Crowley, do qual traduziu poemas, entre eles Hino a Pã, cuja tradução foi publicada pela primeira vez em 1931 no livro Presença. O nome de Crowley não aparece no livro, apenas seu nome mágico, Mestre Therion.

Arthur Conan Doyle, criador do detetive Sherlock Holmes, personagem querido por gerações, também teve suas buscas e assim como Fernando Pessoa, se interessou pela Teosofia e Ocultismo, até que perdeu a esposa e filhos em um acidente e se tornou espírita fervoroso.

Escreveu um livro sobre o assunto, “História do Espiritismo”, editado no Brasil pela Pensamento. Muitos confundem e acreditam que este livro é psicografado, mas não, foi escrito em vida e reflete seu pensamento na época em que ajudou a divulgar esta doutrina de origem francesa em sua Inglatera.

Ao contrário de Pessoa, Doyle quase não passa traços de espiritualidade e misticismo para a literatura.

A fantástica história de Padre Cícero

Postado em Biografia, Lançamentos, Vídeos em 25/10/2009 por Daniel

Padre Cícero – poder, fé e guerra no sertão, de Lira Neto, estará disponível em 12 de novembro.

Grande aposta da Companhia das Letras, a biografia promete colocar novamente em discussão a polêmica figura do padre cearense Cícero Romão Batista (1844-1934). Lira Neto recupera a trajetória do líder religioso e político desde a infância revelando fatos até então desconhecidos. Santo para uns, impostor para outros, atualmente cogita-se nos meios católicos a reabilitação de Padre Cícero.

O silencieiro

Postado em Autores, Leituras, Literatura argentina, Trechos em 24/10/2009 por Daniel

O silencieiro

Uma cidade latino-americana depois de 1950, um homem jovem que não suporta o barulho produzido pela metrópole.

“O ruído não me permite existir”.

A solidão e o dilaceramento do personagem principal por conta da sensibilidade ao mínimo ruído.

O amigo Besarión e o zelo de sua mãe.

“Mas ninguém é absolutamente mau para si próprio, embora o seja para os demais. Todos temos uma justificativa. Que não será admitida pelos outros (exceto aqueles predispostos, que são os que nos amam)”.

Fuga. Os barulhos o fazem perambular com a família de casa em casa, de bairro em bairro.

Perseguido pela cidade em expansão, inexorável, incontrolável em sua trajetória.

“Os mártires, me parece, não podem se defender. Ninguém os escuta”.

Acusado de incendiar a casa de uma vizinha vai preso.

Tentativa de suicídio.

“Mártir da pretensão de viver minha vida e não a vida alheia, a vida imposta”.

Antonio Di Benedetto (1922-1986) é autor de “O silencieiro” (1964), “Mundo animal” (1953), “Zama” (1956) e “Os suicidas” (1969), todos editados no Brasil pela Globo, entre outros. Jornalista, foi preso e torturado com o advento do golpe militar argentino de 1976. Libertado após catorze meses, exilou-se em vários países, ficando fora da Argentina até 1984. Conciso, discreto, mas nem por isso menos denso e pungente, Di Benedetto, é um dos gigantes da literatura latino-americana do século XX.

A biblioteca de Gonçalo Tavares

Postado em Autores, Lançamentos, Literatura portuguesa, Trechos em 23/10/2009 por Daniel

Biblioteca

Quatro excertos do mais novo livro de Gonçalo M. Tavares, Biblioteca (Casa da Palavra). Nele, o escritor português reúne pequenos textos à moda de um dicionário. A matéria prima é o universo de autores tão diferentes quanto Platão, Kafka, Nelson Rodrigues e Umberto Eco.

Dylan Thomas

“Não ignoro que a iluminação, quando entra na água, se torce como a vara que parece se torcer. Mas há uma diferença: a vara toca no fundo, mesmo na água suja, e a luz, não sei se com a água suja toca no fundo. A luz não é um metal.

Ou o metal talvez seja uma luz mais lenta. Como o ouro mostra. E daí o seu valor monetário, que não é mais que o seu valor para os olhos.

A tudo o que ilumina um coração podre podemos chamar luz. O dinheiro, por exemplo”.

E. M. Cioran

“Se a alma é uma víscera, não quero pensar o que será Deus.

O homem que quer destruir traz as mãos pesadas. O homem que quer fugir traz os pés leves.

O homem que quer lutar não traz pressa. O homem que quer morrer encontrou o mundo certo”.

Sade

“No fundo, entre a febre excitada e a sabedoria há um combate, e umas vezes ganha a febre, outras vezes é a sabedoria que perde”.

Yukio Mishima

“Toda a estética é uma renúncia ao músculo.

Claro que a renúncia ao músculo é sempre temporária, porque a morte vem, e nela o corpo tem de estar presente. Porém a estética não. A morte, poderias dizer, torna dispensável a estética.

Se colocares o ouvido junto ao dorso de uma vaca não escutarás o som do mar”.

O editor

Postado em Autores, Livreiro em 23/10/2009 por Daniel

Monteiro Lobato

Além de ter sido criador de inesquecíveis personagens infantis que encantam sucessivas gerações de crianças desde a década de 20 do século XX, Monteiro Lobato (1882-1948) foi também um destacado editor. O escritor paulista introduziu inúmeras inovações no mercado editorial do País, foi pioneiro na implantação de práticas avançadas no processo de edição e comercialização de livros tais como distribuição consignada para bancas de jornal, papelarias, armazéns e farmácias, cuidado com o aspecto gráfico das obras (capas atraentes, ilustrações e diagramação moderna), publicidade em jornais por ocasião dos lançamentos e envio gratuito de exemplares para bibliotecas de escolas. A trajetória empresarial de Lobato materializou-se na Monteiro Lobato & Cia, na Companhia Editora Nacional e, por fim, na Brasiliense – que fundou com Caio Prado Jr., entre outros – e exemplifica o duplo papel que tem um editor: sendo um comerciante é, ao mesmo tempo, um agente cultural; as histórias de grandes editores como José Olympio (1902-1990), Ênio Silveira (1925-1995) e Jorge Zahar (1920-1998) o comprovam.

Robert Crumb

Postado em Autores, Quadrinhos em 19/10/2009 por Daniel

Crumb

A cena é essa: com um exemplar fresquinho (ou seria quentinho?) do Gênesis de Robert Crumb nas mãos, pronto pra ser lido. Um Crumb tão poderoso como quase sempre, ao que tudo indica.

Gênesis (Conrad) é mais uma oportunidade – a melhor, talvez, pois o álbum mereceu divulgação inédita nessas bandas - para o reconhecimento desse mestre dos quadrinhos que produziu obras essenciais pra quem gosta do gênero ou ainda nem tanto.

Abaixo, aproveitando a ocasião e como tira-gosto à leitura do Gênesis, sugerimos três Crumbs de boa cepa.  

Fritz, the Cat – Robert Crumb (Conrad)

Um gato brigão, preguiçoso e que adora sexo. Símbolos da contracultura nos EUA dos anos 60, as histórias de Fritz contém o universo daquele momento recheado de drogas, sexo e rebeldia contra os padrões da sociedade produtivista, um caldeirão caótico e irônico. Fritz levou o cartunista à notoriedade e a sentir pela primeira vez o assédio da indústria cultural. Mantendo uma notável coerência, Crumb não teve dúvidas e matou o personagem quando ele estava no auge da popularidade – a história em que Fritz é morto por uma avestruz inclusive está neste volume. Assim como estão as histórias que Crumb produziu ainda na adolescência (o material do álbum vai de 1961 a 1971).

Mr. Natural – Robert Crumb (Conrad)

Primeiro personagem de Crumb a ter uma revista própria, o velho, alegre e barbudo Mr. Natural vaga pelos Estados Unidos distribuindo conselhos cercado de discípulos. Se a princípio se assemelha a um charlatão que só busca dinheiro, por outro parece alguém que alcançou certa sabedoria e encara as coisas com leveza envolvendo-se com figuras atormentadas como Flakey Foont e Shuman, the Human. Crumb escreveu uma pequena biografia para seu personagem que, entre tantas aventuras, teria inventado um remédio milagroso, sido músico de uma famosa big band e taxista no Afeganistão. O certo é que nos quadrinhos deste álbum está toda a irreverência de Crumb, sua crítica ácida ao americano médio, a ironia em relação ao flower power e seu despudor característico, longe de qualquer politicamente correto.

Zap Comix – Vários autores (Robert Crumb, S. Clay Wilson, Rick Griffin, Victor Moscoso, Manuel Spain Rodiguez, Gilbert Shelton, Robert Williams, Paul Mavrides) (Conrad)

Coletânea dos 15 números da revista Zap Comix (1967-1998), que chegou a vender centenas de milhares de exemplares de algumas de suas edições. Sempre fora do esquema da grande indústria do entretenimento, negando continuamente as tentativas de cooptação, a Zap se tornou escola e referência para o universo underground surgido nos anos 60 nos Estados Unidos. A Zap no. 1 foi totalmente desenhada por Robert Crumb, assim como a no. 0, que saiu posteriormente. Na seqüência foram agregados os demais cartunistas.

Bastante desigual, neste volume sobressai a figura de Crumb, que alia a forma ao conteúdo. Alguns, como Griffin e seu psicodelismo, parecem agora bastante datados. Outros, como Moscoso, são estilistas do desenho, mas falta força. Ainda assim, destaco S. Clay Wilson (pela irreverência como na divertida história do encontro de piratas gays com piratas lésbicas) e Gilbert Shelton (com o seu javali-maravilha). Nas quatro últimas histórias da coletânea está retratada a desavença entre os artistas, que tem como um dos membros-chave Crumb, para quem não fazia mais sentido levar adiante uma experiência que considerava esgotada – isso rende ofensas entre alguns deles. A velha Zap acabou em 1998.

Vale recordar, ainda, o depoimento que nos deu há dois anos o Allan Sieber a propósito do livro “Bob & Harv – dois anti-heróis americanos”, também da Conrad:  “Pra quem gosta de quadrinhos para adultos não débeis mentais (categoria em extinção hoje em dia, especialmente depois do lançamento do 14º filme do Homem-Aranha), esse livro é um prato cheio. Todas frustrações do roteirista e perdedor Harvey Pekar no traço classudo de R. Crumb, um dos inventores do gênero do quadrinho autobiográfico. Na América de Pekar  – e em todo mundo, sejamos realistas – não há lugar para quem não tem o bronzeado certo, o carro certo e não puxa o saco das pessoas certas. Só resta odiar e reclamar, coisas que os dois fazem com maestria”.

A rua das livrarias

Postado em Livreiro, Lugares e viagens em 19/10/2009 por Daniel

Placa

A rua do Ouvidor, no Rio de Janeiro, onde hoje fica a Saraiva Mega Ouvidor, sempre foi reduto de livrarias. Dentre elas, destacaram-se pelo pioneirismo a tradicional Livraria Garnier, de meados do século XIX, e a filial da parisiense E. Mongie, inaugurada em 1832. Nessa época, as atividades de livreiro e editor se confundiam – a Garnier, comandada pelo francês Baptiste Louis Garnier (1823-1893) e por seu irmão Hippolyte, de 1844 a 1934 mandou imprimir em Paris e em Londres os livros que comercializava. A despeito desse fato, que rendeu aos franceses a antipatia das gráficas cariocas, a Garnier tornou-se referência no incipiente mercado de livros do Brasil centrando suas atividades na publicação de literatura ficcional – traduziu nomes fundamentais da literatura como Honoré de Balzac, Charles Dickens, Alexandre Dumas e Oscar Wilde e publicou grande parte dos romancistas brasileiros mais conhecidos da época.

Saraiva Ouvidor

Bibliófilos

Postado em Livros sobre livros em 18/10/2009 por Daniel

O bibliófilo

Bibliofilia: amor aos livros; bibliófilo: amador ou colecionador de livros, segundo o dicionário. O termo pode assustar, mas os bibliófilos são figuras benéficas. Apaixonados por livros, por eles colocam em ação todo empenho. Colecionadores particulares, os bibliófilos não buscam qualquer livro, mas aqueles que possuam traços distintivos. Para um bibliófilo, o valor de um livro pode estar relacionado a sua raridade, ao fato de ser uma primeira edição ou possuir determinada encadernação, ilustração ou autógrafo. O Brasil teve grandes bibliófilos, gente como Rubens Borba de Moraes (1899-1986), Plínio Doyle (1906-2000) e José Mindlin (1914-). Sobre sua paixão pelos livros fala Rubens de Moraes: “Esse longo convívio com livros de toda sorte ensinou-me alguma coisa sobre eles, creio eu, mas ensinou-me, principalmente, que em matéria de livros tudo quanto sei só serve para mostrar o quanto ignoro. Não há dia que não aprenda alguma coisa. É, talvez, por isso que não me canso de manuseá-los, de folheá-los, de lê-los e de falar deles”.

O jovem, o andarilho, o suicida

Postado em Autores, Leituras em 17/10/2009 por Daniel

Três indicações de Este Livro para um fim de semana de leituras.

 O jovem

O homem e sua hora

O homem e sua hora – Mário Faustino (Cia. das Letras) De vida breve – morreu aos 32 anos – e intensa atividade intelectual, o piauiense Mário Faustino ainda é pouco conhecido, mas sua obra é não só sofisticada como instigante. Nesse livro, poemas belíssimos como “Sinto que o mês presente me assassina”, “O mundo que venci deu-me um amor” e “Balada”.

O andarilho

Vida e época Michael K.

Vida e época de Michael K. – J. M. Coetzee (Cia. das Letras) Pobre, negro e com o lábio leporino, Michael K., um jovem sul-africano, vive sem entender o mundo que corre a sua volta e lhe ultrapassa como um  turbilhão. Como um bicho, é vítima da história. Grande personagem, grande livro de um grande escritor vivo.

O suicida 

Poemas - Maiakovski

Poemas – Vladimir Maiakóvski (Perspectiva) O poeta russo Vladimir Maiakóvski aliou inovação formal e engajamento revolucionário sem perder a sensibilidade. O drama da existência, o compromisso político e o amor aparecem na melhor forma em sua poesia. Antes do suicídio, compôs obras-primas como “A Sierguéi Iessiênin” e disse: “Dizem que em algum lugar/Parece que no Brasil/Existe um homem feliz”.

A história de amor de Dostoiévski

Postado em Autores, Literatura russa em 17/10/2009 por Daniel

Dostoievski e Crime e castigo

Impelido por dívidas, o russo Fiódor Dostoiévski (1821-1881) escreveu ao mesmo tempo duas de suas principais obras, “Crime e castigo” e “O jogador”. A redação da primeira era feita pela manhã, a da segunda à tarde.

Para ajudá-lo na tarefa, o escritor contratou uma copista, Anna Giriegorievna Snitkine, então com 21 anos. Entre os dias 4 e 29 de outubro de 1866 Dostoiévski ditou a Anna “O jogador”.

Em 15 de fevereiro de 1867 casou-se com ela; três meses depois de pedir sua mão, quatro após conhecê-la.

Livros sobre livros: peça pelo número

Postado em Listas, Livros sobre livros em 15/10/2009 por Daniel

 book burger 2Do princípio às perspectivas das novas tecnologias, das variantes históricas ao caso brasileiro, do bibliófilo à livraria, da biblioteca ao livreiro, do escritor ao leitor. Abaixo um rápido menu de Este Livro sobre… livros.

  1. 10 livros que abalaram meu mundo – Vários (Casa da Palavra)
  2. A aventura do livro do leitor ao navegador – Roger Chartier (Unesp)
  3. A formação da leitura no Brasil – Marisa Lajolo (Ática)
  4. A leitura e seus lugares – Julio Pimentel Pinto (Estação Liberdade)
  5. Carta  sobre o comércio do livro – Denis Diderot (Casa da Palavra)
  6. Como falar dos livros que não lemos – Pierre Bayard (Objetiva)
  7. Como um romance – Daniel Pennac (Rocco)
  8. Guia de leitura – 100 autores que você precisa ler (L&PM)
  9. História da leitura – Steven Fischer (Unesp)
  10. História universal da destruição dos livros – Fernando Baéz (Ediouro)
  11. Leitores, espectadores e internautas – Nestor García Canclini (Iluminuras)
  12. Livros demais! – Sobre ler, escrever e publicar – Gabriel Zaid (Summus)
  13. O bibliófilo aprendiz – Rubens Borba de Moraes (Casa da Palavra)
  14. O Brasil pode ser um país de leitores? – Felipe Lindoso (Summus)
  15. O  livro no Brasil – Laurence Hallewell (Edusp)
  16. O negócio dos livros – como as grandes corporações decidem o que você lê – André Schiffrin (Casa da Palavra)
  17. Para ler como um escritor – Francine Prose (Jorge Zahar)
  18. Shakespeare and Company – Uma livraria na Paris do entre-guerras – Sylvia Beach (Casa da Palavra)
  19. Ter e manter – Philipp Blom (Record)
  20. Uma história da leitura – Alberto Manguel (Companhia das Letras)

Dois autores falam sobre seus livros.

Livros Demais! – “Existem livros demais. Se alguém se dedicasse a ler apenas os títulos de todos os livros publicados, passaria uma vida sem terminar. Mas livros demais são também livros de menos, pois sempre há algo de novo a dizer com novos livros. O que falta mesmo é a oportunidade de ter o “encontro feliz” entre o livro e seus leitores, que enriquece o leitor e dá sentido ao que o escritor quis dizer.” Gabriel Zaid

O Brasil pode ser um país de leitores? – “Sim! É mentira que o brasileiro não gosta de ler. O que falta são meios de acesso ao livro e à leitura. Com políticas públicas que melhorem a quantidade e a qualidade das nossas bibliotecas públicas, o brasileiro lerá mais. O acesso à cultura é um direito da cidadania e as bibliotecas são tão importantes quanto escolas e hospitais.” Felipe Lindoso

Onde vivem os monstros

Postado em Lançamentos, Literatura infantojuvenil em 14/10/2009 por Daniel

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O Dia das Crianças já passou, mas o mês de outubro ainda reserva uma grande novidade para os pequenos. No próximo dia 19 será lançado no Brasil o clássico norte-americano “Onde vivem os monstros”, de Maurice Sendak (Cosac Naify).

Escrito em 1963, o livro foi um marco na linha dos livros infantis ilustrados e desde lá já vendeu mais de 20 milhões de exemplares, sendo vencedor de alguns dos principais prêmios do gênero como o Hans Christian Andersen e o Astrid Lindgren.

A trama é a seguinte: o menino Max está vestido com sua fantasia de lobo fazendo a maior bagunça em casa e por isso é mandado para o quarto sem jantar. Inconformado, ele se transporta para uma floresta e num barquinho chega à ilha onde vivem os monstros. Rapidamente, Max se torna rei do lugar e comanda uma bagunça ainda maior junto com seus novos amigos. No meio da selvageria e de um mundo sem regras, entretanto, algo muda no garoto.

O lançamento tem o forte mote do filme homônimo a sair pela Warner Bros. em janeiro de 2010 com direção de Spike Jonze, o mesmo de Quero ser John Malkovich. Fora isso, será lançado um game ainda em outubro e, com a febre do filme, não deve demorar muito para as pelúcias dos monstros e de Max, sucesso nos EUA, também chegarem ao Brasil.

O livro sai com tiragem de 10 mil exemplares em edição caprichada com capa dura em tecido. O preço será 49,00 (um pouco caro para as 40 páginas, é verdade).

Um não ganhador do Nobel

Postado em Autores em 09/10/2009 por Daniel

Amos OzPor Luciana Rede

Desisti de opinar sobre quem ganhará o Nobel. O ganhador quase nunca aparece nas listas!

Tenho vários amigos que leram Hertha Miller e gostam muito, mas eu particularmente nunca li. Leremos e postaremos em breve!

Amos Oz. Escritor israelense nascido em 1939, participou da Guerra dos Seis Dias e da Guerra do Yom-Kippur.

É famoso por sua militância em favor da paz. E fundou o movimento Paz Agora.

Já veio ao Brasil participar da Flip <www.flip.org.br>.

Começou a escrever contos ainda na faculdade e é dono de uma prosa fluida e limpa.

Seus livros e contos são muito diversos entre si. Prosa poética, biografia social, literatura infanto juvenil…

Caixa Preta

Foi publicado em 2003 e não apresenta uma narrativa linear. É a chamada narrativa epistolar, em formato de cartas.

Toda família tem seus segredos e revelações, e aí está a analogia com o título e com uma relação amorosa desfeita.

Ilana, ex-mulher de Alex Gideon, intelectual famoso mundialmente, cujo divórcio foi escandaloso.

Ilana construiu outro relacionamento com Michel Sommo, um fanático religioso.

Existe o filho de Ilana e Alex, Boaz, adolescente sensível com problemas de violência.

As cartas entre eles tem um tom ora cômico, ora dramático e a maestria de Oz é fazer com que o leitor já identifique de quem é a carta já na primeira linha.

Gideon, com sua retórica acadêmica; Ilana mostra nas missivas sua ótima educação e gosto pela literatura russa; Michel, seu fanatismo e idéias extremistas.

Boaz deixa seus bilhetes com muitos erros e sinceridade comovente.

Temperando estas cartas temos o advogado do ex-casal, que nos tira da realidade com seus telegramas shakespeareanos.

É um romance temperado, diferente, erótico, poético e engraçado, e que ao mesmo tempo mostra um panorama social, político e religioso muito abrangente.

É um livro que após lido dificilmente será esquecido!

Clássicos: perdendo o medo

Postado em Livreiro em 06/10/2009 por Daniel

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Clássico. Para alguns a palavra assusta, soa como sinônimo de algo chato. O certo é que ela atravessa a arte em geral, não se refere apenas a alguns livros. Assim, por exemplo, há também discos e filmes clássicos.

Mas por que essas obras se distinguem em meio a tantas outras, afinal? Por que se diz que elas são essenciais na formação do leitor? Por que não podem faltar nas livrarias? A seguir, o esboço de algumas respostas com o auxílio do italiano Italo Calvino, autor de “Por que ler os clássicos” (Cia. das Letras).

“Os clássicos são livros que, quanto mais pensamos conhecer por ouvir dizer, quando são lidos de fato mais se revelam novos, inesperados, inéditos”.

Os clássicos são essenciais porque remetem ao que de fundamental foi produzido em literatura pelo homem até hoje, quer pela inovação formal, profundidade temática ou influência social. Esses livros foram consagrados por resistirem aos anos, por serem ricos em significados, por comunicarem a sucessivas gerações de leitores e críticos (embora não haja limites de tempo e origem para a definição – há livros que “quase” já nascem clássicos – em geral os clássicos demoram para se consolidar enquanto tal). Um clássico oferece a oportunidade de contínuas leituras ao dizer mais do que demonstra à primeira vista.

“O rendimento máximo da leitura dos clássicos advém para aquele que sabe alterná-la com a leitura de atualidades numa sábia dosagem”.

Essa conversa pode levar a um velho medo: seriam esses livros demasiado grandes para leitores mortais? Ora, é possível ler, ao mesmo tempo, livros com pretensões e livros para o simples divertimento. O que não devemos é nos sonegar a possibilidade de conhecer também essas obras. Há clássicos para todos os gostos e em todos os gêneros. O clássico é uma evolução dentro do gênero, o ponto alto de um gênero que tem, por sua vez, estágios intermediários e básicos. 

As palavras soam repetitivas quando nos referimos aos clássicos. O melhor é ir à leitura: encontrar um grande livro é descobrir um mundo novo.

“Que não se pense que os clássicos devem ser lidos porque ‘servem’ para qualquer coisa. A única razão que se pode apresentar é que ler os clássicos é melhor do que não ler os clássicos”.

Erros de avaliação (ou como certos clássicos também podem ser difíceis para grandes leitores)

O crítico Luis Augusto Fischer cita uma série de casos em que editores e nomes consagrados da literatura erraram feio nas avaliações sobre clássicos que surgiam.

“O venerável Marcel Proust precisou pagar pela edição das centenas de páginas de ‘Em busca do tempo perdido’, porque sua obra foi rejeitada simplesmente por todos os editores buscados. Um chegou a escrever: ‘Quebro a cabeça e não consigo ver por que um sujeito deveria precisar de 30 páginas para descrever como ele se vira na cama antes de ir dormir’”.

Já o poeta Ferreira Gullar falava na década de 50 que não conseguia passar da página 70 do “Grande sertão: veredas” porque a partir dali o livro se configurava como “uma história de cangaço contada para linguistas”.

Como se vê aqui, na literatura, o tempo se encarrega sabiamente de tudo.

Enquete: Philip Roth será o Nobel 2009

Postado em Autores, Enquetes em 04/10/2009 por Daniel

Philip Roth

Encerrada a votação da nossa enquete sobre o favorito para ganhar o Nobel de Literatura 2009. Para 36% dos leitores de Este Livro, o vencedor será um dos eternos candidatos ao prêmio, o estadunidense Philip Roth.

Editado no Brasil pela Companhia das Letras, Philip Roth (1933) é talvez o maior escritor norte-americano da atualidade. Seu primeiro livro, “Adeus, Columbus”, é de 1959. De lá pra cá, publicou muitas outras obras – “O complexo de Portnoy”, o romance mais conhecido, saiu em 1969.

Professor de literatura até 1992, Roth hoje vive recluso em um sítio. Dessa data em diante se dedicou exclusivamente à literatura e lançou títulos importantes como “O teatro de Sabbath” e os que compõem a “trilogia americana”: “Pastoral americana”, “Casei com um comunista” e “A marca humana”.

A ficção de Roth está bastante ligada à história contemporânea dos Estados Unidos, abordando desde o macarthismo até o escândalo sexual do governo Clinton. Da mesma forma, é marcada por um peculiar humor ou certa ironia pesada e contém alguns traços autobiográficos.

Será dessa vez que Roth leva o Nobel? Ou será a hora de outro eterno candidato, o peruano Mario Vargas Llosa, segundo colocado nas intenções desse blog com 32% dos votos? É aguardar pra ver.

Sim, e além dos que citamos (5% apostaram em Thomas Pynchon e ninguém em Joyce Carol Oates e Carlos Fuentes – 27% disseram que nenhum deles será o vencedor) há outros cogitados para o prêmio que vale registrar aqui: o israelense Amoz Oz, os italianos Antonio Tabucchi e Claudio Magris, a argelina Assia Djebar, o holandês Cees Nootebom e o japonês Haruki Murakami.

Bibliofilia, bibliomania: Nunca te vi, sempre te amei

Postado em Cinema, Livreiro em 03/10/2009 por Daniel

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Por Luciana Rede

Os amantes de livros conhecem estes termos e felizmente hoje existem muitos livros (e filmes!) disponíveis no mercado sobre este assunto!

É claro que ESTE LIVRO terá uma seção de livros sobre livros!

Para inaugurar esta “coluna”, poderíamos colocar uma lista com 100 livros, mas apaixonados como somos, vamos iniciar com um livro que deu origem a um filme que é uma ode aos livros.

O filme Nunca te vi, sempre te amei. Do original 84 Charing Cross Road, do diretor David Hugh Jones, filmado em 1987 com Anthony Hopkins no papel do livreiro inglês Frank Doel e Anne Bancroft como a escritora americana Helene Hanff. Judi Dench faz o papel da mulher do livreiro.

O livro não está mais disponível em português. Teve uma edição nacional em 1988, esgotada, que ainda é encontrada em sebos. O original em inglês pode ser encomendado nas livrarias.

O livro traz as cartas (na íntegra) entre a escritora e o livreiro.

A narrativa do filme tem por base estas cartas e mostra o início da amizade que se intensifica ao longo de duas décadas entre duas pessoas muito diferentes, Helene, mal humorada e Frank, discreto e delicado. A busca de livros raros, o amor mútuo pelos livros e pela literatura e a atmosfera da livraria são alguns dos sabores deste filme.

Tem como pano de fundo alguns fatos históricos como a Segunda Guerra, que muito refletiu na Inglaterra (Helene, por exemplo, mandava alimentos aos funcionários da livraria).

O emocionante é que essa história é real e tem um final surpreendente.

Um filme de mais de 20 anos que se mantém atemporal para os admiradores de livros.

Já assistiu? Comente abaixo!

Ainda não?  Corra e assista!!!

A edição original e a brasileira trazem as cartas entre Frank e Helene

A edição original e a brasileira trazem as cartas entre Frank e Helene

Os contos de Tchekhov

Postado em Autores, Literatura russa em 03/10/2009 por Daniel
Tchekhov e Tolstoi 2

Dois gigantes da literatura russa: Tchekhov e Tolstoi

Por Luciana Rede

Os contos são muito apreciados por sua concisão.

O brasileiro Machado de Assis, o americano Edgar Alan Poe, o argentino Jorge Luis Borges, o italiano Italo Calvino e o francês Guy de Maupassant são alguns exemplos.

Muito apreciado por suas peças como “A Cerejeira”, “Três Irmãs” e “A Gaivota”. Escreveu também novelas e romances. Seus contos estão sendo descobertos pelos leitores brasileiros através de traduções primorosas. Prefira traduções mais atuais, a maioria é direta do russo (as traduções antigas vinham do francês).

Podemos encontrar seu nome como Tchecov, Tchekhov ou Tchekov. O motivo é que o nome próprio também é traduzido, pois o original é, em cirílico, Антон Чехов.

Anton Pavlovitch Tchekhov (1860-1904) foi um homem à frente de seu tempo e escrevia sobre o cotidiano como ninguém. Não escrevia sobre a moral do povo e sim sobre a simplicidade da vida e a grandeza humana. Seus contos são modernos e não seguem a narrativa linear de começo-meio-fim. Os acontecimentos são jogados e são quase visões instantâneas. É considerado um dos mestres do conto moderno.   

Estudou medicina e tratava de pacientes com tuberculose. Trabalhou em causas humanitárias a favor do povo russo, que vivia em estado de pobreza absoluta causada pela fome e pelo frio.

Viveu vários romances e por fim se casou em 1901 com a atriz alemã Olga Knipper, com quem manteve longa correspondência em tão poucos anos. Estas cartas são encontradas com muita facilidade em coletâneas de cartas de amor.

Nunca deixou de escrever e a literatura era sua paixão. À medida que o tempo passava, seus contos se tornavam mais curtos.

Contraiu tuberculose e foi para a Alemanha encontrar a esposa. Se é possível dizer assim, sua morte foi poética, pois sendo médico conhecia os sintomas como ninguém. Pediu uma taça de vinho a Olga, brindou e bebeu com ela e se foi calmamente aos 44 anos.

Pegue qualquer livro de contos do autor, abra em qualquer conto e leia! Inesquecível!

Promoções Este Livro já tem ganhadores

Postado em Promoção em 01/10/2009 por Daniel
Nossas duas primeiras promoções já tem seus resultados.

Na Promoção 1, destinada aos leitores não-colaboradores da Saraiva e Siciliano, os ganhadores foram:

Kit 1: Débora Rocha, de Porto Alegre-RS

Kit 2: Felipe Lima, de Sorocaba-SP

Já na Promoção 2, destinada aos leitores colaboradores da Saraiva e Siciliano, os ganhadores foram:

Kit 1: Patrícia Gama (Mega Paralela – Salvador)

Kit 2: Alexandre Amaral (Mega Salvador Shopping)

Aos vencedores parabéns e boa leitura.

Promoção 2 – ganhe livros da Biblioteca Saraiva

Postado em Promoção em 29/09/2009 por Daniel

Mulheres piscina

Promoção válida somente para os leitores colaboradores da Saraiva e Siciliano.

Os 2 primeiros leitores colaboradores que comentarem este post citando o título de três poemas que fazem parte de “A rosa do povo” levam pra casa um kit com os seguintes livros da Biblioteca Saraiva (Record): 

Kit 1: Do amor e outros demônios – Gabriel García Márquez / A peste – Albert Camus / A rosa do povo – Carlos Drummond de Andrade

Kit 2: O pêndulo de Foucault – Umberto Eco / Sidarta – Herman Hesse / São Bernardo – Graciliano Ramos

Importante

1) Escreva seu nome completo e loja ou unidade a que pertence no comentário.

2) A distribuição dos kits será pela ordem do acerto, ou seja, quem acertar primeiro leva o kit 1 automaticamente.

3) Entraremos em contato com os ganhadores em até dois dias após a definição da promoção.

Promoção 1 – ganhe livros da Biblioteca Saraiva

Postado em Promoção em 29/09/2009 por Daniel

Modelos equilibrado

Promoção válida somente para os leitores não-colaboradores da Saraiva e Siciliano.

Os 2 primeiros leitores não-colaboradores que comentarem este post citando corretamente a última frase de “O grande Gatsby” levam pra casa um kit com os seguintes livros da Biblioteca Saraiva (Record): 

Kit 1: O amor nos tempos do cólera – Gabriel García Márquez / O estrangeiro – Albert Camus / Antologia poética – Carlos Drummond de Andrade

Kit 2: O grande Gatsby – F. Scott Fitzgerald / O lobo da estepe – Herman Hesse / Angústia – Graciliano Ramos

Importante

1) Escreva seu nome completo no comentário.

2) A distribuição dos kits será pela ordem do acerto, ou seja, quem acertar primeiro leva o kit 1 automaticamente.

3) O frete de envio dos kits será a cobrar.

4) Entraremos em contato com os ganhadores em até dois dias após a definição da promoção.

Biblioteca do jovem leitor

Postado em Literatura infantojuvenil em 28/09/2009 por Daniel

Meninos rua paulo

Até o final da semana chega às lojas Saraiva e Siciliano uma seleção muito especial de livros infanto-juvenis. Escolhemos 20 títulos legais para crianças de 5 a 12 anos gostarem de ler.

Poesia fora da estante

Há de tudo um pouco, de clássicos do gênero como “A reforma da natureza”, de Monteiro Lobato, a contemporâneos como “Asa de papel”, de Marcelo Xavier.

Todos os livros terão descontos de 10% a 20% até 18 de outubro. Veja abaixo a relação completa.

E feliz Dia das Crianças!

 1.   A alma do urso – Gustavo Bernardo (Formato)

2.    A biblioteca mágica de Bibbi Bokken – Jostein Gaarder (Cia. das Letrinhas)

3.    A bolsa amarela – Lygia Bojunga (Casa Lygia Bojunga)

4.    A droga da obediência – Pedro Bandeira (Moderna)

5.    A princesinha medrosa – Odilon Moraes (Cosac Naify)

6.    A reforma da natureza – Monteiro Lobato (Globo)

7.    Asa de papel – Marcelo Xavier (Formato)

8.    Bisa Bia, Bisa Bel – Ana Maria Machado (Salamandra)

9.    Cacoete – Eva Furnari (Ática)

10.  Chapeuzinho Amarelo – Chico Buarque (José Olympio)

11.  Emília no País da Gramática – Monteiro Lobato (Globo)

12.  Fiz voar o meu chapéu – Ana Maria Machado (Formato)

13.  Flicts – Ziraldo (Melhoramentos)

14.  Menina Nina: duas razões para não chorar – Ziraldo (Melhoramentos)

15.  Minhas memórias de Lobato – Luciana Sandroni (Cia. das Letrinhas)

16.  O menino do dedo verde – Maurice Druon (José Olympio)

17.  Os meninos da rua Paulo – Ferenc Molnar (Cosac Naify)

18.  Ou isto ou aquilo – Cecília Meirelles (Nova Fronteira)

19.  Poesia fora da estante – Vera Aguiar (Projeto)

20.  Viagem pelo Brasil em 52 histórias – Sílvia Salerno (Cia. das Letrinhas)

Três argentinos iluminam o livro e a leitura

Postado em Autores, Literatura argentina, Livreiro em 27/09/2009 por Daniel

Os sentimentos dúbios em relação aos livros, à leitura e à literatura, por vezes a mitificação de seus poderes circulam há muito tempo.

A literatura em sentido estrito, ou seja, a literatura ficcional, poética, dramática e ensaística está repleta de exemplos sobre os possíveis benefícios ou malefícios que a leitura causaria. Eles demonstram que a humanidade alimenta uma espécie de relação de amor e ódio com o livro. Para o bem ou para o mal, o livro tem uma grande força simbólica.

Julio Cortázar

Julio Cortázar

Em uma pequena narrativa, o argentino Julio Cortázar fala sobre um mundo abarrotado de livros – os livros se reproduziriam de tal forma que tomariam conta de todos os espaços, não haveria mais rios ou casas, tudo sucumbiria diante deles. Emma Bovary, personagem central da obra-prima do francês Gustave Flaubert, teria cometido adultério em razão da má influência exercida pela leitura de folhetins. Para o grego Platão, na cidade ideal, os poetas deveriam ser banidos porque disseminariam a mentira, falseariam a realidade. O assassino de John Lennon alegou ter sido perturbado pela leitura de “O apanhador no campo de centeio” antes de cometer o crime. Dom Quixote enlouqueceu por ler demais, por ler irreais romances de cavalaria. E o senso comum diz: quem lê muito é anti-social ou estaria perdendo alguma coisa, deixando de viver.

Che Guevara

Che Guevara

Já em uma das mais antigas narrativas, vinda da tradição oral árabe, a literatura é o instrumento para vencer a morte – Scherazade, contando suas histórias que se ligam umas as outras por mil e uma noites, supera a sentença capital imposta pelo sultão Schahriah. Em vários campos de concentração nazistas, em que os prisioneiros viviam em condições sabidas e preocupados em comer pelo menos uma fatia de pão por dia, foram encontrados livros, obviamente traficados com perigo para os alojamentos já que as pessoas ao entrarem nos campos eram despidas de todos os pertences. O caso do argentino Ernesto Che Guevara é emblemático de situações-limite: exaurido na fuga pela selva boliviana, Che, uma pálida lembrança do vigoroso guerrilheiro quando foi capturado, já sem sapatos conservava uma bolsa com seu diário e alguns livros.

Longe do horror que Cortázar provoca no seu “Fim do mundo do fim”, numa livraria há valiosas amostras de algo que só traz perspectivas, sobretudo às épocas de escassas luzes. Todo conhecimento é fruto do trabalho de espíritos insatisfeitos. Buscar compreender com base em diferentes visões e novas experiências é o caminho para chegar a conclusões (ou dúvidas) próprias e, portanto, pensar com a própria cabeça. A livraria é o espaço para isso, o lugar da universalidade, do confronto e da concordância; os livreiros, os artífices desse lugar.

Ricardo Piglia

Ricardo Piglia

E há um livro imprescindível sobre isso tudo. Para leitores e livreiros. Para ser lido esta noite. O último leitor (Cia. das Letras), do argentino Ricardo Piglia, é a chave de ouro das lições acima e, especialmente, dessa tríade.

A função da arte

Postado em Autores, Literatura uruguaia, Trechos em 27/09/2009 por Daniel

Por Eduardo Galeano

Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar.

Viajaram para o sul.

Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando. Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza.

E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai:

- Me ajuda a olhar!.

Em: O livro dos abraços – Eduardo Galeano (L&PM)

O preconceito na literatura

Postado em Literatura de entretenimento em 25/09/2009 por Daniel

leitor - pulp 2

Por Luciana Rede

Andamos pesquisando e percebemos que grande maioria dos blogs sobre livros elitiza os livros.

Livros são para todos e ESTE LIVRO não tem preconceito, pois livro bom não é aquele que é difícil de ler e que traz linguagem conotativa acentuada.

Sem querer poetizar demais, os livros também tem o papel de mudar a vida de uma pessoa.

Não dá pra dar de presente Ulisses do Joyce para o adolescente que não tem o hábito de ler e nem Crime e Castigo para aquela senhora que começou a ler no mês passado.

Existe uma grande diferença entre a literatura clássica e contemporânea, aquela que sobreviveu a séculos e é admirada por intelectuais e admiradores da “boa literatura” e objeto de estudo nas Universidades.

Não podemos negar a presença da literatura de entretenimento, a literatura “comercial” erroneamente chamada de best seller.

Como diferenciar? O best seller é simplesmente o mais vendido, de O Segredo, Saramago, a Bíblia e Chico Buarque.

Os livros de entretenimento geralmente são escritos em forma de romances, com parágrafos curtos e muitos diálogos.

O livro de entretenimento é diagramado de forma que facilite a leitura e não canse o leitor, ou seja as letras são com fontes maiores e os espaçamentos entre as linhas e as margens são bem grandes.

Dan Brown é um deles.

A maioria já leu Código da Vinci e não assume.

Por que vendeu tanto?

Por que associou esta linguagem com o ritmo dos livros de espionagem e informações sobre história e arte.

Mas não é só de Dan Brown que vive a literatura de entretenimento.

Na verdade ela é muito mais abrangente do que parece.

Machado de Assis e Jorge Luis Borges amavam literatura policial, que por sinal tem como marco fundador um conto de um certo Edgar Alan Poe.

E o pulp? O cult do cult! Também entretenimento.

Vamos reler A Cartomante do Machado e procurar os traços de trama policial?

Aqui também entra a chamada chick lit, a comédia feminina, de Bridget Jones, Becky Bloom e das meninas do Sex and the City.

Tem também a literatura de senhora, os dramalhões que descendem de Julia, Sabrina e Bianca.

Aqui entram os chamados suspenses legais, que a trama ocorre com o advogado bonitão que resolve tudo, as tramas de espionagem e os deliciosos históricos. 

E suspense e terror? Tudo entretenimento.

Abaixo o preconceito!!!!

Por que não podemos ler livros somente pra passar o tempo?

O silêncio dos livros

Postado em Conectado em 23/09/2009 por Daniel

marilyn

O Silêncio dos Livros - http://www.osilenciodoslivros.blogspot.com – traz apenas imagens: são pinturas, desenhos e fotos de pessoas célebres e desconhecidas lendo ou com livros.

alfred

Pela originalidade das escolhas, entra com mérito para a nossa lista de indicados, então.

O espírito da Amoeba Music

Postado em Lugares e viagens, Música, Vídeos em 23/09/2009 por Daniel

Este é um blog de livros, mas não só. Então aqui vai o endereço de uma loja de música muito legal, a Amoeba Music: www.amoeba.com

A Amoeba possui três lojas nos Estados Unidos - San Francisco, Los Angeles e Berkeley – e seu lema é algo como “aqui se encontra qualquer cd”. A julgar pelos depoimentos de quem já procurou raridades em suas prateleiras a promessa é cumprida. As lojas são gigantescas e lotadas de cds, dvds, vinis, posters e de tudo há novo e usado, música do mainstream e daquela banda obscura que não se encontra em mais de dois ou três lugares.

Alguns torcem o nariz para o fato das lojas não serem um primor estético. Verdade, são quase feias, a comunicação visual não é das mais eficazes, o conforto está longe do ideal, algumas coisas estão no limite do tosco. Mas o que mais importa é o velho e bom espírito que alia acervo e relacionamento, o que faz a Amoeba lotar mesmo em um momento em que a indústria fonográfica enfrenta dificuldades.

Outra coisa bacana que a Amoeba promove bem são os shows dentro de suas lojas. O público fica entre as gôndolas, não há muita produção. A agenda é intensa e contempla todos os gêneros – nesse mês, por exemplo, a nova formação dos Mutantes se apresentou na filial de Los Angeles.

Acima, pra dar uma idéia da influência e do clima da loja, postamos um vídeo do Paul McCartney. O beatle deu as caras por lá com direito a presença de Ringo Star.

Rubem Fonseca e João Ubaldo inéditos

Postado em Lançamentos, Literatura brasileira em 22/09/2009 por Daniel

Sai na primeira quinzena de novembro o novo livro de Rubem Fonseca, ainda sem título definido. Após a troca da Cia. das Letras pela Agir, Fonseca terá sua obra completa reeditada. Os dois primeiros volumes são “Lúcia McCartney” e “Os prisioneiros”, ambos revisados e agora com posfácio e outras informações adicionais.

Antes, em outubro, a Nova Fronteira lança o novo livro de João Ubaldo Ribeiro, “O albatroz azul”. A próxima edição da Bravo trará livro e autor em destaque. Da trama o que sabemos até agora é o seguinte: “Um homem diante da morte e da vida em busca de mudar seu destino”.

Tolkien, Lewis, García Lorca e Pirsig na nova fornada da Biblioteca Saraiva

Postado em Biblioteca Saraiva em 21/09/2009 por Daniel

Em duas semanas as lojas Saraiva e Siciliano receberão os novos títulos negociados para a Biblioteca Saraiva, uma iniciativa inédita promovida em conjunto pela Livraria Saraiva e algumas editoras para oferecer por baixo preço obras que fazem parte da formação básica do leitor de literatura de ficção e poesia.

Dessa vez, a remessa é de livros da WMF – Martins Fontes. Escolhemos 8 títulos nas suas edições originais para compor a coleção, somando-se assim aos 12 da Cosac Naify e aos 28 há pouco enviados da Record.

Nessa leva, mantém-se a dupla que faz o sucesso da ação: título clássico + preço imbatível (até 60% de desconto sobre a capa). A autores já bem vendidos como J. R. R. Tolkien e C. S. Lewis somam-se outros livros referenciais de fundo de catálogo como a “Antologia poética” do García Lorca, o romance cavalheiresco de Tristão e Isolda e o hit da década de 70, “Zen e a arte da manutenção de motocicletas”.

Só tem clássico. Além de ótima oportunidade para sugestão e presente, a Biblioteca Saraiva também é a chance de ler aquele livro, aquele que todo mundo fala, agora sem a desculpa de que tá caro…

Antologia poética – Federico García Lorca (De: 49,90 Por: 29,90)

Contos inacabados – J. R. R. Tolkien (De: 68,10 Por: 39,90)

As crônicas de Nárnia – C. S. Lewis (De: 93,20 Por: 49,90)

O Hobbit – J. R. R. Tolkien (De: 58,40 Por: 33,90)

O romance de Tristão e Isolda – Joseph Bedier (De: 30,80 Por: 18,90)

Roverandom – J. R. R. Tolkien (De: 37,80 Por: 22,90)

O Silmarillion – J. R. R. Tolkien (De: 64,00 Por: 38,90)

Zen e a arte da manutenção de motocicletas – Robert Pirsig (De: 65,10 Por: 39,90) 

Descubra André Sant’Anna

Postado em Autores, Lançamentos, Literatura brasileira em 21/09/2009 por Daniel

Inverdades

Primeira hipótese: pouco importa quem seja o André Sant’Anna. Segunda hipótese: numa livraria, a sorte lhe sorri e você encontra um dos melhores escritores brasileiros da atualidade, o André Sant’Anna.

Não sei quando esse cara decidiu escrever como só o André Sant’Anna escreve: repetitivo, circular, desbragado, melancólico, cru, se utilizando de tipos exemplares do nosso cenário nacional-sentimental como alpinistas sociais, policiais torturadores, garotas que sonham com sexo e amor, garotos onanistas, vendedores com vida interior. Tudo é estereotipado, em tudo há solidão e fracasso, tudo é muito engraçado na sua claustrofóbica lógica interna.

Na primeira parte do seu penúltimo livro, Sexo e Amizade (Cia. das Letras), Amizade, composta de 23 escritos curtos, alguns desses tipos, quase sempre em monólogos, expõem seus mundos. Notáveis são as narrativas do evangélico que acredita no gozo dos prazeres após a morte e pela mesma razão abdica de torcer para o Corinthians, do taxista com saudades da ditadura e dos veranistas de uma praia paulista.

A segunda parte, Sexo, é uma novela em que personagens como O Negro, Que Fedia e O Executivo De Óculos Ray-Ban exercitam seus papéis sociais, taras, desejos sexuais e afetivos, suas necessidades de consumo.                                                        

Mundo engraçado esse do escritor André Sant’Anna, um escritor de verdade bem no meio da desgraça.

Sim, acima lembrei do penúltimo livro dele. Tudo porque o André Sant’Anna acaba de lançar Inverdades pela 7 Letras. E já é hora de ler esse cara.

Do autor: Amor (Dubolso, 1998), Sexo (7Letras, 1999), Amor e outras histórias (Cotovia, 2001) e O paraíso é bem bacana (Cia. das Letras, 2006).

Cia. das Letras anuncia lançamentos

Postado em Lançamentos em 21/09/2009 por Daniel

Durante a Bienal do Rio (10  a 20.09), a Companhia das Letras apresentou seus lançamentos até o final do ano. Abaixo destacamos os principais títulos em que apostamos.

Outubro

Caim – José Saramago: Em seu novo romance, Saramago retoma a Bíblia, dessa vez o Velho Testamento, para abordar com a habitual ironia o confronto entre Deus e homem.

Segue a reedição da obra de Lygia Fagundes Telles: A noite escura e mais eu, Ciranda de pedra e Seminário dos ratos.

Importante também: Jimmy Corrigan – Chris Ware (quadrinho) e Naquele dia – Dennis Lehane (policial).

Novembro

Padre Cícero – poder, fé e guerra no sertão – Lira Neto: Grande aposta da Cia. das Letras, a biografia promete colocar novamente em discussão a figura do padre cearense Cícero Romão Batista (1844-1934). O autor recupera a trajetória do líder religioso e político desde a infância revelando fatos até então desconhecidos. Santo para uns, impostor para outros, atualmente cogita-se nos meios católicos a reabilitação de Padre Cícero, rejeitado pela hierarquia da Igreja quando vivo.

Cabeza de Vaca – Paulo Markun: Se há alguém a quem se possa chamar de “figuraça” é a Álvar Núñez Cabeza de Vaca. Conquistador espanhol do século XVI, o autor de “Naufrágios e Comentários” viveu tantas e tão inacreditáveis aventuras na América que estranha que ele não seja tão conhecido quanto alguns de seus contemporâneos.

Céus de origamis – Luiz Alfredo Garcia-Roza: Grande presença do último Encontro de Especialistas, onde esbanjou simpatia e disponibilidade, Garcia-Roza traz um novo caso do delegado Espinosa na sempre surpreendente Copacabana.

O maior espetáculo da Terra – Richard Dawkins: O autor volta a relacionar argumentos para sustentar o evolucionismo.

Barroco tropical – José Eduardo Agualusa: Estréia do escritor angolano na editora.

Dezembro

Danuza fazendo as malas 2 – Danuza Leão: São Paulo, Buenos Aires, Berlim e Londres são as cidades visitadas por Danuza em suas crônicas.

Importante também: Chico Buarque: canções , histórias – título provisório – Vários autores (contos) e O outro, o mesmo – Jorge Luis Borges (poesia).

1º semestre de 2010

É no primeiro semestre de 2010 que a editora inicia a publicação da obra completa de Freud. Grande evento.

Juan Carlos Onetti, o mestre desencantado

Postado em Autores, Literatura uruguaia em 21/09/2009 por Daniel

Onetti 2

É certo que raramente ouvimos falar de Juan Carlos Onetti (1909-1994). A circulação da obra do autor uruguaio desde sempre foi bastante restrita, a despeito da influência exercida sobre uma das mais importantes gerações de escritores latino-americanos, uma turma que inclui García Márquez e Julio Cortázar, e do estilo único de quem sabe escrever como poucos.

O relançamento de quatro obras de Onetti pela Planeta possibilita um novo acesso ao universo desencantado, cético e miserável que configura o espírito da ficção do escritor. Romances como “O estaleiro” ou novelas como “Para uma tumba sem nome” revelam um mundo em que personagens submersos em suas insignificâncias transitam entre a dureza da vida rotineira e os artifícios necessários à sobrevivência, senão a física, a mental. Larsen (ou Junta-cadáveres) é o modelo dessa linhagem maldita. Maldita, sim, mas nem por isso incomum.

As tramas de Onetti se passam, pelo menos desde a publicação de “A vida breve”, na cidade ficcional de Santa María, localizada em algum ponto do sul da América, entre Buenos Aires e Montevidéu. É curioso que, ainda na década de 50, a atmosfera que o autor cria seja bastante parecida com a que cidades como Montevidéu oferecem hoje a quem as visita: um possível cenário para Eu sou a Lenda 2.  Fora a piada, resta desolação.

Não há redenção possível para o homem em Santa María. Talvez por isso Onetti seja tão bom e atual.

 Títulos publicados em português e disponíveis no Brasil:

-          O poço / Para uma tumba sem nome (Planeta) – 1939/1959

-          A vida breve (Planeta) – 1950

-          O estaleiro (Planeta) – 1961

-          Junta-cadáveres (Planeta) – 1964

-          47 contos de Juan Carlos Onetti (Cia. das Letras)

Onze livros sobre futebol. Ou onze cerejas para o bolo

Postado em Listas, Livros sobre futebol em 21/09/2009 por Daniel

  

  1. Chuva de glórias – A trajetória do São Cristóvão de Futebol e Regatas (Pontes)
  2. Footballmania – Uma história social do futebol no Rio de Janeiro (Nova Fronteira)
  3. Futebol e guerra – Andy Dougan (Jorge Zahar)
  4. Uma história do futebol – Bill Murray (Hedra)
  5. A invenção do país do futebol – Mídia, raça e idolatria – Ronaldo Helal e outros (Mauad)
  6. Jogo de botão – Regras e táticas do futebol de mesa – Fred Mello (Ediouro)
  7. Nunca houve um homem como Heleno – Marcos Eduardo Neves (Ediouro)
  8. À sombra das chuteiras imortais – Nelson Rodrigues (Cia. das Letras) *esgotado
  9. O trauma da bola – João Saldanha (Cosac Naify)
  10. O universo tático do futebol – escola brasileira – Ricardo Drubscky (Health)
  11. Visão do jogo – Primórdios do futebol no Brasil – José M. dos Santos Neto (Cosac Naify)

  

Futebol ao sol e à sombra

Postado em Livros sobre futebol em 21/09/2009 por Daniel

 Garrincha 2

Antes vistos com preconceito, tachados como maus de venda de antemão, mal escritos e produzidos ou tudo isso junto, os livros sobre futebol são cada vez mais publicados. Uma nova safra de títulos volta a abordar esse fenômeno social que desperta o interesse não apenas do fã, mas de um público amplo e diversificado. Até agosto de 2009 foram lançados mais de 100 novos títulos que tem o esporte como tema.

As crianças têm sido um dos alvos importantes para os editores brasileiros. Uma parte significativa dos lançamentos é destinada à gurizada como a série “Meu Pequeno”, da Belas Letras, um exemplo de sucesso nessa linha (assim como a mais antiga “O dia em que me tornei…”, da Panda). Aliando livros ilustrados com textos acessíveis sempre escritos por torcedores ilustres, a série vai muito bem: os dois últimos títulos são “Meu pequeno vascaíno”, da Fernanda Abreu, e “Meu pequeno tricolor”, do Evandro Mesquita. Há menos de um mês a editora Globo entrou nessa também e lançou quadrinhos de Corinthians e Flamengo assinados pelo Ziraldo.

Nesse universo de lançamentos, o Corinthians tem sido outra grande estrela. À boa fase nos gramados e com o centenário batendo à porta, corresponde uma enxurrada de novos livros. Mas não só. De modo geral, além dos títulos de ocasião, a memória do futebol brasileiro vem sendo resgatada seja através de obras panorâmicas ou da história de clubes e de seus personagens.

Aí estão incluídas as trajetórias de clubes como na coleção Camisa 13 da Ediouro (que teve títulos reimpressos e conta com textos muito bons como o do Flamengo, escrito pelo Ruy Castro, e o do Grêmio, pelo Eduardo Bueno), biografias de craques do passado como Didi (que acaba de ser reeditada pela Gryphus) e de figuras às vezes relegadas a segundo plano como goleiros e técnicos, coletâneas com os melhores de todos os tempos em cada clube – a Maquinária tem uma coleção bacana chamada “Os dez mais” que conta com volumes sobre Palmeiras e Internacional, entre outros – livros sobre camisas e escudos (ambos da Panda) e muitos etc.

Isso sem contar a vertente ensaística desde o clássico “O negro no futebol brasileiro”, de Mário Filho (Mauad), até “Veneno remédio”, de José Miguel Wisnik (Cia. das Letras) ou a linha humorística com livros de piadas, já que no futebol às vezes o mais importante não é ganhar mas sim ver o rival perder (série “Piadas pra sacanear…”, da Mauad e da Fivestar).

Pra superar a distância do futebol que às vezes algumas coisas reais ou imaginárias provocam, uma experiência muito legal – pra quem ainda não o fez – é visitar o Museu do Futebol, em São Paulo. Assim como alguns museus de clubes, o Museu do Futebol é uma alternativa não só para o fã, que lá encontra de tudo um pouco, mas também pra quem quer se divertir, viver a experiência futebol sem necessariamente ler todos os dados ou babar diante dos gols e objetos (embora nesse momento aconteça uma exposição muito interessante de camisas, botões e flâmulas chamada Mania de Colecionar). Nesse sentido, a reprodução das torcidas dos trinta maiores clubes brasileiros sob a arquibancada do Pacaembu é um ponto alto e emocionante.

Com o auxílio luxuoso do Hobsbawm – “E quem, tendo visto a seleção brasileira em seus dias de glória, negará sua pretensão à condição de arte?” – pergunto e finalizo: E quem negaria ao futebol, especialmente ao brasileiro, o seu devido lugar na livraria?

Futebol e literatura com Luis Fernando Verissimo e Flávio Carneiro no Entrelinhas: http://www.youtube.com/watch?v=_LdyOHpoi7w

Colecionador de livros de futebol na TV Curioso:  http://www.youtube.com/watch?v=6MW1zFPvgpk

Os direitos imprescindíveis do leitor

Postado em Leituras, Listas, Trechos em 21/09/2009 por Daniel

Por Daniel Pennac

  1. O direito de não ler.
  2. O direito de pular páginas.
  3. O direito de não terminar um livro.
  4. O direito de reler.
  5. O direito de ler qualquer coisa.
  6. O direito ao bovarismo.
  7. O direito de ler em qualquer lugar.
  8. O direito de ler uma frase aqui e outra ali.
  9. O direito de ler em voz alta.
  10. O direito de calar.

Em: Como um romance – Daniel Pennac (Rocco e L&PM)

A cidade e seu improvável livreiro

Postado em Livreiro em 21/09/2009 por Daniel

Por Roberto Gomes

Quando cheguei a Curitiba, em 1964, me senti em Nova York. Que cidade, eu me perguntava, teria tantas livrarias? Eu vinha de uma cidade sem livrarias.

Nesse circuito, algum tempo depois, eu procurava um livro de Arnold Hauser, História Social da Arte. Como não havia tradução brasileira, fui informado de que poderia encontrar uma edição em espanhol na livraria do Vignoles.

Era o nome do livreiro. Um sujeito esquisito, me advertiram.

A livraria ficava, se não me engano, no primeiro andar da esquina da Rua do Rosário com a Praça Tiradentes. Entrava-se por uma escada estreita, de madeira. Subi passo a passo, os degraus rangendo a lembrar um filme de terror. Ninguém. Prateleiras, livros, um balcão. Andei de um lado para outro, pigarreei, arrastei o pé no chão. Já estava desistindo, quando emergiu, por detrás do balcão, um sujeito que me perguntou:

- O que você quer?

Assim, sem rodeios, um golpe de direita no queixo. Era um homem careca, de cara monolítica e sobrancelhas tensas. Ele balançou o corpo – parecia não se conter dentro de si – uma das mãos na cintura e outra sobre o balcão. Repetiu a pergunta:

- O que você quer?

Naquela época eu era um tímido profissional, capaz de horas de mutismo e de silêncios abissais e intransponíveis. Mal consegui dizer:

- Procuro um livro…

Hesitei. Súbito, o nome do livro sumira de minha cabeça. O careca atacou:

- É claro que procura um livro. Mas qual é o livro?

- História Social da Arte, Arnold Hauser – lembrei, de soco.

Afastando-se ligeiramente, ele ergueu o tronco que inclinara para falar comigo. Retirou a mão que estava sobre o balcão, mantendo a outra na cintura e continuou, no estilo boxeador:

– E por que precisa deste livro?

Eis uma pergunta que eu não me fizera. Ou seja: queria ler, apenas isso. Já encontrara várias referências a ele em artigos, em livros, em jornais.

- Quero ler, murmurei.

- É claro, para que iria querer um livro, não é mesmo?

Ficamos os dois, olhos nos olhos, preparando o bote. Boxe puro. Temi que eu pudesse passar da timidez mórbida à agressividade mais desastrada, o que me acontecia na época. Por sorte, ele relaxou, ergueu os ombros, fazendo com que seu pescoço sumisse no meio deles, e estaqueou os braços sobre o balcão:

- Olhe, meu rapaz. Eu tenho o livro. Está ali, na prateleira ao lado da janela. Mas… – esperei pelo pior – …seu professor, ou seja lá quem lhe indicou este livro, não explicou uma coisa, provavelmente porque também não sabe.

E me disse que eu perderia tempo lendo aquele livro. Está na moda, comentou com alguma repugnância, todo mundo anda lendo, todo mundo indica, mesmo sem ter a menor noção do que se trata. Moda, compreende? Moda é moda. Acontece que é um livro teoricamente fraco, com uma visão tosca das relações entre sociedade e arte. O autor, esse Hauser, leu Marx e não entendeu nada.

E arrematou:

- Bom, o livro está ali. Se quiser comprar… Não aconselho.

Não comprei. Sumi escada abaixo.

Só fui ler o livro meses depois, comprado no sebo da Voluntários.

Em todos os casos, era outra Curitiba. Em qual das livrarias de hoje eu poderia encontrar um espécime raro daqueles: um livreiro que lia os livros que vendia, que tinha uma opinião a respeito deles – qualquer que fosse – e que, por discordância teórica e ideológica, preferisse não vendê-los a um estudante incauto?

Anos depois, me tornei amigo do Vignoles, quando ele já deixara de ser livreiro. Seguimos no estilo boxeador, como sempre, com diretos e cruzados de lado a lado. Uma grande figura. Um livreiro que sabia falar sobre os livros que vendia.

Era outra Curitiba. Talvez outro mundo.

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