A volta de um clássico do pensamento brasileiro
A editora Fundação Perseu Abramo acaba de reeditar um dos maiores estudos sobre o período colonial brasileiro, O escravismo colonial, de Jacob Gorender.
Obra de um brasileiro notável tanto por sua trajetória intelectual quanto pela militância política desde a primeira metade do século XX, o livro ganha a 5ª edição após vários anos esgotado (sua primeira impressão foi no final dos anos 70).
Exemplo da melhor tradição marxista produzida pelo País, Gorender reconstrói o que foi o escravismo colonial como modo de produção no Brasil e como ele se encaixou no sistema mercantil mundial abordando seus fundamentos e relações longe da tradição ideológica baseada em Gilberto Freyre.
Um livro que exige empenho, mas que ainda vale integralmente.
Trecho: “O estudo de uma formação social deve começar pelo estudo do modo de produção que lhe serve de base material. As formações sociais podem conter um único modo, o que lhes atribuirá homogeneidade estrutural. Podem conter, no entanto, vários modos, dos quais o dominante determinará o caráter geral da formação social. Comumente, os próprios modos de produção não são puros, mas encerram categorias insuficientemente desenvolvidas ou decadentes, que representam embriões ou sobrevivências de modos de produção diferentes”.
